4 mitos em que a maioria das pessoas acredita

abril 27, 2020
Existem muitos mitos que a maioria das pessoas compartilha, mesmo que a ciência e a tecnologia tenham demonstrado que não correspondem à verdade. Essas pessoas repetem essas afirmações mecanicamente, sem passá-las por um filtro de críticas ou dúvidas.

Embora estejamos em pleno século XXI, em meio à era da informação, há muitas ideias que continuam sendo compartilhadas por boa parte da sociedade; são mitos muito difundidos em que a maioria das pessoas acredita.

A verdade é que o ser humano é muito crédulo e tende a pensar que se uma maioria — especialmente se estivermos falando de parentes ou do grupo ao qual ele pertence — apoia uma tese, esta é verdadeira.

O primeiro desses mitos em que a maioria das pessoas acredita é que aqueles que os disseminam não são inteligentes ou informados o suficiente. Isso não é verdade, pois até grandes cientistas, incluindo ganhadores do Prêmio Nobel, chegam a acreditar nessas mentiras. A força dessas “falsas verdades” é tão grande que, às vezes, elas convencem até o mais cético.

Tudo indica que os seres humanos são muito dedicados a se deixar levar pela intuição e pelo impacto da maioria. Além disso, gostamos de opinar sobre tudo com base no que ouvimos por aí, sem parar para analisar a validade dos dados envolvidos.

A seguir, listamos alguns desses mitos em que a maioria das pessoas acredita, apesar de serem comprovadamente falsos.

“Os mitos têm mais poder do que a realidade. A revolução como mito é a revolução definitiva”.
-Albert Camus-

4 dos mitos mais difundidos na nossa sociedade

Homem pensativo

1. Um dos hemisférios cerebrais é dominante

Um dos mitos em que a maioria das pessoas acredita é de que um dos dois hemisférios cerebrais é dominante em relação ao outro; uma predominância na regulação que determinaria grande parte da nossa personalidade. Dessa forma, dependendo do hemisfério dominante, seremos mais racionais ou emocionais, ou mais científicos ou artísticos.

A verdade é que o cérebro tem áreas especializadas, mas nenhuma delas está em concorrência com as outras pelo domínio e, finalmente, todas elas estão interconectadas e se influenciam mutuamente.

Se somos melhores em uma área do que em outra, não é porque um dos hemisférios prevalece sobre o outro, mas devido a outros fatores, como a genética, o aprendizado, as experiências, etc.

2. A inteligência é o alvo de um dos mitos mais difundidos

Este é um dos mitos em que a maioria das pessoas acredita, e dentro dessa maioria estão muitos psicólogos, pedagogos, professores, etc. Dizem que a inteligência pode ser avaliada através de testes psicométricos, quando esta ideia é, se formos rigorosos, um tanto discutível.

O especialista Julián de Zubiría ressalta que antes acreditava-se que as dimensões sócio-afetivas e práxicas, assim como os conhecimentos adquiridos, não influenciavam a inteligência. Hoje sabemos que sim, e que esses testes também não podem medir a metacognição. Zubiría destaca que “não existem testes para avaliar processos complexos em curtos períodos de tempo”.

3. O álcool destrói neurônios

Quando se trata do álcool, existem muitos mitos nos quais a maioria das pessoas acredita mas que não são verdadeiros. Por exemplo, dizem que ingerir álcool destrói os neurônios, o que não é verdade. A verdade é que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas por um longo tempo pode danificar as conexões entre os neurônios, causando atrofia e degeneração nas mesmas.

Outro mito difundido, e perigoso, diz que o álcool serve para manter o corpo quente. A verdade é que essa substância realmente gera uma sensação de calor no corpo. No entanto, seu efeito é a diminuição da temperatura corporal. Então, de fato, é perigoso beber álcool quando está muito frio.

Os efeitos do álcool na mente

4. As pessoas são desmotivadas

Outro mito bem difundido é de que se as pessoas deixam de fazer algo ou o fazem sem entusiasmo, isso se deve simplesmente à falta de motivação. A verdade é que as pessoas sempre têm motivação para fazer ou deixar de fazer. O que acontece é que, às vezes, nossa motivação não corresponde ao que devemos fazer.

Algo semelhante ocorre quando se diz que uma pessoa “não encontra sentido” na vida ou em uma atividade específica. Os seres humanos dão sentido a tudo. O que acontece é que, às vezes, esse sentido é equivocado. Assim, o que realmente acontece com uma pessoa que “não encontra sentido na vida” é que ela sente tédio, tristeza, etc.

Como você pode ver, todos esses mitos nos mostram que às vezes tomamos certas realidades como garantidas apenas porque vemos outras pessoas fazendo isso. Por esse motivo, devemos aumentar nosso senso crítico, mesmo para as hipóteses amplamente compartilhadas, e ouvir as declarações daqueles que são realmente especialistas no assunto.

Campbell, J. (2017). El poder del mito. Capítán Swing Libros.