Alexander Luria: conheça as 6 melhores frases deste neuropsicólogo

As 6 melhores frases de Alexander Luria

Maio 11, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Alexander Luria: conheça as 6 melhores frases deste neuropsicólogo

Nascido em 1902 na cidade de Kazan (Russia), Alexander Luria é considerado o pai da neuropsicologia moderna. Suas pesquisas se converteram em um dos pilares deste ramo fundamental da psicologia, para a qual o cérebro é a fonte do comportamento. Com as citações de Luria, nos aproximamos de sua autobiografia e das suas principais contribuições.

Luria cresceu no seio de uma família judaica que dava extrema importância ao multilinguismo. Ele e sua irmã dominavam o alemão, o francês, e também o inglês, além do russo, é claro, sua língua maternaEle chegou a participar de mais de 300 publicações científicas, entre as que mais se destacaram “Funções corticais do homem”, “Cérebro e o processo psicológico”, “O homem e seu mundo conflituoso”, “Desenvolvimento cognitivo” e “Neuropsicologia da memória”.

Educação multicultural, formação multidisciplinar

O histórico acadêmico de Luria é bastante curioso. Quando tinha somente 7 anos de idade, o início da Revolução Russa interrompeu sua formação. Influenciado pela figura de seu pai, um conhecido professor e gastroenterologista, ingressou na universidade com apenas 16 anos de idade. A frase a seguir pertence à sua obra autobiográfica “Olhando para trás”, de 1979. Constitui uma reflexão sobre a precocidade de seu interesse pela mente e também pela psicologia.

“É difícil saber o motivo de minha escolha pela psicologia como a área de minha atividade profissional”.
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Alexander Luria

A hierarquia flexível de Alexander Luria

Longe de considerar a mente como fragmentada, Alexander Luria e seu professor Lev Vygotski consideram o cérebro como um todo, em que são priorizadas as associações entre suas partes e onde as funções cerebrais não se encontram isoladas ou mesmo alojadas em regiões determinadas e fechadas. Essas ideias são radicalmente opostas às de outros importantes pesquisadores, como Paul Broca ou Karl Wernicke, partidários da localização de determinadas funções em áreas concretas.

O debate sobre a localização ou não das funções cerebrais durou décadas. Hoje em dia, aceita-se uma opção de meio-termo entre ambas as posturas: o cérebro funciona como um sistema interligado, porém, também é possível identificar determinadas partes como encarregadas de determinados processos. Por exemplo, a área de Broca poderia ser associada diretamente com a expressão da linguagem. Outra das frases de Alexander Luria que resume perfeitamente a paixão que sentia pelo funcionamento do cérebro é a seguinte:

“Falar é um milagre.”
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Para este neuropsicólogo, o cérebro está organizado em 3 níveis: primário, secundário e terciário. Em cada um deles existem regiões que, através de um sistema de conexões neuronais, se encarregam de determinadas funções:

  • Vigília, memória primária e a homeostase interna: tronco encefálico (ou tronco cerebral), hipotálamo e sistema límbico.
  • Armazenamento e processamento da informação: lobo temporal, occipital e parietal.
  • Mobilidade e programação comportamental: lobo frontal.
“Nossa missão não é ‘localizar’ os processos psicológicos superiores do homem em áreas limitadas do córtex, mas sim verificar, mediante uma cuidadosa análise, que grupos de zonas de trabalho do nosso cérebro são as responsáveis pela execução da complexa atividade mental.”
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Em conjunto, esses três níveis constituem um sistema funcional interconectado. Nele, as funções superiores dependem de várias áreas cerebrais e trabalham de maneira coordenada.

Cérebro sobre fundo azul

As lesões na neuropsicologia

Diferentemente da fisiologia, a neuropsicologia não provoca ou causa lesões com fins experimentais. Em vez disso, analisa as lesões já existentes nos pacientes, ou que já tenham sido produzidas por cirurgias com fins terapêuticos. Essa quantidade de amostras e de casos está ilustrada em uma das mais célebres frases de Alexander Luria:

“As responsabilidades que tínhamos eram impressionantes, com a oportunidade de estudar um grande número de pacientes com lesões cerebrais (…). Assim, os anos de desastre nos proporcionaram a maior oportunidade no avanço da ciência.”
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As contribuições do médico russo não estão centradas somente naquelas pessoas com danos adquiridos e em seu interesse pela organização cerebral nos processos mentais. Também foi quem projetou um dos primeiros detectores de mentiras (polígrafo). Além disso, seus primeiros estudos foram dedicados à psicofisiologia do trabalho. Sempre se mostrou bastante interessado na psicanálise e pesquisou os estados afetivos humanos para o desenvolvimento de métodos de “respostas motoras conjugadas”.

«Em determinada localidade da Sibéria todos os ursos são brancos. Seu vizinho foi a essa localidade e viu um urso. De que cor ele era?»
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Este silogismo foi o ponto forte desse autor. Alexander o formulou durante uma de suas visitas a uma localidade indígena da Ásia Central. Seu objetivo era conhecer a existência de um raciocínio lógico universal. Para os mais curiosos… A resposta dada pelos habitantes locais, em geral, foi: “Como vou saber? Por que você não pergunta ao meu vizinho?”.

Mulher pensando diante de lousa

O nosso cérebro continua sendo um enigma

Desse modo, como já afirmava este neuropsicólogo há décadas, o conhecimento que se tem hoje em dia sobre o cérebro humano é relativamente pequeno se o compararmos com o que todavia nos falta por descobrir, mas muito grande se compararmos com o que sabíamos alguns anos atrás.

O certo é que falta ainda muito a ser pesquisado, apesar dos progressos e dos grandes avanços que estão se realizando. Uma das frases de Alexander Luria que reflete isso é a seguinte:

“Para poder progredir desde o estabelecimento do sintoma (perda de uma determinada função) até a localização da atividade mental correspondente, fica ainda um grande caminho a ser percorrido.”
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Assim, através das frases de Alexander Luria, muitos autores posteriores têm tido a possibilidade de retomar seu legado e se aprofundar em aspectos mais específicos, como os fundamentos neuropsicológicos da razão. Assim, as contribuições de Luria têm sido determinantes para o desenvolvimento da neuropsicologia e têm permitido uma melhor compreensão sobre o funcionamento do encéfalo e da localização de determinadas zonas cerebrais.

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