Os 4 tipos de diálogo interno que você deve evitar

· novembro 24, 2016

Todos nós, em algum momento da nossa vida, atravessamos momentos dolorosos ou situações inesperadas de caráter negativo que temos que superar. No entanto, este tipo de experiência marca de tal forma algumas pessoas que cria um diálogo interno de caráter negativo. Este diálogo, por si só, não é nada recomendável, mas é ainda mais perigoso quando corre o risco de ficar e de se tornar um hábito.

O certo é que ninguém está livre de se deparar com um problema que não consegue solucionar. Seja pela complexidade do mesmo ou porque não temos ao nosso dispor as ferramentas necessárias para resolvê-lo. Nestas circunstâncias, e se qualificarmos o problema como algo importante, o normal é que a ansiedade apareça: o desafio terá se transformado em ameaça.

Neste tipo de problema é comum ter diálogos internos que reforçam ideias negativas e que nos reenviam para o episódio doloroso que ainda não conseguimos superar. O pior desta condição é que diante de cada nova experiência que nos faz lembrar do que aconteceu, começamos a reagir de forma negativa por considerá-la potencialmente perigosa.

A ansiedade por antecipação é o componente principal deste tipo de dinâmica de pensamento. A partir daqui, a pessoa desenvolve premissas distorcidas que se repetem constantemente e vão aumentando a angústia inicial até que se torne algo insuportável.

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Um diálogo interno que escala até estados de perturbação

Quando as pessoas padecem de estados de angústia e ansiedade, costumam desenvolver um diálogo interno de caráter catastrofista. Certamente esta visão da vida é produto de um estado emocional alterado e, portanto, distorcido. O perigo desta situação é que, se não for corrigida a tempo, pode se transformar em um círculo vicioso que piora com o tempo, podendo gerar uma crise de pânico.

A sintomatologia característica de uma ataque de pânico inclui aperto no peito, taquicardia, enjôos, mãos suadas e palpitações. Em termos biológicos, esta é a reação normal de um mamífero perante uma ameaça. Uma pessoa aprisionada pelo pânico considera como ameaça até uma situação que pode ser controlada. Sem se dar conta, o diálogo interno fortalece as ideias negativas e catastróficas. Por esse motivo, a pessoa perde o controle e entra em crise.

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A crise de pânico pode escalar e tornar-se severa. No entanto, quando agimos de forma efetiva perante os primeiros sintomas, a tal crise acaba bloqueada e a pessoa consegue sair de um ciclo de pensamentos negativistas. Isto é possível porque as crises implicam dinâmicas mentais negativas aprendidas e, portanto, admitem modificações se for esse o nosso objetivo.

Classificação dos diálogos internos

Os especialistas do campo da psicologia classificaram em quatro estes diálogos internos que funcionam como gatilhos de angústia ou ansiedade. São eles: o catastrófico, o autocrítico, o vitimista e o autoexigente.

  • O catastrófico: a ansiedade surge ao imaginar o cenário mais catastrófico possível. A pessoa antecipa os fatos consumados (que seguramente não acontecerão) e lhes dá maior importância do que realmente têm. Isto acontece devido a uma percepção errada que pode chegar a desencadear uma crise de pânico. A frase fundamental para este tipo de diálogo interno é: “tudo pode se converter em uma tragédia quando eu menos esperar”.
  • O autocrítico: os traços que o distinguem envolvem um estado permanente de julgamento e avaliação negativa em relação ao seu próprio comportamento. A pessoa enfatiza as suas limitações e os seus defeitos. Isto faz com que a sua vida se torne ingovernável. Tende a ser dependente dos outros e se compara com os demais para se sentir em desvantagem. A pessoa autocrítica inveja quem alcança as suas metas e fica frustrada por ser incapaz de alcançar as suas próprias metas. As frases preferidas neste tipo de diálogo interno são: “não posso, não sou capaz, não mereço isso”.
  • O vitimista: este tipo se caracteriza por se sentir desprotegido e sem esperança, o que o leva a afirmar que o seu estado não tem cura, que não faz avanços no seu progresso. A pessoa acredita que tudo vai continuar igual e que aparecem obstáculos intransponíveis entre ela e o que ela deseja. Ela se lamenta a respeito de como são as coisas, mas não tenta mudá-las. No diálogo interno vitimista aparecem afirmações como: “ninguém me entende, ninguém me valoriza, sofro e não querem saber”.

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  • O autoexigente: nesta condição se promove o esgotamento e o estresse crônico em função da perfeição. É alguém intolerante perante os seus próprios erros e tenta se convencer de que as suas falhas acontecem devido a erros externos e não por causa dele. Desgasta-se pensando que não alcançou os seus objetivos por falta de dinheiro, status, etc., apesar de ser complacente com todos. O autoexigente realiza um diálogo interno através de frases como: “isso não é suficiente, não está perfeito, isso não saiu como eu gostaria”, etc.

Recuperando o controle

Ter consciência destes tipos de diálogos internos constitui o primeiro grande passo para recuperar o controle e evitar uma percepção negativa de nós mesmos ou do nosso contexto, que no final só faz com que o nosso estado de ansiedade dispare.

A verdadeira mudança ocorre quando começamos a detectar esses pensamentos negativos e os substituímos por afirmações positivas. É importante controlar a nossa respiração, relaxar e enfrentar as situações com calma. Caso contrário, as atitudes pessimistas e autodestrutivas se perpetuarão.

Não é fácil alterar este tipo de reação perante o que consideramos ameaçador, mas acontece o mesmo quando queremos mudar um mau hábito, como fumar ou comer chocolate em excesso. Claro que alterar um mau hábito requer determinação e esforço, mas é possível fazê-lo se colocarmos empenho suficiente nesse objetivo.