Nesta casa fazemos barulho, dizemos "sinto muito" e nos abraçamos

Nesta casa fazemos barulho, dizemos “sinto muito” e nos abraçamos

dezembro 19, 2016 em Psicologia 2152 Compartilhados
Nesta casa fazemos barulho, dizemos "sinto muito" e nos abraçamos

Nesta casa fazemos barulho, dizemos “sinto muito”, damos abraços e segundas oportunidades. Porque ser família é permitir que o som da vida nos envolva e afine a música das nossas partituras cotidianas, onde existe o respeito e, acima de tudo, a sensibilidade pelas necessidades de todos os seus membros.

Uma coisa que todos sabemos é que nenhuma casa pode se comparar a outra. Cada família se estrutura com base em suas dinâmicas e códigos de comunicação próprios e exclusivos, que nem sempre garantem a felicidade de todos os protagonistas. É uma coisa realmente complexa.

Aprendi que antes de mudar o mundo é preciso dar três voltas na sua própria casa. Por isso, na minha, todos somos reais: cometemos erros e nos perdoamos, somos imperfeitos mas nos divertimos, nos abraçamos e fazemos muito barulho.
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Existem casas muito grandes nas quais, além do luxo, podem habitar a solidão e a infelicidade. Mas também existem casas pequenas onde apenas reina o alvoroço da alegria sábia da reciprocidade, de tornar fácil o que é difícil. De aceitar as diferenças. Porque no fim das contas, a única riqueza é justamente essa: estarmos unidos e sabermos que o mais valioso não é o que temos, mas sim quem temos ao nosso lado.

Convidamos você a refletir sobre isso.

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Os elementos que fazem a psicologia de uma casa

Uma casa é um universo em miniatura, um reflexo da sociedade colocada sob o microscópio. O que acontece entre essas quatro paredes e nesse ambiente é uma combinação tremendamente poderosa onde os valores, as condutas e as emoções impactam cada um dos moradores dessa família de uma forma determinada.

Agora, os especialistas em psicologia ambiental dizem que todo entorno se constitui por três elementos básicos e fundamentais, que também são vistos em qualquer casa.

  • Os fatores materiais são os elementos físicos que conferem alguma coisa para um lar, que para o Feng Shui, por exemplo, é muito importante. De acordo com esta abordagem filosófica e estética, a disposição harmoniosa do espaço tem uma determinada influência sobre as emoções das pessoas. Isto é uma coisa que todos nós certamente já notamos alguma vez.
  • Os aspectos pessoais, por sua vez, são determinados pelas inter-relações das pessoas que moram nesse espaço, seus hábitos e seu jeito de estabelecer vínculos uns com os outros.
  • Os fatores mentais são, sem dúvida, os processos mais relevantes nas dinâmicas familiares. É aqui onde de encontram os paradigmas, as crenças, os valores, o estilo de personalidade e os condicionamentos próprios que estabelecem cada um dos membros de uma família.

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Uma casa, portanto, é um espaço fechado onde todos seus “inquilinos” abrem suas asas invisíveis de influência nos seus ninhos particulares, onde pode reinar o mais absoluto bem-estar ou, por outro lado, a mais complexa infelicidade dependendo desses processos mentais.

Gostaríamos de explicar como se constituem os lares mais dignos e enriquecedores, esses com música própria e onde, apesar de haver notas muito altas e outras muito baixas nas suas partituras de vida, a musica sempre é igualmente bela.

Um lar sábio de emoções

Segundo uma interessante pesquisa extraída do livro “Emotional Contagion“, de Elaine Haltfield, uma casa não é apenas o lugar onde as emoções mais se contagiam: a consciência emocional é o que permite crescer como família nutrindo necessidades, apagando medos e criando uma sintonia excepcional onde todos são indispensáveis.

Sabemos que não é fácil construir um lar, porque uma casa não é apenas muros e um telhado, uma casa é como uma colcha de patchwork delicada e magicamente artesanal onde cada retalho de tecido é único e onde todos juntos criam uma figura maravilhosa.

Vejamos agora que características definem esses lares sábios de emoções.

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Características da família enriquecedora

A família sábia de emoções e enriquecedora sabe, em primeiro lugar, que o importante não é estar sempre juntos. Não existem pressões inconscientes ou conscientes para controlar cada membro para que ocupe o seu lugar no “ninho”, nessa bolha asfixiante onde crescimento e liberdade são vetados.

  • Na casa sábia não é importante estar junto porque o essencial é estar unido.
  • A família enriquecedora contagia emoções positivas através de olhares que se conectam e que se compreendem. Não existem os vírus da chantagem do tudo ou nada, do “porque eu disse” ou do “se você fizer isso é porque não me ama”.
  • Na casa inteligente e feliz habita a luz das janelas abertas, dos corações empáticos e das vozes acostumadas a fazer barulho, a se expressar com liberdade, com autenticidade, sem vetos nem medos.
  • No lar saudável as diferenças são aceitas, não há sanções para os pontos de vista diferentes, todos dispõem dos seus espaços pessoais para crescer em dignidade e dos espaços comuns para compartilhar o vínculo digno e feliz da família que se adora e que gosta de compartilhar tempo juntos.

Uma casa onde convivem nossas pessoas favoritas, essas que chamamos de família porque souberam criar um lar a partir do coração, através do afeto mais puro e nobre. Porque no fim das contas, são essas pessoas com as quais você continua rindo a cada dia, as que aliviam as suas lágrimas e as que fazem com que a vida valha sempre a pena.

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