Como os meios de comunicação podem nos manipular

· fevereiro 18, 2017

As notícias que vemos na televisão, nos jornais, na Internet e nos meios de comunicação em geral, podem mudar a nossa opinião. Além disso, muitas notícias são criadas ou contadas de uma determinada maneira com a finalidade de nos dizer “em que e como devemos pensar”. Você quer saber como eles conseguem esse controle sobre a nossa mente?

Dizem que se algo não é notícia, não aconteceu. Um exemplo disso é a guerra deflagrada em 1994 em Ruanda. As duas etnias que conviviam nesse território começaram um massacre tão violento que foi chamado de genocídio: 75% dos membros da etnia Tutsi foram massacrados. Isto ocorreu devido à nomeação de membros da etnia Hutu como governadores.

Durante a primeira semana do genocídio nenhuma potência europeia se mobilizou. Nenhuma notícia apareceu na imprensa, portanto, ninguém se importou com a matança que estava acontecendo. Na segunda semana, os meios de comunicação começaram a relatar os acontecimentos em seus noticiários. Em consequência disso, alguns países europeus começaram a enviar ajuda para deter o massacre.

Mesmo assim, devido à falta de imagens sobre o que aconteceu em Ruanda, as notícias não foram tão impactantes quanto a realidade, de forma que a repercussão popular foi mínima. As nossas emoções não estavam envolvidas, por isso não damos muita atenção.

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O que nós temos que pensar?

Como já comentamos, se não temos informações sobre os fatos, não saberemos o que aconteceu. Portanto, os meios de comunicação nos dizem “no que pensar”, apesar de não estarmos sempre pensando em todas as notícias que lemos.

Nós prestamos mais atenção naquelas notícias que despertam o nosso interesse. Normalmente, as notícias que despertam o medo nas pessoas são aquelas que chamam mais a atenção. Um exemplo disso são as notícias que se referem a uma ameaça, como um vírus que está se espalhando pela nossa cidade ou vários assaltos no nosso bairro.

Provavelmente, a notícia sobre Ruanda vai fazê-lo refletir sobre o que aconteceu lá, mas é um fato antigo e a sua repercussão será mínima. A maioria das pessoas não vai prestar atenção e se preocupar com isso.

Como devemos pensar?

Pensaremos nas notícias que nos interessam, sejam pelo assunto ou relevância, e naquelas sobre as quais já temos uma opinião formada com base em conhecimentos anteriores, ou naquelas que temos imediatamente à nossa disposição. A informação atual é avaliada e comparada com a nossa opinião anterior. Se não tivermos uma opinião firme ou se temos dúvidas a respeito do assunto, mudaremos a nossa forma de pensar.

Se alguém tinha uma opinião formada sobre o que aconteceu em Ruanda, a notícia não mudará a sua opinião. Mas se ela não sabia nada sobre Ruanda ou tinha uma vaga ideia sobre o que aconteceu, a notícia vai induzi-la a pensar de uma determinada maneira.

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O papel dos heurísticos

Os heurísticos são regras simples e de fácil utilização que usamos para interpretar o mundo. No nosso caso, servem para interpretar as notícias. Quando a notícia é relevante, a informação é processada por uma via central e, como já dissemos anteriormente, comparada com a nossa opinião anterior.

Pelo contrário, quando a opinião não é relevante, a informação é processada por uma via periférica. Nestes casos, os heurísticos entram em jogo e a nossa opinião sobre o fato dependerá das chaves periféricas que as notícias possuem.

O fato de considerarmos a fonte da notícia confiável e a confiabilidade atribuída ao escritor fará com que acreditemos na informação. Se os leitores não confiam no narrador do fato, não vão acreditar ou ficarão em dúvida.

A notícia foi escrita com termos como guerra, genocídio e massacre. Essas chaves despertam emoções negativas quando pensamos na notícia e fazem com que tenhamos uma péssima imagem da etnia Hutu. A carga negativa não seria tão forte se tivessem utilizado o termo “conflito” em vez de “guerra”.

Como foi noticiada a porcentagem dos mortos, o impacto foi maior e a notícia parece mais negativa. Se tivessem escrito um número determinado de pessoas sem comparar com o total, haveria menos impacto. O fato de relatar o gatilho do genocídio fará com que os Hutus sejam considerados culpados; talvez se tivessem escrito que eles foram nomeados governadores pelos europeus, a culpa fosse atribuída mais a eles do que aos Hutus.

Cada palavra de uma notícia é muito importante e terá diferentes repercussões, dependendo da atenção e do conhecimento anterior que temos. A capacidade de persuasão das notícias pode ser muito forte se não estivermos conscientes desses processos mentais. Por outro lado, estarmos conscientes não impedirá que os meios de comunicação tentem exercer um controle sobre nós, mas nos permitirá intervir nesse processo.