Lobos cerebrais: características e funções

· outubro 16, 2018

Tudo o que somos se encontra bem aí, nesse órgão fascinante e complexo que, por sua vez, reflete nosso sucesso evolutivo como espécie. Falamos, é claro, do cérebro humano e de cada função presente em nossos lobos cerebrais. Neles, se instala nossa consciência, se articula a linguagem, a memória, se regulam as emoções e ocorrem inúmeros outros processos.

Antonio Damasio, o famoso médico neurologista português, explica em seu livro Em Busca de Espinosa que o cérebro é algo além de um simples acúmulo de neurônios. De fato, mesmo a metáfora clássica que usamos comparando este órgão com um computador parece ser curta. O cérebro e cada uma de suas estruturas são o resultado direto de nossa constante interação com o ambiente.

“O olho absorve… o cérebro produz formas”.
-Paul Cézanne-

Somos o que vemos, o que sentimos, o que experimentamos e o modo como reagimos a cada estímulo e circunstância. O cérebro é “moldado” com cada experiência e são precisamente os lobos cerebrais que mais facilitam cada processo de acordo com suas características. Identificá-los e compreender cada um dos processos que eles geralmente realizam nos ajudará a ter uma visão mais rica e completa deste órgão.

Lobos cerebrais

Os lobos cerebrais e suas funções

Quando pensamos nos lobos do cérebro, podemos cometer o erro de imaginar uma série de estruturas separadas ou diferenciadas entre si. Bom, é importante ressaltar que não existem barreiras intermediárias e que as quatro grandes áreas que configuram os lobos cerebrais trabalham sempre em harmonia, conectadas e compartilhando informações de forma constante.

Por outro lado, o fato de cada lobo cerebral apresentar uma série de características próprias não significa que cada estrutura controle quase “exclusivamente” uma determinada tarefa. Muitas atividades e processos se sobrepõem através das diferentes regiões do cérebro.

Assim, o funcionamento de uma região não pode ocorrer efetivamente sem a presença de outra. Dessa forma, às vezes, o dano cerebral ocasionado em uma área específica pode ser compensado com o que outras regiões podem realizar com maior ou menor eficácia.

Além disso, às vezes até os próprios pesquisadores debatem entre si sobre o ponto exato em que um lobo começa e outro termina. Por outro lado, o que podemos notar quase a olho nu são os dois hemisférios: o direito e o esquerdo.

A partir daqui podemos saber que cada um dos quatro lobos que compõem o cérebro atravessa os dois hemisférios. Por isso, os neurologistas costumam falar com mais precisão do lobo frontal esquerdo, do lobo frontal direito, etc.. Vejamos, portanto, as características de cada lobo cerebral.

Lobo frontal

Os lobos frontais são a própria essência do resultado de nossa evolução. Situados na parte frontal da cabeça, logo abaixo dos ossos frontais do crânio e perto da testa, compõem a região mais refinada do nosso cérebro, a que levou mais tempo para evoluir e aparecer. Assim, entre as diversas tarefas que pode realizar, estão as seguintes:

  • Produção de fala e linguagem graças à área de Broca, uma região excepcional que nos permite traduzir os pensamentos em palavras.
  • Além disso, o lobo frontal é caracterizado, principalmente, por seus processos cognitivos, pelas tarefas executivas sofisticadas que nos permitem planejar, focar a atenção, memorizar informações a longo prazo, entender o que vemos, regular as emoções, etc..
  • Da mesma forma, o lobo frontal também nos permite entender e reagir aos sentimentos dos outros. Falamos, é claro, da empatia.
  • Regulação da motivação e busca de recompensas: a maioria dos neurônios sensíveis à dopamina do cérebro se encontram no lobo frontal.
Características dos lobos cerebrais

Lobo parietal

  • O lobo parietal está sobre o lobo occipital e atrás do lobo frontal. Suas funções são múltiplas, mas se há algo que define esta área do cérebro é o seu papel na percepção sensorial, o raciocínio espacial, o movimento do corpo e nossa orientação.
  • Também é nesta área que a informação sensorial relativa à maioria dos nossos órgãos sensoriais é captada. É onde se processa e regula a sensação de dor, pressão física e temperatura, etc..
  • Além disso, graças à área parietal, podemos entender a natureza dos números. Sua relação com as competências matemáticas é, portanto, muito relevante.

Lobo occipital

Entre os 4 lobos cerebrais, o occipital é o menor, e ao mesmo tempo o mais interessante. Está localizado perto da nuca e não executa uma função específica. É quase como aquela rota de passagem pela qual a maioria dos nossos processos mentais se organizam e se conectam.

  • Participa nos processos de percepção e reconhecimento visual. 
  • O lobo occipital também tem uma importância fundamental em tudo relacionado ao nosso sentido da visão. De fato, seu córtex integra várias áreas visuais, como a que detecta os padrões, processa essa informação e a envia para outras áreas do cérebro.
  • Nos ajuda a diferenciar as cores.
  • Também participa da elaboração de emoções e pensamentos.

Lobos temporais

Anexados quase nas têmporas e em ambos os lados do nosso cérebro, estão os lobos que também regulam um grande número de processos. Como vimos até agora, é muito complicado associar cada uma dessas estruturas a uma única função especializada. Todas dependem umas das outras, todas estão conectadas e favorecem a harmonia perfeita na qual os lobos temporais também desempenham tarefas essenciais:

  • Nos ajuda a reconhecer rostos.
  • Também estão relacionados à articulação da linguagem e à compreensão dos sons, das vozes e da música.
  • Facilita o equilíbrio.
  • Participa da regulação das emoções, como a motivação, a raiva, a ansiedade, o prazer… 

A ínsula lobular

Falamos ao longo do artigo que nosso cérebro está organizado em quatro lobos. Do ponto de vista neuroanatômico, existem muitos estudos que falam sobre uma quinta região. Falamos da ínsula, um lobo oculto logo abaixo dos lobos temporal, frontal e parietal. É uma área muito recôndita e de acesso complexo localizada entre vários vasos sanguíneos e artérias.

Suas funções não são conhecidas com exatidão. Entretanto, diferentes processos e alterações têm sido observados em pacientes com epilepsia e que apresentam diferentes danos nessa estrutura. Ela participaria, por exemplo, do sentido do paladar, do controle visceral e da somato-percepção, e também estaria relacionada com nossos processos emocionais ao integrar o sistema límbico.

Funções dos lobos cerebrais

Para concluir, como podemos ver, os lobos cerebrais constituem um mapa fascinante de processos e conexões onde é muito difícil estabelecer limites funcionais. Talvez, de todos, o mais interessante seja o lobo frontal, por se encarregar das funções executivas que supõem, sem dúvida, um avanço em nossa espécie. Na verdade, nele são baseados processos tão importantes como o planejamento ou o controle de estímulos. Seja como for, há algo que também não podemos esquecer: nosso cérebro segue evoluindo…