O amor é mais que uma miragem

· abril 21, 2015

“Não ser amado é um simples infortúnio. A verdadeira desgraça é não saber amar”, com esta belíssima destreza o amor foi descrito pelo genial escritor francês Albert Camus.

As paixões e as infelicidades que sofremos quando amamos alguém resumem-se basicamente nestas poucas palavras…

São muitas as pessoas que se perguntam diante do espelho quando estão sozinhas, “Por que não me amam?” “Não me querem?”. Verbalizam de maneira escondida o que seu coração sente. A desorientação e o medo dão conta do resto, nos confundindo num cego sentimento de amargura.

Como nos apaixonamos?

O amor não é uma ciência exata, não responde a conceitos claros cuja metodologia tem como resultado tudo aquilo que desejamos. O amor é a maior emoção que podemos desenvolver em nós mesmos e em relação a aqueles que nos cercam.

Convido vocês a olhar para trás e procurar o início de suas relações sentimentais; todas elas terão, com certeza, um início em comum: a inexplicável atração que sentimos por determinada pessoa.

Pode ser um olhar, a forma como a pessoa sorri, a torpeza, a timidez… Todos esses detalhes abrem o “frasco da essência do amor”, facilitando uma primeira aproximação, que com o passar do tempo pode se transformar numa relação sentimental e amorosa.

Meu amor é perfeito! Amo meu par!

Se ouvimos alguém dizer que seu par “é perfeito”, não só nos sentimos incrédulos, como também podemos ter a certeza de que a pessoa está vivendo a desconcertante e “perigosa” fase da “Atração”. É aí que começarão a aparecer nossos futuros medos e amarguras para com nosso par. Este período é caracterizado por um enorme desejo de destacar os aspectos positivos da nossa “metade da laranja”; diminuindo qualquer ponto negativo, diferenças ou tensões entre ambas as partes.

A idealização do ser amado vai sendo esculpida, pouco a pouco, durante o tempo em que ocorre a “Atração”. A imaturidade ou o desejo inato de ser amado são emoções que envolvem cegamente esta atitude.

É algo natural e ninguém consiga escapar desta corrente de sensações de alegria e contínua felicidade. A experiência e o conhecimento de nossas próprias emoções farão com que tenhamos um pouco mais de calma, caso novos episódios de atração apareçam. Estes sentimentos serão convertidos em sensações mais serenas e maduras, eliminando a loucura da ilusão que é se apaixonar sem levar em conta a realidade.

Viver neste cenário sonhador tem sempre uma data de validade… com o passar do tempo, nós começamos a polir nossos sentimentos, antes muito bem esculpidos, cheios de idealismo pré fabricado por nossa alma apaixonada. Esse processo ocorre paralelamente à sensação de consolidação do casal.

Meu par tem alguns defeitos, mas mesmo assim o amo!

É aí, então, que os possíveis filtros instalados para que a “Atração” acontecesse sem análises começam a cair lentamente. Passamos a ser mais permeáveis a todas as sensações que derivam do nosso amor. Nem tudo receberá uma nota dez, um oito, ou até um sete… As notas vão caindo, pois nós também começamos a cair na realidade.

Começa, então, a fase do verdadeiro conhecimento da pessoa amada, aparecem sentimentos de incompatibilidade, de desconhecimento mútuo, de diferenças na rotina diária de cada um… Obviamente, esse não é o fim do amor, mas sim o começo de um trabalho pessoal que deve ser feito por ambas as partes. Assim o verdadeiro amor é alcançado.