O Mundo de Sofia, uma abordagem da filosofia

22 Abril, 2020
O Mundo de Sofia é um livro lido e apreciado por várias gerações que viram nele uma porta magnífica para o fascinante mundo da filosofia. Foi uma revolução na época, e hoje, depois de vinte edições, ainda temos a oportunidade de nos perdermos em suas páginas...
 

O Mundo de Sofia é uma obra que sintetiza a história da filosofia ocidental em um formato novelístico. Essa pretensão tão original o tornou um livro conhecido e recomendado. Isso aconteceu por causa da sua linguagem agradável, simples e íntima diante dos manuais clássicos de frases longas e reflexões de uma pessoa que já tem um conhecimento prévio do assunto.

Assim, falamos de uma obra que não pretende ser mais do que é; e é muito boa. Especialmente para aquelas pessoas que querem ter uma ideia do que os estudiosos pensaram ao longo da história. Além disso, constitui uma porta magnífica de entrada para as pessoas que, mais tarde, queiram estudar o assunto mais a fundo.

Antes de começar a leitura

O Mundo de Sofia foi publicado em 1991, causando uma verdadeira revolução (naquela época, havia poucos textos que simplificavam a filosofia e criavam uma ponte para os mais curiosos). Foi este trabalho que levou o filósofo e escritor norueguês Jostein Gaarder a ser considerado “um dos autores mais bem-sucedidos da Europa”. Foi traduzido para mais de quinze idiomas e levado ao cinema em 1999 com o mesmo título pelo diretor Erik Gustavson, também norueguês.

 

Sobre o autor

Jostein Gaarder recebeu diferentes prêmios dedicados à literatura e à literatura juvenil, como o Prêmio Nacional de Crítica Literária da Noruega e o Prêmio Europeu de Literatura Juvenil, entre outros. As suas mais de quinze obras literárias visam abordar tópicos de interesse existencial e filosófico com um estilo ágil e simples. Para algumas pessoas, “ele foi o escritor mais vendido do planeta durante os anos 1995 e 96”.

O autor de 'O Mundo de Sofia'

O Mundo de Sofia: “Um romance que se tornou cult”

Você já se perguntou “Quem sou eu?”; “O que é um ser humano?”; “Não é injusto que a vida termine algum dia?”; “Não é triste que a maioria das pessoas tenha que ficar doente para perceber como é bom viver?”; “Como o mundo foi criado”?

Estas são algumas das perguntas que invadem os pensamentos da pequena Sofia a partir de uma misteriosa carta escrita por quem, aparentemente, é um filósofo. Assim, a história se desenvolve em torno de Sofia Amundsen, uma garota de quase quinze anos.

 

O livro se concentra na formação da sua identidade a partir das conversas que ela tem com o remetente das cartas misteriosas. Com isso, tenta responder às suas perguntas. Vemos uma garota cada vez mais interessada na complexidade do ser humano e do mundo ao seu redor. Aborda questões como:

“O que é filosofia?”; “Os filósofos da natureza”; “Ciência da história e ciência da medicina”; “Quem foi Sócrates?”; “Platão“; “Aristóteles”; “Religião, filosofia e ciência”; “O Neoplatonismo”; “O Romantismo”; entre outros. Como você pode ver, não é um romance para ler de uma só vez, pois o seu conteúdo precisa de tempo para um bom entendimento.

Livro aberto no meio

Um fragmento do livro

Para que você conheça um pouco dessa obra, deixaremos alguns fragmentos que fazem parte do livro e que podem ser úteis para que você o descubra, chamando a sua atenção para a filosofia, se é um estilo que você apreciaria. Em uma das cartas, ele fala sobre o helenismo:

 

(…) Sócrates conta que uma vez ficou parado na frente de um posto onde havia muitos objetos expostos. No final, ele exclamou: – Quantas coisas que não me fazem falta!

Essa exclamação pode servir como manchete da filosofia cínica, fundada por Antistenes em Atenas por volta do ano 400 aC. Ele era aluno de Sócrates e notara, antes de tudo, a modéstia de seu professor.

Os cínicos ensinavam que a verdadeira felicidade não depende de coisas externas, como luxo, poder político ou boa saúde. A verdadeira felicidade não consiste em depender de coisas tão fortuitas e vulneráveis. E, precisamente porque não depende dessas coisas, pode ser alcançada por todos, e não pode ser perdida quando já foi alcançada.

(…)

Hoje, as palavras cínico e cinismo são usadas no sentido de falta de sensibilidade ao sofrimento dos outros.

Conclusão sobre O Mundo de Sofia

Depois dos cínicos, muitos filósofos voltaram a ter essa ideia de felicidade. É sedutor pensar que, reduzindo o número de elementos dos quais dependemos (precisamos), estaremos mais perto de nos sentirmos completos. Dessa maneira, seria mais fácil determinar os objetivos ou não nos sentirmos sobrecarregados pelo nosso próprio desejo.

 

Enfim, essas são apenas algumas pequenas pinceladas de um livro que seduziu várias gerações. Ele fez com que muitas pessoas acabassem estudando filosofia, além de ajudar muitos professores que se sentiam incapazes de tratar o assunto com seus alunos.