Luís XIV: a biografia do Rei Sol

março 28, 2019
Luís XIV, também conhecido como o Rei Sol, foi um dos grandes monarcas franceses. Soldado e diplomata, ele levou a França a uma prosperidade econômica sem precedentes.

Luís XIV era filho do rei francês Luís XIII e sua esposa, a rainha Ana da Áustria. Luís XIII e Ana tentaram ter um filho durante muitos anos, até que finalmente ele nasceu em 14 de maio de 1643 e foi batizado como Louis-Dieudonné. Este nascimento era tão esperado que foi considerado uma bênção, daí a escolha do seu segundo nome que, em francês, significa “presente de Deus”.

Assim como os heróis lendários e literários, cujo heroísmo seria ‘ab initio’, isto é, desde o momento do seu nascimento, Luís XIV cresceu completamente seguro de que a sua existência era um dom divino para o mundo. Essa crença se tornaria especialmente evidente no futuro, quando o jovem Luís XIV passou a acreditar que quem quer que desobedecesse ao rei estava desobedecendo a Deus. Assim, as suas ordens eram consideradas ordens divinas.

Ao longo dos anos, Luís XIV seria conhecido pelo apelido de Rei Sol e, sem dúvida, ficou na história como um dos reis mais emblemáticos. Quais foram as chaves do seu reinado? A sua crença sobre a divindade da sua origem influenciou a sua política? Neste artigo falaremos sobre o rei francês que incorporou em si mesmo os valores do absolutismo monárquico.

A morte de Luís XIV

Uma infância turbulenta

Com apenas quatro anos e oito meses, Luís XIV chegou ao trono da França. O rei criança se torna a partir deste momento, de acordo com as leis francesas da época, o proprietário e senhor dos corpos e propriedades de 19 milhões de indivíduos.

É claro que, nessa idade, Luís era jovem demais para ter acesso ao trono e, consequentemente, a sua mãe atuava como regente. Ana da Áustria, a rainha-mãe, atribuiu ao cardeal Jules Mazarin, como primeiro-ministro, a responsabilidade de supervisionar as decisões do governo enquanto Luís XIV não atingisse a maioridade.

Enquanto crescia, a educação do jovem monarca se concentrava na política e economia. Durante a sua infância, ele sofreu um acidente que quase lhe custou a vida; o pequeno Luís XIV esteve prestes a se afogar. A sua mãe foi culpada por não ser uma mãe responsável ou por não ter sido atenciosa o suficiente. No entanto, o fato é que Luís XIV possuía inúmeros adversários desde a infância. Não é surpresa para ninguém que existiam pessoas que não queriam que Luís alcançasse a maioridade. 

Quando Luís XIV tinha 9 anos, os nobres que compunham o parlamento francês se rebelaram contra a Coroa e o primeiro-ministro Mazarin. Este foi o início de uma longa guerra civil conhecida como A Fronda. Durante este período, Luís XIV sofreu humilhações, pobreza, medo, frio e fome.

O conflito

Esta guerra marcou o caráter do monarca e transformou a sua maneira de pensar e agir. É claro que não poderia ser diferente com uma criança que crescera acreditando ser a representante de Deus na Terra. Assim, Luís XIV nunca perdoou Paris, os nobres ou as pessoas que os apoiavam.

Dessa forma, Mazarin venceu o conflito e iniciou uma reforma econômica e administrativa que Luís XIV terminaria durante o seu mandato. Luis admirava muito o cardeal e, mesmo quando atingiu a maioridade, não o demitiu da sua posição de primeiro-ministro.

Luis foi treinado como diplomata, mas também como soldado. Ele entendia perfeitamente as engrenagens políticas do momento. Por essa razão, Luís XIV concordou em se casar com a filha do rei da Espanha, em vez de se casar com a mulher que ele amava. Foi um casamento arranjado, cuja finalidade era preservar a paz entre a França e a Espanha e aumentar o poder francês na Europa.

Pintura do rei Luís XIV

O começo do seu reinado: a França depois de Mazarin

Após a morte de Mazarin, Luís XIV assumiu todas as responsabilidades governamentais. Essa decisão surpreendeu os seus conselheiros e toda a nobreza, porque a tradição indicava que o rei era uma figura meramente social. Mas Luís tinha certeza da sua natureza e, como consequência, defendia profundamente a sua figura como governante absoluto. Sem aceitar qualquer tipo de sugestão, Luís XIV estabeleceu em seu país um regime que sobreviveria por séculos em grande parte da Europa.

Durante 54 anos, Luís XIV dedicou 10 horas por dia à organização do reino. Nenhum detalhe era muito pequeno, nenhuma tarefa foi delegada. Luís controlava tudo, a França girava em torno do rei. Não é de se surpreender que em muito pouco tempo Luís XIV tenha se tornado conhecido como o Rei Sol.

O rei sabia que a maior fraqueza do seu reinado era a nobreza, que poderia facilmente se revoltar como no tempo da Fronda. Por essa razão, Luís XIV atraiu toda a nobreza para Versalhes, o grande palácio nos arredores de Paris. Todos os membros da nobreza viviam lá, em busca do apoio do rei.

Dessa maneira, Luís XIV controlava uma longa rede de espiões e informantes que o mantinha a par dos planos da nobreza contra a coroa. Assim, o rei poderia antecipar e evitar qualquer incidente.

Versalhes foi o epítome do governo centralizado, e permaneceu como um farol da cultura e erudição por muitas décadas.

Luís XIV: soldado e mecenas

Luís XIV foi um grande patrono das artes. Ele se tornou o protetor dos grandes literatos, como Molière, o influente dramaturgo. Criou a Academia de Belas Artes e a Academia Real de Música e foi o principal patrocinador do Observatório de Paris.

Dessa forma, Luís XIV foi o protetor dos mais importantes artistas franceses. Esses artistas cantavam, atuavam e pintavam para o palácio de Versalhes. Os jardins de Versalhes foram a maior obra ao ar livre de todo o território francês. No entanto, apesar da grandeza do rei e do seu palácio, a monarquia estava cada vez mais isolada das pessoas e da arte. Consequentemente, a família real ficava relegada à vida do palácio.

A França era uma nação autossuficiente, mas o seu rei continuava sendo um soldado em seu coração. Luís XIV decidiu invadir a Holanda e recuperar o território em uma missão que não foi lucrativa para a França. Logo depois, a França entraria em guerra contra a Grande Aliança, um grupo formado pela Espanha, Inglaterra e o Sacro Império Romano-Germânico.

Embora a França não tenha perdido muito território, no final da guerra os seus recursos econômicos estavam esgotados. Luís XIV deixara de ser o rei de uma nação abastada, para ser o rei de uma nação atolada na pobreza, fraca e miserável.

Luís XIV morreu alguns dias antes de completar 77 anos, algo totalmente incomum, sendo um dos reis mais longevos do seu tempo. Após a sua morte, e de alguma forma continuando a inesperada tradição, o trono passou para o último filho do duque de Borgonha, que na época tinha apenas 5 anos de idade.

Conclusão

Luís XIV foi um grande rei, que é admirado pelas suas contribuições à cultura, mas que se tornou o homem que melhor representou o absolutismo. Um exemplo de homem que acreditou profundamente nos valores do Antigo Regime. Além disso, acreditava na ideia de que o seu destino e a sua própria natureza foram marcados desde o momento do seu nascimento.

Um rei que, sem dúvida, conseguiu dar esplendor à sua nação, mas também a mergulhou na pobreza. O Rei Sol foi e continuará sendo um personagem icônico da história da França.

  • Lossky, A. (1994) Luis XIV y la monarquía Francesa. Nueva Jersey: Rutgers University.