Se você não gosta dos efeitos, não provoque as causas

Se você não gosta dos efeitos, não provoque as causas

25, janeiro 2017 em Psicologia 1779 Compartilhados
Se você não gosta dos efeitos, não provoque as causas

Se você quer ser ouvido, não grite comigo. Se você procura o meu respeito, primeiro me trate com consideração. Porque se você não gosta dos efeitos, não deve provocar as causas, e acredite se quiser, teremos que colher mais tarde o que plantamos hoje.

É muito provável que estas ideias nos lembrem um pouco da visão comportamental onde todo estímulo traz uma consequência associada. Não é necessário chegar a tal determinismo, mas de certa forma, todos dispomos em nosso interior de um sutil equilíbrio, onde qualquer variação ocasiona uma reação.

“Se você quer conhecer o seu presente, olhe o seu passado: porque este é o resultado. Mas se você quer conhecer o seu futuro cuide do seu presente, porque nele estará a causa”.
– Buda-

As pessoas podem acreditar ou não em coincidências. Deixar lugar para o imprevisto, ou o improvável, e a magia sempre reconforta o coração. Contudo, é preciso assumir que as “causalidades” existem e muitas vezes nos definem.

Posto que a vida é um aprendizado contínuo, precisamos nos permitir ser humildes alunos para entender que uma ação sempre traz uma consequência associada. Que as palavras têm o poder de ferir ou de curar. Que um pensamento gera um tipo de emoção e esta, por sua vez, pode nos ajudar a ver o mundo de uma forma ou de outra.

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O peso dos efeitos ou a lei das consequências

As pessoas têm um conhecimento básico e elementar sobre o relacionamento entre certas causas e seus efeitos. O mundo das máquinas e da engenharia, por exemplo, nos proporciona sem dúvida um aprendizado muito ilustrativo sobre o tema. Se eu aperto este botão o meu computador liga, se aperto o freio do meu carro, este me salvará de diversos acidentes.

No entanto, o comportamento do ser humano é muito mais complexo. Não temos botões nem mesmo manuais de instruções. De fato, às vezes inclusive interagindo do mesmo jeito com duas pessoas os efeitos podem ser muito diferentes. As pessoas são tão maravilhosas quanto complicadas, dispomos de uma delicada amálgama de emoções, afetos e valores que criam diversas reações diante dos mesmos estímulos.

Por outro lado, a chamada “lei de causa e efeito” ou de consequências nos ensina pilares muito básicos sobre o mundo dos relacionamentos humanos que vale a pena considerar:

  • Cada ação, pensamento ou intenção é como um bumerangue. Cedo ou tarde esse comportamento, essa palavra lançada ao acaso sobre alguém, volta sobre nós com um determinado efeito. É preciso levar isto em consideração.
  • O que sofremos hoje, o que hoje nos prende a este presente complexo, está vinculado com uma causa que precisamos buscar em nosso próprio passado.
  • Longe de ver tudo isto como uma espécie de determinismo implícito, precisamos reconhecê-lo do jeito que é. Somos criaturas livres e poderosas capazes de escolher o que fazer, o que dizer e o que pensar em cada momento.

É, portanto, responsabilidade de cada um procurar prever quais efeitos podem ter cada um de nossos atos: precisamos refletir mais, ser mais intuitivos.

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Cuide dos seus gestos, cuide das suas palavras, cuide dos seus pensamentos

As pessoas não são unicamente aquilo que fazem ou dizem: são acima de tudo aquilo que pensam. É desta forma que delimitamos nossa realidade para lhe dar forma, corpo e essência. Se os seus pensamentos estão habitados pelo medo ou pelo “eu não posso” ou “eu não mereço”, seus entornos não serão mais que caminhos cheios de pântanos e alambrados a evitar todos os dias.

O tema das causas e dos efeitos afeta a todos que nos rodeiam. Mas, acima de tudo, implica a nós mesmos como agentes criativos, como seres com verdadeiro poder, capazes de moldar a sua própria realidade. A seguir, explicamos como colocar isto em prática da forma mais saudável e enriquecedora possível.

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Cuidar das causas para conseguir efeitos mais autênticos

Todos nós poderíamos ter vidas mais dignas e felizes se nos preocupássemos um pouco mais com nossas atitudes, com cuidar de nossas palavras sem necessidade de ferir ou incomodar, tanto a nós mesmos quanto aos outros. A lei de causa e efeito nos lembra que tudo que fazemos, dizemos ou pensamos cria um impacto, tanto em nós mesmos como em quem nos rodeia.

De alguma forma se cumpre aquilo que Galileu Galilei disse certa vez: “Todas as coisas estão ligadas por fios invisíveis. Não é possível arrancar uma flor sem incomodar uma estrela”. Vejamos agora como criar efeitos mais saudáveis, mais dignos e enriquecedores para todos.

  • Se geramos boas ações, colhemos bons resultados. Mas não fique obcecado esperando que os outros reconheçam sempre os seus bons gestos. Quem mais deve se interessar em agir com bondade, com respeito e nobreza é você.
  • Os desejos criam intenções, e as intenções, por sua vez, dão forma a muitos de nossos gestos. Assim, procure que seus desejos tanto para si mesmo como para os outros sejam enriquecedores, positivos e construtivos.
  • Outro aspecto a considerar são os mecanismos automáticos. Vivemos grande parte do nosso cotidiano de forma automática, nos deixando levar. Tudo isso faz com que estejamos desligados do nosso mundo interior e inclusive das nossas emoções.

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Vá mais devagar, detenha o ritmo. Cada vez que você for pronunciar uma palavra, analise primeiro que efeitos pode causar. Pare e desligue esse barulho mental habitado por atitudes limitantes e inseguranças. Reformule seus pensamentos com novas energias, forças e afetos para conseguir que a sua realidade também mude.

Às vezes, as coisas menores dão forma a grandes universos de felicidade, e tudo, absolutamente tudo, pode começar com um simples pensamento.
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