O motor imaginário: um efeito surpreendente

O motor imaginário é uma hipótese que defende a existência de um mecanismo pelo qual uma pessoa pode fortalecer seus músculos apenas pensando neles. Hoje, falamos um pouco mais sobre este curioso fenômeno.
O motor imaginário: um efeito surpreendente

Última atualização: 05 Julho, 2021

A mente humana nunca para de nos surpreender. Desta vez, a notícia foi veiculada pela BBC e chocou o mundo. Um cientista do Reino Unido evidenciou a existência do motor imaginário, mecanismo por meio do qual fazer exercícios na mente é quase a mesma coisa que fazê-los fisicamente.

O motor imaginário é uma forma de ativar o corpo, por meio da mente, sem fazer nenhum movimento. Afinal, é o cérebro que determina o funcionamento de todo o organismo. O motor imaginário é possível justamente por causa da grande influência do cérebro sobre o restante do corpo.

Graças às novas descobertas, surgiu a hipótese de que existem fatores, como a consciência, que são determinantes no funcionamento do corpo. Foi o que defendeu o professor Tony Kay, da Universidade de Northampton (Reino Unido), em um programa da BBC.

“Eu sou um cérebro, Watson. O resto de mim é um mero apêndice”.
-Arthur Conan Doyle-

Pôr do sol no mar

O motor imaginário

A BBC tem um programa de televisão chamado “Confie em mim, eu sou médico” (Trust Me, I’m a Doctor). Eles costumam apresentar casos raros relacionados ao corpo humano e à saúde. O professor Tony Kay foi convidado a apresentar sua teoria sobre o motor imaginário, conceito que até então não havia sido discutido.

Kay afirmou que era possível “treinar” o corpo fisicamente usando a imaginação. Seria algo como pensar em fazer exercícios, e só esse fato produziria efeitos semelhantes aos do exercício real.

Para testar a sua hipótese, esse especialista em biomecânica do esporte recrutou sete voluntários. Todos eles tinham uma coisa em comum: eram sedentários. Não gostavam de fazer exercícios e se limitavam a se movimentar apenas para o que suas atividades diárias exigiam.

Uma experiência reveladora para testar o motor imaginário

Para testar sua teoria sobre o motor imaginário, a primeira coisa que o professor Kay fez foi determinar uma parte do corpo como ponto de referência. Ele decidiu usar a panturrilha. Se suas teses estivessem corretas, esta região apresentaria mudanças depois que os treinos mentais adequados fossem praticados.

O professor mediu a força da panturrilha de cada uma das pessoas voluntárias com um dinamômetro. Em seguida, ele determinou o seu tamanho usando ultrassom. Finalmente, ele estabeleceu a porcentagem real de músculo que cada voluntário usava. Para determinar essa magnitude, ele pediu que contraíssem a panturrilha o máximo possível e mediu esse movimento por meio de eletrodos.

Em seguida, os voluntários prometeram continuar com suas vidas normais, exceto por uma coisa. Todos os dias eles teriam que gastar cerca de 15 minutos pensando naquele treino de panturrilha que haviam acabado de fazer. Nada mais do que isso. Eles não precisavam mover nenhum músculo, apenas pensar em movê-lo.

Os resultados surpreendentes

Após um mês, o mesmo grupo de voluntários foi examinado novamente, com os mesmos instrumentos com os quais as medidas haviam sido feitas antes de iniciar as práticas diárias. Os resultados provaram que o professor Kay estava correto em sua teoria do motor imaginário.

Basicamente, nenhum dos voluntários apresentou aumento da musculatura envolvida no movimento. Porém, todos eles aumentaram a força das suas panturrilhas. Em média, o aumento foi de 8%. Um dos participantes atingiu quase 34% a mais de força em comparação com a medição inicial.

Além disso, no início do experimento, os participantes utilizaram o músculo em um percentual de 46,3% em média. Após um mês, esse percentual subiu para 68,8%. Ficou claro que as mudanças observáveis ​​ocorreram e que estas vieram daqueles 15 minutos de trabalho mental diário. O motor imaginário acumulou evidências que sustentavam a sua existência.

Engrenagens da mente

As razões por trás desses resultados

O professor Tony Kay explicou que os exercícios diários voltados para pensar na panturrilha tornaram os voluntários mais conscientes da composição e do movimento das fibras musculares nessa área do corpo. Isso, por sua vez, permitiu que eles as estimulassem e movessem de forma mais abrangente quando necessário na vida diária.

Essa consciência os levou a serem capazes de produzir uma maior força naquela área quando fizessem qualquer movimento com ela. O efeito é que eles foram capazes de fortalecer suas panturrilhas usando apenas o motor imaginário.

Atualmente, muitos atletas de alto rendimento usam esse tipo de técnica para melhorar seu desempenho. As descobertas também podem ser aplicadas a pessoas feridas ou que por algum motivo não podem se mover por um tempo. A teoria do motor imaginário também apóia outra hipótese: a de que, com nosso cérebro, podemos atingir objetivos que nem mesmo imaginamos.

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  • de Andrés, R. O., & Pastor, V. M. L. (2014). Un programa de cuentos motores para trabajar la motricidad en educación infantil: Resultados encontrados. La peonza: Revista de Educación Física para la paz, (9), 27-44.