O medo de falar o que pensamos: a armadilha de negar a si mesmo

Você tem medo de falar o que pensa? Quer saber por que isso acontece e como superar este problema? Descubra a seguir!
O medo de falar o que pensamos: a armadilha de negar a si mesmo

Última atualização: 28 Setembro, 2021

Por que costumamos ter medo de falar o que pensamos? Você prefere ficar em silêncio a falar abertamente? Você sente que não sabe como superar isso? Acredite ou não, esse medo é bastante comum e tem muito a ver com a baixa autoestima, insegurança e falta de assertividade.

Agora, como combatê-lo? A seguir, tentaremos responder a essas perguntas e propor algumas chaves para que esse medo deixe de ser o protagonista principal nas suas relações com os outros.

O medo de falar o que pensamos

O medo de falar o que pensamos é explicado por várias causas, como falta de autoestima, pouca assertividade, falta de autoconfiança, etc. Porém, a seguir, daremos uma ênfase especial à assertividade, pois é um dos conceitos-chave para entender o medo de nos expressarmos.

Homem de óculos nervoso

Falta de assertividade?

A assertividade foi definida pela primeira vez na década de 1940. O psicólogo Andrew Salter definiu a assertividade como a capacidade de expressar opiniões e desejos pessoais. Na verdade, Salter constatou em sua pesquisa que praticamente todos podem ser assertivos, o que acontece é que não fazemos isso nas mesmas situações.

Como podemos ver, a assertividade tem muito a ver com o medo de dizer o que pensamos. Quanto mais assertivos somos, menos medo temos de nos expressar livremente. Além disso, ao longo do tempo, Salter acrescentou que ser assertivo também significava defender nossos direitos de forma respeitosa, honesta e sincera.

O melhor de tudo é que podemos desenvolver essa habilidade. Portanto, se trabalharmos nisso, o medo de dizer o que pensamos será reduzido.

Além disso, existe uma pequena técnica do Professor Craig Malkin, da Universidade de Harvard, que permite que você seja mais assertivo. Trata-se de usar a seguinte estrutura de comunicação:

“Eu sinto A (sentimento), quando faço B (ação). Eu me sentiria melhor se C (pedido)”.

Por que isso acontece?

Atualmente, existem diferentes explicações por trás do medo de dizer o que pensamos. Estas são algumas das mais comuns:

Sentir que seremos rejeitados

Muitas vezes não dizemos o que pensamos por medo da rejeição. Um estudo da Universidade de Michigan revelou que nosso corpo produz os mesmos compostos químicos quando sofremos rejeição social e quando recebemos uma pancada física. Quer dizer, a rejeição também dói.

A realidade é que, se continuarmos nessa linha por muito tempo, acabaremos deixando de ser nós mesmos. Não podemos depender da opinião ou aprovação dos outros para sermos felizes, por isso é muito importante trabalhar a autoestima e a assertividade.

Acreditar que o que pensamos não tem valor

Outra possível causa por trás desse medo é a (falsa) crença de que o que pensamos não tem valor, ou não contribui com nada de útil ou importante. Em grande parte, isso também tem a ver com autoestima e autoconfiança.

É claro que muitas vezes o que pensamos não será nada novo, ou até mesmo nada “relevante”. No entanto, não devemos subestimar ou menosprezar, porque o que pensamos sempre tem valor por ser único.

Pensar que vamos fazer papel de bobo

O medo de dizer o que pensamos também pode ser devido ao medo de fazer papel de bobo, pela (falsa) convicção de que isso vai acontecer.

O senso de ridículo é uma faca de dois gumes. Por um lado, evita que você seja prejudicado em uma situação, mas, por outro, pode ser paralisante, especialmente quando você é tímido e inseguro.

Portanto, perguntar-se o que significa fazer papel de bobo, o que aconteceria se o fizesse, e imaginar se seria tão sério assim é um bom exercício de reflexão. Este é um pequeno truque para relativizar, desdramatizar e, enfim, ver que nada é tão sério ou importante (nem mesmo fazer papel de bobo!).

“É preciso coragem para fazer papel de bobo.”
-Charlie Chaplin-

Como superar o medo de falar o que pensamos?

É possível superar o medo de falar o que pensamos? Claro! Embora cada pessoa consiga isso à sua maneira, aqui estão algumas diretrizes gerais para começar a trabalhar nisso:

  • Comece com situações fáceis: você pode começar dizendo o que pensa sobre pessoas em quem você tem muita confiança e sobre tópicos que não são especialmente conflitantes ou delicados. Aos poucos, você poderá “assumir” situações mais difíceis.
  • Confie em você: parece fácil, não é? Sabemos que não, então é algo que você deve trabalhar aos poucos, através da psicoterapia, por exemplo. A autoconfiança será a chave para reduzir o medo de falar o que pensamos.
  • Analise a forma como você se sente: depois de tentar dizer o que pensa em situações fáceis (que aumentarão em dificuldade), pergunte-se como se sentiu e escreva. Refletir sobre essas emoções irá ajudá-lo a se conhecer melhor e detectar possíveis medos,
Amigos falando e se divertindo

O caminho para ser você mesmo

Superar o medo de falar o que pensamos é uma porta aberta no caminho para sermos nós mesmos.

Expressar sua própria opinião é um sinal de honestidade e até o torna mais atraente (nos dá veracidade). O segredo é trabalhar com assertividade e deixar claro que a nossa contribuição sempre é importante.

Logicamente, se queremos contribuir com algo realmente valioso, não basta apenas dizer tudo o que vem à mente, mas formar uma opinião crítica sobre as coisas e fazer uma introspecção quando necessário. Nesse sentido, é importante cuidarmos da nossa linguagem.

Nem se trata de ser “abertamente sincero” e deixar escapar tudo e todos. Na verdade, a assertividade é precisamente a capacidade de ser honesto de maneira respeitosa. Além disso, podemos dizer o que pensamos de muitas maneiras, e a maneira como fazemos isso será importante, pois influenciará a reação do receptor à mensagem.

“Você não precisa agradar a todos, nem todo mundo tem bom gosto.”
-Anônimo-

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Às vezes nos calamos por medo da reação dos outros, por medo de mostrar o que sentimos, mas no fim das contas, quem se sente mal somos nós mesmos.



  • Castanyer, O. (1996). La asertividad. Expresión de una sana autoestima. Bilbao: Descleé de Brouwer, pp: 348.
  • Goleman, D. (2006). Inteligencia social, Barcelona, Kairós.
  • Naranjo Pereira, María Luisa (2008). Relaciones interpersonales adecuadas mediante una comunicación y conducta asertivas. Revista Electrónica “Actualidades Investigativas en Educación”, 8 (1), 1-27. [Fecha de Consulta 25 de Julio de 2021]. ISSN:. Disponible en: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=44780111
  • Romi Arellano, M.J. (2003). Cuando digo no, me siento culpable. Nuevas ediciones de bolsillo.