Não importa o que eu fui um dia, mas o que podemos nos tornar juntos

Não importa o que eu fui um dia, mas o que podemos nos tornar juntos

novembro 8, 2016 em Emoções 2 Compartilhados
Não importa o que eu fui um dia, mas o que podemos nos tornar juntos

Por que importa o que eu fui um dia se você me conheceu agora? Por que importa se eu falhei, se me desconstruí inteira para me construir sozinha e agora você se deparou com isso, sem eu pedir que você valorize ou aplauda, só que desfrute junto de mim. Não importa tanto o que eu fui, mas o que podemos nos tornar juntos.

Certamente ambos tivemos a sensação de ter desperdiçado beijos, abraços e tempo quando nos encontramos. Eles ficam diluídos no tempo e suspensos no ar, nos enchendo de sabedoria e perspectiva, mas já não vivem mais em nós. Eles partiram para ajudar, talvez, outras pessoas no seu crescimento emocional. Agora continuamos crescendo, avançando, errando, mas de outra forma, com outras histórias.

Partimos de uma história para fazer outra juntos

Cada um no seu caminho, sem pisar nem acelerar nosso ritmo, mas sabendo que se derraparmos, não vamos cair em nenhuma inclinação sem que ao menos um de nós tente evitar isso. Se não pensarmos e agirmos assim, de que serviria estar juntos?

Porque ninguém salvou a ninguém nem o fará, mas o carinho companheiro e a paixão que sentimos nos dão a força para que o final de cada dia seja uma espécie de salvação, uma heróica aposta em conjunto. Não sei se acredito no amor romântico, o que às vezes me contaram é o que me machucou. Agora só acredito no que me faz sentir bem.

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Eu poderia explicar muitas coisas que eu fiz ou que eu fui um dia, mas se houver a necessidade disso, nunca o faria. Não há necessidade de tantas explicações quando existem razões para estarmos juntos, razões de peso, as quais fazem você abrir os olhos com expectativas e o envolvem de mistério em cada pensamento que a pessoa com quem você está evoca, que é por quem você os sente.

Porque é possível estar de muitas formas, mas é possível amar de muito poucas. Então, eu não sinto a necessidade urgente de regularizar nenhum estado civil. Não estou nesta fase, não quero regularizar nada, quero andar no ritmo da vida e não das imposições de fora. Quero brotar, sentir paixão por viver tudo isso, e não a necessidade de que os outros vejam. Meu amor não é um culto ao ego.

E o que dizer sobre você?

Eu vou falar sobre você, sobre o que me interessa. Sobre o que realmente importa. Não sei a cronologia exata da sua vida, mas me interessa saber em qual lado da cama você gosta de dormir ou o que acontece na minha cabeça para que a razão passe longe diante da sensação de ver você feliz e saber que eu tenho algo a ver com isso.

Poderíamos dizer tantas coisas que já fomos, mas na verdade tudo iria ser arruinado. Quando você sente mais interesse em contemplar os olhos que o admiram do que em se preocupar com o número de vezes que essa pessoa fez isso no passado, você não está cego, nem  absorto. Você está apaixonado e isso é um bom sinal do meu passado. O que me levou a estar com você. Eu não nasci nem vivi para encontrá-lo, mas aconteceu e eu me sinto feliz por estarmos juntos.

O que esperamos de nós, sem saber tudo o que fomos

O que se pode esperar de um parceiro que não conhece a fundo tudo o que a outra pessoa fez no seu passado? É o que dizem as pessoas que entendem que o amor deve ser como uma entrevista de emprego, e os sentimentos como os ingredientes necessários para que saia o correto para se alimentar.

Nós sabemos o que precisamos saber um sobre o outro. Se a sua bondade me surpreende não é porque você concordou em responder algumas perguntas em um polígrafo. Se você me surpreende é porque não me levanto com contos, me levanto sabendo que tenho uma história. Algo que reside no mistério de desvendar sua alma sem que me implique retirar a poeira de toda a sua vida passada, isso só traz germes.

O que importa, acima de tudo, é que também seja importante para você o que temos juntos. Que você apoie as minhas decisões não porque lhe parecem bem, mas porque você sabe que elas me fazem feliz. Que você se importe com o que eu faço não porque você queira controlar, mas porque você quer me entender melhor. Que você se preocupe em falar, às vezes em discutir, porque você dá valor a não ter que chegar a brigar.

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Você não é um amor idílico, não é um príncipe e eu a sua princesa, que se encontraram em plena puberdade tocados por uma varinha mágica. Nós somos um casal que constrói porque já conhece uma razão pela qual se deve curar, que é amar. Conheço de você o que sempre quis e sonhei, que não era uma história perfeita, não era um amor perfeito com trajetórias imaculadas.

Queria uma amor sereno, mas ao mesmo tempo imponente, algo desalinhado, desafiante, que não seja perigoso, inspirador, mas não cheio de intrigas insolúveis. Não preciso saber mais nada sobre você porque já me sinto superada com o que já sei.

Com o que sei no agora e com o que penso no nosso futuro, já tenho bastantes emoções para gerir, entender e desfrutar. Se estamos neste mesmo ponto, o que se pode esperar de nós? Suponho que o tudo e o nada ao mesmo tempo é o encanto de perder o explícito para conseguir o sincero.

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