O que é a angústia e por que ela nos invade?

dezembro 25, 2018

Você saberia dizer o que é a angústia? Trata-se de um estado emocional paralisante no qual se misturam a ansiedade, o medo sem forma, a sensação de perigo, o vazio existencial e o peso de algo impossível de definir que não nos permite respirar. Este estado psicológico é muito comum na atualidade e, mesmo que muitas vezes seja associado aos distúrbios do pânico, também tem outros gatilhos que vale a pena conhecer.

É possível que alguns de nós tenhamos dito alguma vez: “estou angustiado(a)”. Esta palavra é muito familiar e não é difícil para os outros se colocarem no nosso lugar quando dizemos isso em voz alta. No entanto, do ponto de vista clínico, essa experiência psicológica é bastante complexa e até difusa.

Qual é exatamente a origem da angústia? Falamos somente de ansiedade ou existe algo mais? No campo da psicologia sempre há confusão e falta de consenso na hora de defini-la. No entanto, os filósofos, por outro lado, sempre foram muito claros sobre o que está por trás desse termo. A palavra angústia tem suas raízes no alemão “angst“, e define algo estreito, algo que provoca desconforto e aperto.

Para Søren Kierkegaard, por exemplo, esta emoção é a suposição de que as pessoas são finitas, e portanto estaríamos enfrentando algo que nos causa tontura e medo ao pensar sobre as (limitadas) possibilidades futuras que temos pela frente. Por sua vez, Jean-Paul Sartre explicou que o sentimento de angústia nasce quando se tem consciência de que tudo o que nos acontece é devido a nossas próprias decisões. Nós somos os verdadeiros responsáveis pela nossa felicidade ou infelicidade.

Homem observando o horizonte

O que é a angústia e como ela é caracterizada?

A angústia e a ansiedade compartilham um mesmo “convidado”: o medo. Mas no caso da angústia, existe uma série de pinceladas de base que dão forma àquela tela de sofrimento tão comum no ser humano em certos momentos de sua vida.

  • A angústia é o medo de algo indefinível.
  • A mente angustiada antecipa coisas irracionais, só pensa em perigos futuros.
  • O presente é um vazio onde a pessoa se sente afundada e paralisada. Seu olhar é orientado apenas para o amanhã que a incomoda e assusta.
  • Da mesma forma, esta experiência psicológica é acompanhada por sintomas físicos. Há uma sensação de asfixia, dor no tórax, palpitações…

Como podemos ver, à primeira vista é muito difícil diferenciar a angústia da mera ansiedade. Na verdade, na maioria das vezes os próprios transtornos de pânico têm como principal sintoma a sensação de angústia. Por esta razão, é comum que os dois andem de mãos dadas e que a própria mente angustiada atue como um gatilho para um ataque de pânico. São realidades clínicas muito complexas, geralmente delimitadas quando cada paciente é avaliado individualmente.

Mulher sentada dentro de caixa

Por que sentimos angústia?

Os filósofos explicaram que a angústia acontece no ser humano quando tomamos consciência de nossa existência como tal. De que não somos eternos, de que as nossas decisões nos marcam, de que o tempo passa… Essa incerteza está muito presente na atualidade, e está por uma razão muito simples. Se há algo que caracteriza a sociedade moderna, é não saber o que vai acontecer amanhã. O trabalho, a economia, os relacionamentos… Tudo pode mudar de um dia para o outro, e tudo isso gera angústia.

Assim, algo que devemos esclarecer em primeiro lugar é que sentir angústia é algo completamente normal. Não há nada de patológico nisso. Não se essa angústia for adaptativa. Ou seja, se o que conseguimos com ela é refletir sobre a nossa situação para depois tomar alguma decisão para o futuro. É o que Sigmund Freud definiu como “angústia realista”.

Mulher angustiada

Agora, do lado oposto teríamos a angústia desadaptativa. É o que descrevemos anteriormente e que teria as seguintes origens:

  • Crises pessoais que não foram gerenciadas de forma adequada. São estados que se tornam crônicos com o tempo e que podem ser combinados com outros distúrbios, como a depressão.
  • Sensação de bloqueio ao nos sentirmos incapazes de lidar com certas situações. Fatores como o desemprego, uma separação, uma mudança que está a ponto de acontecer podem determinar sua aparição.
  • Problemas em nossos relacionamentos sociais, desavenças, decepções…
  • Da mesma forma, também é importante falar do fator genético. Muitas vezes a angústia se instala em nós sem razão aparente. Sabe-se, por exemplo, que há pessoas com uma maior predisposição para experimentar aumentos de adrenalina ou sofrer reduções no ácido gama-aminobutírico (GABA). Todas estas alterações neuroquímicas propiciariam o surgimento da angústia.

Para concluir, vale dizer que as crises de angústia costumam ser administradas de forma adequada por meio da terapia. A terapia cognitivo-comportamental, terapia de aceitação e terapia de compromisso, bem como abordagens como o mindfulness, são as estratégias que fornecem os melhores resultados. Nos casos mais graves, também é possível optar por abordagens farmacológicas.