Como desatar os nós emocionais que provocam dor?

· maio 26, 2018

Os nós emocionais tiram a nossa energia, nossa liberdade, nossa capacidade de crescer. São bloqueios formados por decepções, por feridas, por lacunas, por permanecermos ligados a relacionamentos dolorosos e ciclos que ainda não foram fechados. Assim, nos libertarmos desses ciclos mentais requer uma habilidade psicológica muito precisa com a qual podemos avançar sem dor, sem medo.

Com o tempo, você pode acabar percebendo que parte de sua bagagem existencial lhe causou um impacto. Alguns fatos não resolvidos do passado podem ter se cristalizado na forma de nós emocionais. Essa realidade geralmente é comum quando, por exemplo, deixamos para trás uma relação afetiva complexa, uma perda pessoal ou mesmo quando habita em nós a ferida de uma infância traumática.

A analogia dos nós não poderia ser mais precisa. De alguma forma, esses estados psicológicos exercem uma dolorosa pressão sobre a mente, atormentam o coração e nos tiram o ar se agarrando ao espelho do passado. Eles nos deixam em um estado precário, onde perdemos nossa capacidade de aproveitar o presente, de continuarmos nos realizando como seres humanos.

“Não se pode desfazer um nó se não sabemos primeiro como é feito.”
-Aristóteles-

Corda representando os nós emocionais

Nós emocionais, feridas que não se resolvem sozinhas

Os nós emocionais não se desfazem sozinhos. Às vezes, não é suficiente puxar uma extremidade para que esse laço ou essa corda fique livre. A maioria desses nós realmente cria ciclos complexos, pontas soltas e laços duplos onde ficam acumulados nossos pensamentos, nossos medos e ansiedades, exercendo cada dia mais pressão e maior sofrimento.

A psicologia da Gestalt geralmente trabalha este tipo de situações. Dentro dessa abordagem, costuma-se dizer que, quando o ser humano tem que enfrentar adversidades e ainda não consegue superar seus efeitos, algo permanece pendente. A dor que persiste, o desconforto que se recusa a desaparecer, é a evidência de que há algo que ainda temos que resolver. É uma dívida emocional com nós mesmos.

Da mesma forma, e não menos importante, devemos lembrar também que as emoções têm um grande impacto no recipiente que as contém: nosso corpo. Portanto, um nó emocional nos predispõe de muitas maneiras: nos paralisa ou nos leva a fugir. Também nos aprisiona, afeta nossos músculos, sistema digestivo, sistema cardiovascular… Essa pressão também se intensifica com a falta de ação. Não fazer nada, esperar que esse nó se resolva sozinho, faz com que se torne mais complexo, cria laços duplos, mais voltas e mais contratempos…

Homem observando o mar

Aprender a desatar nós emocionais

Já aconteceu com todos nós alguma vez. Quase sem saber como, esses cadarços do sapato ou até mesmo o fio de nossos fones de ouvido ficaram emaranhados em um nó tão complexo que, por um momento, até perdemos a paciência. No entanto, se há algo que sabemos é que, para desfazer o mais complexo dos nós, não há nada melhor do que observar como ele é feito.

Então, pouco a pouco e meticulosamente, acabamos puxando uma extremidade até liberar cada volta, removendo a tensão, afrouxando e devolvendo esse cadarço ou fio à sua forma original. Por mais curioso que seja, com os nós emocionais acontece a mesma coisa. Claro que nós não voltaremos à nossa forma anterior. Esses labirintos emocionais nos mudam. No final, eles nos transformam em uma arquitetura artesanal mais forte.

Vamos ver a seguir como podemos desatar esses laços emocionais.

Dor e sofrimento não são a mesma coisa: você tem a oportunidade de parar de sofrer

Buda já disse isso em sua época. A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. O que significa isso? A Gestalt diz que muitas vezes as pessoas se movem ao redor do mundo com dois tipos de flechas divididas em nossos corações.

  • A primeira flecha é aquela que não se pode evitar. É a ferida original, é a dor pela perda, por uma decepção, uma separação…
  • A segunda flecha é o sofrimento, aquela que às vezes cravamos em nós mesmos, agarrando-nos a nossa própria ferida, mas não a assumindo completamente. Longe de fechá-la, a alimentamos diariamente com sua lembrança.

Os nós emocionais doem, mas podemos parar de sofrer se decidirmos aceitar essa lesão interna, tentando, por sua vez, resolver essa realidade pessoal.

As emoções presentes e a importância de focarmos o aqui e agora

Esses nós emocionais são o resultado de um ou mais eventos ocorridos no passado. No entanto, é necessário assumir uma coisa: o que aconteceu ontem não pode ser alterado. O que podemos mudar é a forma como nos sentimos agora. Precisamos transformar o sofrimento em calma, o medo em segurança, a inquietude em serenidade.

  • Devemos aprender a reconhecer nossas emoções presentes. Identificar o que dói, para dar nome ao que forma esse nó emocional: medo, preocupação, nostalgia, tristeza…

Ao reconhecer e gerenciar as emoções nos daremos a oportunidade de fechar um ciclo, de nos livrarmos desse nó.

Mulher com borboletas azuis

Sinta-se responsável pela sua vida: você é suas emoções, seus pensamentos e suas ações

A psicologia da Gestalt ajusta seu ponto de vista sobre o sentido de totalidade e deseja que o paciente possa compreender os seus problemas em um sentido global. Por isso, nos impulsiona a trabalhar a tomada de consciência sobre tudo aquilo que acontece dentro de nós, conduzindo, por sua vez, a um genuíno senso de responsabilidade com nós mesmos.

Algo assim implica a necessidade de atender as nossas emoções em todos os momentos. Porque um nó emocional é a consequência de algo que temos negligenciado, de algo que se tornou uma responsabilidade, uma dívida para com o nosso crescimento, um peso que incomoda diariamente.

Todo desconforto, inquietação, preocupação ou medo devem ser cuidados aqui e agora. Portanto, aprendamos a estar mais conscientes do nosso universo emocional, aprendamos a não fugir daquilo que nos magoa ou do que nos dá medo. Caso contrário, tudo isso será deixado para trás, irá se cristalizar até formar um laço, e esse laço, mais cedo ou mais tarde, criará a forma de um nó. Vamos evitá-lo, estamos em tempo.