O narcisismo, a semente da agressividade na infância

· julho 5, 2016

Raramente ouviremos um pai ou uma mãe admitir que seus filhos os agridem física ou emocionalmente. Trata-se de um tabu, de uma face da violência que fica protegida da luz pública pelo lema de que “a roupa suja deve ser lavada em casa”. Esta frase costuma ser somada à violência, à falta de autoestima ou à ausência de recursos educativos dos próprios pais e a um crescente narcisismo nos filhos.

No entanto, as pesquisas que se aprofundaram um pouco no tema mostram uma realidade devastadora. Suas conclusões são claras: a violência dos filhos contra os pais é cada vez mais frequente, intensa e precoce. Mas de onde vem esse aumento de violência adolescente contra os próprios pais?

Um estudo recente realizado com adolescentes espanhóis analisou os fatores que favorecem o aparecimento deste tipo de violência doméstica. Os dados recolhidos e sua posterior análise apontam que a exposição à violência em casa, a falta de comunicação e a educação permissiva criam adolescentes narcisistas que agridem física ou verbalmente seus pais.

A semente da violência é plantada em casa

Os pesquisadores explicam que muitos adolescentes que agridem seus pais foram vítimas de violência por parte deles quando eram menores. Desse modo, parece que a exposição à violência dentro da família é um dos elementos decisivos na hora de validar este recurso como um bom instrumento educativo.

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No entanto, em outras ocasiões é a falta de comunicação afetiva e positiva entre pais e filhos e/ou a falta de tempo de qualidade dedicada aos filhos o que desencadeia as atitudes violentas.

Uma atitude permissiva por parte dos pais que não impõem limites também pode estar por trás das reações violentas dos jovens.

Os resultados demonstram que a exposição à violência durante o primeiro ano de estudo coincidiu com agressões dirigidas aos pais durante o terceiro ano. Do mesmo modo, uma relação distante entre pais e filhos no primeiro ano de estudo se relacionou com uma atitude de narcisismo nos adolescentes durante o segundo ano e com agressões contra os pais.

A educação familiar, chave para prevenir o narcisismo e a violência

Segundo os pesquisadores, as práticas de ensino e a educação são a chave para prevenir o narcisismo adolescente e as atitudes violentas. Se os pais não criam seus filhos com um sentido de responsabilidade e respeito é fácil que, diante da falta de um modelo mais velho, eles adquiram seu próprio modelo de acordo com a sociedade. Um modelo no qual a frustração ou a imperfeição não existem e no qual, portanto, cada adolescente deve buscar uma saída como puder.

No entanto, o comportamento demonstrado pelos pais e mães não é o único elemento. O temperamento dos filhos é outro componente importante. Algumas meninos e meninas são mais impulsivos e aprendem o comportamento violento com maior facilidade, já que este supõe uma saída fácil para enfrentar as contrariedades que os pais ou a vida em geral possam apresentar.

Raiva sem controle, antessala da violência adolescente

Os adolescentes narcisistas tendem a se sentir frustrados e rejeitados. Quando isso ocorre, primeiro vêm os gritos e os insultos, acompanhados – antes, durante ou depois – da agressão física. Os pesquisadores explicam que, por essa razão, quando os pais percebem que seu filho foge das normas de respeito que foram previamente acordadas devem estabelecer um diálogo educativo e reparador que corte esse comportamento pela raiz.

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Os pesquisadores explicam que a faixa etária que vai dos 13 aos 15 anos é crítica para o posicionamento do adolescente ou pré-adolescente frente às agressividadessejam elas dirigidas aos pais, a outras pessoas ou a objetos. Além disso enfatizam que, ainda que não hajam diferenças de gênero na manifestação dessa agressividade, observa-se um crescimento especialmente marcado nas meninas.

Uma vez que o comportamento agressivo surgiu nos adolescentes, o tratamento deve ser dirigido à redução do narcisismo que eles tenham de si mesmos. Por essa razão a equipe sugere que a solução passe pela educação em respeito e na tolerância à frustração, assim como em impedir a exposição dos filhos e filhas à violência.