Nunca é tarde demais para uma infância feliz – A mente é maravilhosa

Nunca é tarde demais para uma infância feliz

3, março 2016 em Psicologia 1268 Compartilhados
Nunca é tarde para uma infância feliz

Durante nossa infância sempre vemos nossos pais como seres todo-poderosos que podem nos dar tudo o que precisamos. Entretanto, os pais não são mais que seres humanos normais que possuem defeitos, virtudes, fraquezas e pontos fortes.

Colocando de outra maneira, os nossos pais são apenas crianças que se tornaram adultas, que cresceram com suas aspirações, que muitas vezes não tiveram uma infância feliz e que geralmente fizeram as coisas “da melhor forma possível”.

Aceitar isso é um sinal de maturidade, ainda que lembrar disso possa gerar nostalgia, vigilância, e mais um monte de sentimentos mistos. Reconhecer isso pode nos ajudar a seguir caminhando pela vida e dizer adeus a todas essas feridas emocionais que carregamos desde a infância.

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Conhecer as feridas dos pais para se livrar do sofrimento

Converter nossos pais ou aquelas pessoas com quem convivemos na nossa infância em responsáveis pelas coisas desagradáveis que acontecem em nossa vida adulta é desperdiçar a oportunidade de assumirmos a responsabilidade por nossas vidas.

Colocando de outra maneira, nas palavras de Bert Hellinger, “Sofrer as coisas é mais fácil que resolvê-las”. Isto quer dizer que ao nos apegarmos ao nosso sofrimento, estamos nos amarramos ao nosso sistema familiar.

Ou seja, o ódio e as censuras fazem laços tão fortes quanto o amor, o qual manterá sempre ao nosso lado os defeitos de nossos pais. Então, devemos nos esforçar para compreender as circunstâncias que os levaram a se comportar de um jeito ou de outro com a gente.

Se aceitarmos isso e deixarmos ir, avançaremos na nossa maturidade emocional. Para tal, Ulrike Dahm nos propõe fazer as seguintes perguntas a nós mesmos:

  • Como eram os pais dos seus pais?
  • Eram rigorosos e autoritários?
  • Fizeram o seu pai ou mãe ir a uma escola e receber uma boa educação?
  • Talvez seus avôs estiveram doentes ou tiveram problemas com alcoolismo? Morreram de forma prematura?
  • Seus pais cresceram no meio de uma guerra?
  • Quais coisas tiveram que viver durante aquela época? Eles tiveram que fugir ou lutar por suas vidas?
  • Que oportunidades profissionais eles tiveram?
  • O que os transformou no que são hoje em dia?

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Aceitar o que passou e libertar-se disso

Poucas pessoas foram feridas tão gravemente em sua infância a ponto de perder a sua essência, sua capacidade de amar e de transmitir amor. Por isso, é provável que devido às dificuldades que um dia vivemos, hoje em dia sejamos pessoas fortes, independentes e corajosas.

Assim, podemos aproveitar isso para nos dar hoje a oportunidade de derramar essas lágrimas que nos afogam, admitir o cansaço, o abandono e a raiva que um dia não manifestamos, e aproveitar as oportunidades que não nos foram dadas.

Para conseguirmos nos desligar de tudo, podemos escrever uma carta de despedida a nossos pais, seja separadamente ou em conjunto, como acharmos melhor. Podemos usar as seguintes fórmulas:

  • Parece errado de sua parte…
  • Eu guardo rancor porque…
  • Me irrita demais que…
  • Me entristeceu que…
  • Lamento que…
  • Lembro-me com carinho que…
  • Eu te perdoo por… (mas apenas quando o sentimento for sincero)
  • Te agradeço por…
  • Se houver espaço para isso, de agora em diante gostaria de pedir que…

Da mesma forma, podemos terminar a carta escrevendo algo como o seguinte: “Tudo valeu a pena por que eu estou vivo, e você tem muito a ver com isso. Obrigado, mas a partir de agora, sou eu quem dirijo minha vida e, portanto, estou livrando-o de toda a responsabilidade sobre ela…”

Esta carta deve ser como um pequeno ritual de despedida, pelo qual devemos idealizar aquilo que nos liberte de todas as emoções que estamos aprisionando em nossa carta. Podemos ler em voz alta uma última vez, queimá-la, rasgá-la ou colocá-la na água e deixar a tinta se desmanchar.

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As crianças precisam de amor

Uma grande parte das pessoas feridas pode chegar a repetir os padrões de seus pais com seus filhos. Por isso, é importante que coloquemos em prática a estratégia de “reparenting” ou, o que significa a mesma coisa, sermos a mãe ou o pai ideal para os nossos filhos.

Portanto, é importante que examinemos cuidadosamente como nos sentimos e que estilo de criação queremos para nossos filhos. Então, se você sentiu a necessidade de amor, afeto ou reconhecimento, que você garanta isso às suas crianças.

No entanto, é importante que nós nos esforcemos para manter o equilíbrio. Para tal, basta dedicar um pouco de seu tempo a eles, dar atenção e carinho, mas também não é preciso mimá-los em excesso, pois assim causaremos uma ferida educacional neles que irá dificultar a sua caminhada pela vida.

Fonte bibliográfica consultada: Reconciliar com sua infância de Ulrike Dahm.

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