Isto é o que nos faz felizes: uma pesquisa de 76 anos

Isto é o que nos faz felizes: uma pesquisa de 76 anos

julho 24, 2017 em Psicologia 1339 Compartilhados
Isto é o que nos faz felizes: uma pesquisa de 76 anos

Em 1938 a Universidade de Harvard (EUA) iniciou uma pesquisa chamada “Pesquisa sobre desenvolvimento adulto”. Seu principal objetivo era identificar o que realmente nos faz felizes. A pesquisa ainda continua ativa e é uma das mais completas na sua área.

A pesquisa contou com a colaboração de 700 homens jovens, inicialmente. Alguns deles eram pessoas que gozavam de uma posição confortável, enquanto outros pertenciam à classe pobre de Boston. Os pesquisadores acompanharam estas pessoas ao longo de suas vidas para avaliar como procuravam a eventualmente construíam a sua felicidade.

“A felicidade da vida consiste em ter sempre alguma coisa a fazer, alguém a quem amar e alguma coisa a esperar”.
-Thomas Chalmers-

Atualmente a pesquisa conta com mais de 1.000 homens e mulheres, alguns dos quais são filhos da primeira geração de voluntários. O atual diretor da pesquisa é o psiquiatra Robert Waldinger, que também é mestre Zen.

Com base nas conclusões tiradas nesses 76 anos de estudo, o professor Waldinger apresentou um pequeno esquema do que poderia se chamar de uma “boa vida”. A pesquisa possibilitou estabelecer o que realmente faz as pessoas felizes (ou pelo menos a maioria), e a seguir contamos quais são algumas dessas conclusões.

O que mais nos faz felizes: a qualidade dos nossos relacionamentos

Uma das conclusões mais importantes da pesquisa sobre o desenvolvimento adulto é que as pessoas se sentem verdadeiramente felizes quando conseguem estabelecer relacionamentos humanos de qualidade. “O que descobrimos é que no caso das pessoas mais satisfeitas nos seus relacionamentos, mais ligadas aos outros, seu corpo e seu cérebro se mantêm saudáveis por mais tempo”, afirmou Waldinger.

O que realmente nos faz felizes?

Com relação à pergunta sobre o que é um relacionamento de boa qualidade, o acadêmico apontou que é aquele em que a pessoa sente confiança e sabe que pode ser ela mesma. Em outras palavras, a pessoa não se sente julgada e tem a convicção de que conta com o outro para praticamente qualquer circunstância. Este tipo de vínculo pode se dar com o companheiro, com a família, ou com amigos e colegas.

O dinheiro e a fama são cortinas de fumaça

Em diversas ocasiões a pesquisa aplicou questionários sobre o conceito de felicidade aos participantes, e inclusive a pessoas que não fazem parte da pesquisa. Eles lhes perguntaram o que as faria felizes. Dos consultados, 80% afirmaram que seriam felizes se tivessem mais dinheiro e 50% afirmaram que a fama lhes traria felicidade. Contudo, após analisar os resultados depois de melhorarem a sua condição financeira ou obterem sucesso social, concluiu-se que a suposição que faziam a priori não se refletia nos resultados depois da melhora.

Mulher em busca da felicidade

Tudo leva a crer que o dinheiro e a fama agem em nossas mentes como uma cortina de fumaça. Pode-se concluir que quem pensa dessa forma não está admitindo que o que procura, no fundo, é aprovação, respeito e companhia. Sem perceber, supõem que dinheiro e fama serão veículos para ganhar mais e melhores vínculos com os outros.

Isto quer dizer que inconscientemente acreditam que se tivessem mais dinheiro ou fama, seriam ainda mais valorizados pelos outros, o que é falso. Tanto a fama quanto o dinheiro atraem novos vínculos, mas em muitos casos trata-se de conexões pouco autênticas, não baseadas em uma genuína consideração pelo outro. Muitos se aproximam dos ricos e famosos pelos benefícios que podem obter, mas não porque sentem um verdadeiro afeto por essas pessoas.

Se já existe uma resposta, por que não somos mais felizes?

A pesquisa de Harvard encontrou a resposta para a pergunta de como podemos ser felizes, e trata-se de uma resposta relativamente simples e muito precisa. Mas isso leva a uma nova pergunta: por que então há tantas pessoas infelizes? Não bastaria que investissem mais tempo e esforço nos seus relacionamentos para que pudessem viver melhor? Aí está realmente a chave do assunto.

Estabelecer relacionamentos de qualidade não é tão simples, pois para isso é preciso que tenhamos desenvolvido previamente um conjunto de valores e virtudes. Para construir vínculos valiosos precisamos ser generosos, bondosos, pacientes e próximos no trato.

O que é felicidade?

Na vida, o assunto não é encontrar “pessoas especiais” com as quais possamos estabelecer vínculos maravilhosos. Trata-se de nós mesmos sermos maravilhosos em nossos relacionamentos. Isto é o que constitui a base de um vínculo de qualidade.

A conclusão fundamental dos 76 anos da pesquisa de Harvard é muito simples: todos procuramos, fundamentalmente, ser amados. Isso seria um sinônimo de ser feliz. Contudo, muitas vezes não se consegue construir relacionamentos de amor genuíno porque nós ainda não desenvolvemos essa profunda capacidade de dar amor.

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