Nem todas as coisas negativas que acontecem são terríveis

Nem todas as coisas negativas que acontecem são terríveis

junho 3, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Nem todas as coisas negativas que acontecem são terríveis

A vida muitas vezes nos traz complicados reveses, momentos dos quais é difícil se levantar e retomar a rotina motivados. A perda do emprego, o falecimento de um familiar, uma traição por parte do companheiro… Todas essas adversidades são, evidentemente, coisas negativas que nenhum de nós quer passar. Aqui vem a nuance importante que o título aborda: não é a mesma coisa qualificar algo como ruim e terrível.

Algumas pessoas têm o costume de fugir dos problemas porque têm muito medo de experimentar a dor emocional que implicam.
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Quando dizemos a nós mesmos que uma coisa é terrível, estamos semeando a semente da dor. Nossa interpretação dos fatos é responsável pelo nosso sofrimento e o nosso bem-estar. O cérebro não sabe distinguir, a priori, o que é negativo, neutro ou positivo. Somos nós mesmos que devemos lhe dizer isto e, portanto, está em nossas mãos ser mais ou menos precisos na hora de filtrar essa informação externa.

Se colocamos nosso empenho nisso, há grandes chances de encontrarmos a forma de mudar esse diálogo interior tão destrutivo e começarmos a limpar os cristais sujos das nossas lentes. O objetivo é fazer uma análise um pouco mais realista da informação à qual nossa mente recorre, e desta forma, poder aceitá-la.

Por que poucas situações são terríveis?

O ser humano, de forma inata, tem muito medo da mudança, de perder a sua estabilidade. Assim, começa um movimento na sua vida que interpreta como negativo, fica desestabilizado emocionalmente, e para recuperar essa estabilidade pode realizar ações potencialmente prejudiciais para si mesmo.

É difícil ter bom senso e ser racional quando as desgraças nos atingem, mas é muito necessário, pelo menos, tentar.
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Quando pensamos que o que nos aconteceu é terrível, estamos na verdade dizendo que é o pior que poderia ter nos acontecido, quase o fim do mundo, e essa afirmação simplesmente não é verdade. Tudo que acontece conosco ou que já aconteceu – absolutamente tudo – pode ser ainda pior do que é. Nada é cem por cento negativo, nem mesmo a morte.

Morrer, adoecer, passar por uma decepção, são fatos normais que a vida traz para todos nós, e pelo fato de serem naturais precisamos fazer um esforço mental para aceitá-los e não nos opormos a eles. O luto e a tristeza são processos necessários, mas é preciso vivê-los sem batizá-los de terríveis. É bom banir essa palavra e seus sinônimos – horrível, catastrófico… do nosso vocabulário coloquial.

Portanto, é a naturalidade dos fatos, tanto positivos quanto negativos, o que faz com que nada seja tão terrível quanto pensamos.
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Esquecer-se do perfeccionismo, de como as coisas deveriam ser, do que deveria ou não acontecer, é fundamental para não dramatizar e então poder enfrentar a vida com mais otimismo, mas principalmente, com mais aceitação. Abraçar as coisas do jeito que elas vêm, mas sem se render nem se resignar a elas, é um poderoso amortecedor do sofrimento.

Aprender a medir as coisas negativas

Se já entendemos que nada é tão horroroso quanto muitas vezes falamos, agora é preciso aprender a chamar as coisas pelo seu nome. Para isso, uma estratégia usada na psicologia que pode ser muito útil é a avaliação racional das circunstâncias.

Quando você tiver que enfrentar um problema existencial, pegue papel e lápis e trace uma linha reta. No extremo esquerdo dessa linha, que servirá de régua para medir, você anotará a palavra ‘maravilhoso‘, e do lado oposto escreverá ‘terrível’. Como é de esperar, no centro da régua, você escreverá normal.

Muito bem, entre o que é maravilhoso, normal e terrível, pode existir uma infinidade de avaliações, assim como acontece com qualquer régua de medição. Por um lado, podemos pensar que alguma coisa é um pouco ruim, muito ruim, boa, um pouco boa, etc…

Agora anote no papel o que aconteceu, mas sem exagerar nem julgar ou avaliar. Você deve escrever de forma objetiva o que aconteceu, como se tivesse sido filmado por uma câmera.
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Por exemplo, se você foi mandado embora do trabalho depois de dez anos trabalhando nele, o que você deve escrever é: ‘Demissão profissional’. Não o alimente com avaliações subjetivas como: “Depois de tanto tempo me esforçando por essa empresa, me mandam embora e eu não mereço isso”.

O fato objetivo é que você foi mandado embora do trabalho. Uma vez que tiver escrito no seu papel, meça-o e coloque-o em um lugar na régua. É bem provável que você o coloque em terrível. A seguir, esforce-se para pensar em que outras circunstâncias da vida, que tenham acontecido com você ou não, podem ser ainda mais negativas do que a que você está passando. Isto é, procure comparar.

Embora às vezes a comparação nos faça estar na defensiva, precisamos afastar nosso ego e perceber que na verdade sempre existe alguém em pior situação do que nós mesmos.
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Você tem o que comer apesar de ter sido mandado embora? Existem pessoas que não têm um prato de comida quente? A resposta a estas perguntas é: sim. Como você avaliaria o fato de alguém não poder comer todo dia do jeito que você come? Se você novamente avaliar isto como terrível, deverá mover a sua avaliação anterior da demissão: precisará passá-la de terrível a ruim e ir afinando.

E assim, continue fazendo até que você mesmo perceba que exagerou na sua avaliação. Se você começar a se sentir emocionalmente mais tranquilo, terá feito corretamente o exercício.

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