O que é a neurose fóbica ou histeria de angústia?

Na neurose fóbica, a pessoa sente um medo desproporcional de um objeto, ideia ou situação específica. Este objeto, ideia ou situação, visto a partir de uma perspectiva psicanalítica, seria, na verdade, um símbolo do que é realmente temido.
O que é a neurose fóbica ou histeria de angústia?

Última atualização: 24 Abril, 2021

A primeira pessoa a falar sobre neurose fóbica foi Sigmund Freud. Para ele, esta neurose fazia parte das chamadas “neuroses de transferência" e se manifestava como um medo desproporcional, que surge diante da presença de um objeto específico ou uma situação determinada.

Para Freud, a fobia é um medo desproporcional, enquanto a neurose fóbica é o comportamento diante do objeto que causa um temor absurdo. Existem inúmeros tipos de fobia. Elas recebem seu nome em função do objeto que causa o temor irracional. Pode-se dizer que qualquer objeto pode se transformar em uma fonte de medo na neurose.

Uma das características essenciais é que a neurose fóbica aparece nas pessoas que chamamos de “normais". No entanto, também está frequentemente presente a chamada neurose de angústia. Nesta última, o medo surge a qualquer momento e é difuso e invasivo.

“O medo sempre está disposto a ver as coisas piores do que elas são."
– Livio –

Desenho de Freud

O estímulo e a neurose fóbica

Para a psicanálise, o estímulo desencadeado pela reação de medo é apenas uma causa aparente. Um exemplo disso é o seguinte: se uma pessoa tem fobia de borboletas, ela não tem medo das borboletas. O que há por trás disso é um acontecimento traumático que foi esquecido.

Desse modo, o objeto que desencadeia o medo na neurose fóbica é apenas um símbolo da causa real. Por exemplo, uma criança vê seu pai sendo agredido e sangrando, e as gotas de sangue mancham sua roupa. Pode ser que a criança se esqueça do acontecimento, mas ela pode desenvolver fobia de camisas azuis, já que essa era a cor que seu pai estava usando naquele momento.

É preciso ter em conta que o trauma não depende necessariamente da gravidade real de uma situação. Na mente de uma criança, fantasia e realidade frequentemente se cruzam e geram experiências emocionais muito fortes.

Por exemplo, uma criança espera que seu pai ou sua mãe a busque na escola. Porém, um dia, eles demoram muito para chegar. Durante esse tempo, a criança pode fantasiar que foi abandonada. É possível que, nessas condições, a criança se torne hipersensível a estímulos “normais", como o latido de um cachorro ou o voo de um inseto.

Uma defesa psicológica

Por que na neurose fóbica o esquecimento da situação traumática está presente e ela é substituída por um objeto que a simboliza? O que ganhamos com isso? Uma situação torna-se traumática quando é repentina, inesperada e a pessoa não tem, ou acredita que não tem, recursos para enfrentá-la. Em uma palavra: você se sente impotente diante da ameaça ou do perigo.

O que acontece, então, é que a mente se defende dessa impotência absoluta mudando a ordem lógica do que aconteceu. A mente tira o medo de si mesma, por assim dizer, e o desloca em direção a algo externo.

Manter esse medo dentro da mente é intolerável. Deslocá-lo para fora é uma estratégia para não se sentir sobrecarregado pela situação. O esquecimento também é uma estratégia para manter o medo extremo à distância.

O transtorno fóbico

Sigmund Freud não desenvolveu totalmente o tema das fobias e da neurose fóbica. Atualmente, a psicanálise não fala em fobia apenas quando há terror diante de um determinado objeto físico, mas também diante de circunstâncias ou ideias. Sentimos medo de enlouquecer, ou de ficar doentes, etc.

A psicanálise atual indica que nem todos os eventos traumáticos geram fobias na infância. As fobias estão relacionadas a ansiedades específicas de medo da perda do objeto amado, perda do amor ou castração.

Ainda não se sabe por que crianças mais novas desenvolvem fobias de animais grandes, enquanto crianças mais velhas desenvolvem fobias de animais pequenos, principalmente insetos.

Jovem com fobia

A abordagem clínica

A neurose fóbica não é a única condição na qual existem fobias. Elas também podem ser um sintoma de outros tipos de problemas e distúrbios. Às vezes, elas fazem parte de um transtorno de ansiedade, no qual a ansiedade é mais constante e errática. Ou seja, não existe apenas medo diante de um objeto, ideia ou situação específicos, mas sim uma sensação imprecisa de medo.

Também é possível que as fobias façam parte de uma neurose obsessiva. Nestas, a ansiedade é menor e tende a se tornar habitual. Por exemplo, alguém que tem medo de germes desenvolve uma série de rituais para se defender deles. Uma pessoa com neurose fóbica entra em paroxismo quando em contato com uma fonte de germes.

A característica da neurose fóbica é que a pessoa afetada sempre foge na presença do estímulo que gera a fobia. Da mesma forma, experimenta continuamente o desejo de controlar o mundo externo. Na realidade, ela deseja manter aquilo que reprimiu sob controle.

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  • Sopena, C. (2006). Mecanismos de defensa en las neurosis. Rev. Psicoanal, 47, 103-122.