A lesão cerebral adquirida do ponto de vista da neuropsicologia

· novembro 9, 2018

O conceito de lesão cerebral adquirida (LCA) se refere a uma lesão no cérebro que, até este momento, tinha um desenvolvimento normal. As causas podem ser muito diferentes, desde um traumatismo cranioencefálico como consequência de um acidente de trânsito até um tumor cerebral, passando por muitas outras (anóxia, acidente vascular cerebral, etc.).

A principal consequência da lesão cerebral adquirida é a perda das funções cerebrais previamente desenvolvidas. Estas funções envolvem o sistema motor e sensorial, o funcionamento cognitivo, as habilidades comunicativas e a capacidade de regular o comportamento e as emoções.

Então, uma característica frequente dos pacientes afetados pela LCA é a perda da independência funcional, causando uma situação de invalidez, com a consequente sobrecarga do seu entorno mais próximo.

Qual é o papel da neuropsicologia diante da lesão cerebral adquirida?

A reabilitação neuropsicológica utiliza três ferramentas ou estratégias básicas nos pacientes afetados pela LCA:

  • Restituição ou restauração: através de estimulação ou do exercício da função afetada, seja pela perda total ou por um déficit.
  • Compensação: através do apoio ou da utilização de outras funções cognitivas preservadas para a execução da tarefa que era realizada com a função alterada.
  • Substituição: refere-se ao uso de ajudas ou mecanismos externos para o desenvolvimento eficaz da tarefa.

Estas três estratégias clássicas são utilizadas com o objetivo principal de conseguir que o sujeito retome as suas atividades cotidianas da forma mais produtiva e satisfatória possível.

Lesão cerebral adquirida

Quais são as funções cognitivas que podem ser afetadas depois de sofrer uma lesão cerebral adquirida?

As funções cerebrais superiores, como o raciocínio, a memória ou a atenção, são fundamentais para ter uma vida completa e independente. Ao longo do dia, nós utilizamos nossas funções cognitivas continuamente.

Nosso cérebro utiliza suas diferentes capacidades cognitivas para preparar a comida, dirigir ou participar de reuniões, ativando uma maior ou menor área das diversas partes dos hemisférios cerebrais. As funções cognitivas básicas são as seguintes:

  • Orientação: capacidade que nos permite ser conscientes de nós mesmos e do contexto no qual estamos em um momento determinado. Por tanto, a orientação é avaliada através de três parâmetros: o pessoal, o temporal e o espacial.
  • Atenção: estado de observação e de alerta que permite ter consciência do que acontece em nosso entorno. Dentro dessa função, devemos falar de cinco processos diferentes: a atenção seletiva, a atenção sustentada, a atenção alternante, a velocidade de processamento e a heminegligência.
  • Funções executivas: são atividades mentais complexas e necessárias para planejar, organizar, guiar, rever e avaliar o comportamento necessário para se adaptar eficazmente ao entorno e também para alcançar metas. Dentro das funções executivas encontramos a memória de trabalho, a capacidade de planejamento, a flexibilidade, etc.
  • Linguagem: dentro da linguagem existem diferentes processos que podem ser afetados diante de uma lesão cerebral adquirida, como o vocabulário, a expressão, a compreensão, etc.
  • Memória: capacidade de codificar, armazenar e recuperar de maneira efetiva a informação aprendida ou um acontecimento vivido. Podemos diferenciar entre a memória episódica, a memória semântica e a memória operacional.

A alteração do comportamento e a psicoterapia também são importantes na lesão cerebral adquirida

No processo de reabilitação neuropsicológica existem técnicas próprias da psicologia clínica que são empregadas de uma forma ampla. Podemos considerar três grandes grupos de procedimentos:

  • Terapia comportamental ou modificação do comportamento: aqui se incluem o condicionamento clássico, o condicionamento operante e a aprendizagem vicariante. Todos eles têm em comum a análise e a manipulação entre os estímulos e as respostas. O objetivo é aumentar os comportamentos desejáveis e eliminar os não desejados. Aplicam-se, fundamentalmente, para a intervenção em alterações do comportamento: a agressividade, a irritabilidade, a desinibição e outras condutas não desejáveis.
  • Terapia cognitivo-comportamental: a ideia fundamental é de que o comportamento e as emoções são determinados pela forma como o indivíduo percebe e interpreta as diferentes experiências. Portanto, a reestruturação cognitiva tenta modificar essas cognições, de modo a causar uma mudança de comportamento e das emoções do sujeito.
  • Psicoterapia: inclui as intervenções interpessoais concentradas nos aspectos psicológicos que reagem com a lesão cerebral, as alterações cerebrais e de personalidade, ou as alterações na autoconsciência.
Perda das habilidades do cérebro

Cada um dos três procedimentos anteriores demostrou ser eficaz em diferentes pacientes afetados por uma lesão cerebral adquirida ao longo do tempo.

Do mesmo modo, nos últimos anos, também foram feitas tentativas de implantar as novas tecnologias neste campo, demonstrando a sua utilidade e a sua grande riqueza de aplicação.

Devido ao que foi mencionado anteriormente, a reabilitação neuropsicológica é considerada uma ferramenta útil para a melhora das funções cognitivas básicas nos pacientes afetados pela lesão cerebral adquirida.