O destino não faz visitas em domicílio

· agosto 19, 2018

O destino, também chamado de sina, sorte ou estrela, não faz visitas em domicílio. Se quisermos encontrá-lo, temos que sair ao seu encontro. Porque apesar de pensarmos que a realidade está aí para satisfazer os nossos desejos como “em um passe de mágica”, os nossos anseios não se tornarão realidade até que trabalhemos para alcançá-los. Mesmo assim, às vezes isso pode não ser suficiente.

Atrevo-me a dizer que os melhores momentos das nossas vidas são geralmente aqueles em que tomamos as rédeas. São momentos nos quais agimos conforme as nossas decisões e adquirimos de alguma forma o controle do nosso destino. Porque em vez de orar ao universo ou esperar que os planetas se alinhem, é necessário que consideremos o que queremos alcançar e, uma vez que o tenhamos claro, trabalhemos para seguir o caminho até os nossos objetivos.

“Busque um destino, aquele que você quiser, porque nunca sabemos quando a morte chegará”.
-Anônimo-

Nós escrevemos o destino com as nossas decisões

Nós criamos o destino a cada passo que damos e a cada escolha que fazemos. No entanto, muitas pessoas acreditam que ao simplesmente “se deixar levar” e querer que algo aconteça, tudo se tornará realidade. Mas pela minha perspectiva, não é verdade. A única maneira de termos o que queremos é lutando por isso.

A força do destino

Por outro lado, alguns acreditam que cada pessoa vem a este mundo com um destino definido. De acordo com essa ideia, todos nós temos algo a cumprir, alguma mensagem que deve ser entregue ou alguns trabalhos que precisam ser concluídos. Dessa forma, não estaríamos aqui por acaso, haveria um propósito para a nossa existência.

Agora, o que acreditamos sobre o nosso fim não é tão importante, porque cada um de nós tem o seu próprio destino, aquele criado sob os fios das nossas decisões. O único imperativo é segui-lo, lutar por ele, aceitá-lo. Cada um de nós deve fazer o que considera correto em cada momento da sua vida.

“Você tem que confiar em algo: no seu instinto, na vida, no karma, em qualquer coisa. Essa perspectiva nunca me decepcionou, e isso fez toda a diferença na minha vida”.
-Steve Jobs-

Destino: superstição ou realidade?

Para finalizar, deixaremos uma história que analisa como o destino pode ou não influenciar as nossas vidas. Nós esperamos que você goste.

David era um homem muito piedoso e observador. Um judeu devoto e crente. Uma noite, enquanto ele dormia, um anjo apareceu em seus sonhos.

-David, disse o anjo. Eu venho do céu para lhe conceder um desejo. Deus decidiu recompensá-lo e me enviou com esta mensagem. Você pode pedir o que quiser e quando você acordar, será atendido. Quando você acordar, se lembrará de tudo o que aconteceu e saberá que isso não é um produto da sua mente. Peça então. O que você mais deseja?

David pensou por um momento e depois se lembrou de que havia um assunto que o perseguia ultimamente. Era a sua própria morte. Encorajado pelo anjo, ele pediu o seguinte:

-Quero que você me diga exatamente o dia e a hora da minha morte.
Depois de ouvir isso, o anjo pareceu ficar ainda mais pálido e hesitou.

-Eu não sei se posso lhe dizer isso.

-Você me disse que eu poderia pedir o que eu quisesse. Bom, isso é o que eu quero.

-Eu também disse que se tratava de um prêmio e se eu lhe disser o que você me pede, viverá infeliz contando os dias até o final da sua vida – disse o anjo. Isso não seria uma recompensa, mas uma punição. Escolha outra coisa

David pensou e pensou. Mas, às vezes, quando a ideia da morte se apodera da nossa mente, é difícil erradicá-la.

– Não tem problema, diga-me qual é o dia da minha morte.

O anjo percebeu que não podia fazer nada para tirar essa ideia da sua cabeça e que, se não respondesse, também não cumpriria a sua missão, que era recompensar David. Portanto, ele concordou com relutância.

-Como você é um bom homem e um bom judeu, terá a honra de estar entre os escolhidos que morrem no dia mais sagrado da semana. Você vai morrer num sábado.

Dito isto, o anjo se despediu. David dormiu tranquilamente até a manhã seguinte.

Ao despertar, conforme o anjo tinha antecipado, ele tinha uma vívida lembrança do que sonhara. Além disso, se sentia lisonjeado por ser o único homem que sabia de antemão que iria morrer num sábado.

Nos dias seguintes tudo correu bem, pelo menos até sexta-feira. Enquanto se preparava para a chegada do sábado, David começou a tremer.

Não seria este o sábado da sua hora? Seria essa a razão pela qual o anjo aparecera naquele momento? Qual sentido teria ir ao templo no último dia da sua vida? Já que ele ia morrer, preferiu ficar em casa. David entendeu que havia cometido um erro. Ele sabia de algo que preferia não saber, porque só o fazia sofrer e deixava preocupados aqueles que o queriam bem.

O homem finalmente achou que havia encontrado a solução. Leria a Torá toda sexta-feira à noite e não pararia até a primeira estrela da manhã, já que ninguém pode morrer enquanto lê o sagrado livro judaico.

E assim foi. Dois ou três meses se passaram e um sábado de manhã, enquanto David lia o livro sagrado da Torá sem parar, ouviu a voz de alguém gritando desesperado:

-Fogo! Fogo! A casa está pegando fogo. Saiam. Há fogo… Rápido …

Era sábado e ele se lembrou da mensagem do anjo. No entanto, também se lembrou de que o Zohar afirmava que, enquanto alguém lesse a Torá, estaria seguro, e para se convencer, ele repetia:

-Nada pode acontecer comigo, estou lendo a Torá.

Mas as vozes da rua pediam: Aqueles que estão no sótão… Vocês me ouvem? Saiam agora, depois pode ser tarde demais! Saiam!

Descubra o seu destino

David tremeu. Isso aconteceu por ele ter desejado se salvar, por tentar enganar o destino. Finalmente ele iria morrer, vítima da sua tentativa de salvar a si mesmo.

-Talvez ainda não seja a minha hora – ele finalmente disse a si mesmo. E fechando o livro da Torá, olhou para a escada confirmando que o fogo ainda não havia chegado ali. David desceu tentando evitar a morte certa. Ele desceu correndo as escadas, saltando dois degraus de cada vez. E foi assim que ele tropeçou e rolou pelas escadas batendo a nuca no último degrau.

Davi morreu instantaneamente naquele sábado, sem saber que o incêndio era na casa da frente e que nunca havia chegado até a sua casa. A sua preocupação com o destino fez com que ele morresse antes do tempo.