Não vou mudar por você, vou crescer com você

Não vou mudar por você, vou crescer com você

abril 18, 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
Vou crescer com você
“Não vou mudar por você, vou crescer com você”
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É possível que esta frase surpreenda algumas pessoas. São muitos os que concebem e aceitam que construir e manter um relacionamento exige por parte de algum dos dois ter que renunciar a determinadas coisas da sua vida. E ainda mais, “para nos adaptarmos” ao temperamento do nosso parceiro, temos que mudar certos aspectos pessoais.

Não vamos negar que ser um casal e manter um relacionamento estável e duradouro exige, muitas vezes, ter que renunciar a algumas coisas. Não obstante, tudo tem um limite. Desde o momento em que nos vemos obrigados a mudar, estamos perdendo algo do nosso ser, um vazio se está abrindo.

Se mudo os meus valores, os meus gostos ou o meu temperamento por você, estou deixando de ser eu mesmo/a. A pessoa que você diz amar será então uma falsa miragem sua, sem fundo e sem forma.
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Se há um princípio claro e indiscutível na hora de manter um relacionamento é que nunca devemos permitir que os nossos direitos, os nossos valores sejam vulnerados. Aquilo que nos define. E ainda mais, você também não deve exigir que a pessoa que você ama “mude” por você, que se ajuste às suas necessidades.

Algo assim seria, na realidade, uma chantagem emocional injustificada. Vejamos com mais detalhes.

Crescimento individual e crescimento do casal

Devemos começar esclarecendo algo essencial: os relacionamentos não são entidades fixas e imutáveis. Ninguém é alheio a tudo o que nos rodeia, às relações sociais paralelas, ao contexto laboral, à família, às necessidades pessoais…

O casal como tal está inscrito em um processo de mudança contínuo, onde é necessário atualizar os vínculos de acordo com as novas situações e com os anos. Existe, portanto, um “nós”, enfrentando às vezes um “eu”.
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Um dos problemas mais comuns que temos que enfrentar é a necessidade de harmonizar o crescimento pessoal com o crescimento do casal. Em um relacionamento saudável e feliz, ambas as esferas estão unidas e interconectadas. De que forma? Cada um dos membros respeita, compreende e favorece que a pessoa possa dispor dos seus próprios espaços pessoais para cultivar-se, para crescer e ser ela mesma.

Poderíamos dizer que este processo é na verdade um curioso paradoxo, visto que ao mesmo tempo em que trabalhamos dia a dia para ser uma unidade em harmonia, compromisso e intimidade, na verdade nos permitimos também seguir sendo duas entidades independentes, capazes de enriquecer-se em sua individualidade para, por sua vez, aportar essa sabedoria e essa felicidade interior ao casal.

Trata-se de fomentar o crescimento individual de cada um dos membros do casal, sabendo que com isso propiciamos o equilíbrio interno, a autoestima e a satisfação pessoal para que tudo isso se reverta no próprio “arco familiar” do casal.

De nada serve obrigar que a pessoa que amamos mude. Se eu, por exemplo, peço-lhe que seja menos extrovertido/a, que se envolva menos em matérias sociais tentando que com isso passe mais tempo em casa do que fora, o que estarei fazendo na verdade é alimentar a sua frustração e vulnerar os seus interesses.

De que me serve então causar a sua infelicidade mediante o meu egoísmo? Ninguém pode mudar à “força” para se encaixar nos seus vazios ou nas suas lascas. Trata-se de construir, de crescer e avançar. Nunca vetar.
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Encontro a mim mesmo ao crescer com você

O amor maduro é a base dos relacionamentos saudáveis. É um amor consciente capaz de respeitar e amar o outro como ele é, sem ter em nenhum momento vontade de obrigá-lo a mudar. Talvez devêssemos conscientizar-nos também da necessidade de desenvolver relacionamentos onde essa maturidade nos ensine que os medos e inseguranças pessoais geram quase sempre a necessidade de controlar o outro.

“Espero que a outra pessoa mude este aspecto do seu temperamento, porque assim me asseguro de que não me deixará, de que seguirá combinando comigo.”  Mas não somos quebra-cabeças, não somos peças soltas com a obrigação de encaixar com perfeição umas nas outras. As suas arestas não têm motivo para enquadrar-se com as minhas, e os seus vazios para se encherem obrigatoriamente com as minhas virtudes.

Seria melhor que começássemos a conscientizar-nos de que todos nós somos, na verdade, criaturas imperfeitas que procuram seres imperfeitos para avançar de mãos dadas e crescer diariamente. Este maravilhoso processo durará sem dúvida a vida toda, mas por enquanto, iremos crescendo individualmente. Nós nos tornaremos mais sábios pessoalmente, ao mesmo tempo em que cresceremos em casal.

O amor é, na verdade, uma preocupação constante por toda a vida, uma busca contínua na qual cultivamos a nós mesmos e, ao mesmo tempo, nos preocupamos com o crescimento daqueles que amamos. Tudo isso se projetará também em nós.
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