O que é a auto-observação e como ela afeta as relações sociais?

Existem aqueles que se adaptam ao contexto para se ajustar a ele e aqueles que simplesmente são governados por seus estados internos. Seu nível de auto-observação é decisivo quando se trata de identificar a qual grupo você pertence.
O que é a auto-observação e como ela afeta as relações sociais?

Última atualização: 25 Novembro, 2021

Basta sentar-se um pouco com um grupo de pessoas e observá-las interagir, para identificar as diferenças. Alguns tendem a chamar a atenção, enquanto outros preferem ficar em segundo plano. Haverá quem mostra todo o seu carisma, modula a voz e reage de forma expressiva, e quem se limita a ser mais natural e despreocupado. Essa divisão de atitudes pode ser explicada a partir de um conceito interessante: a auto-observação.

Esse termo pode ser definido como o grau em que uma pessoa adapta seu comportamento ao contexto social. Ou seja, o nível em que ela se monitora para responder de forma socialmente desejável e adequada.

O uso dessa capacidade pode determinar o sucesso de nossas interações, mas também diz muito sobre nossa personalidade. Quer saber mais sobre isso? Continue lendo!

O que é auto-observação?

Auto-observação é um conceito proposto pelo psicólogo social Mark Snyder para dar conta de como as pessoas se comportam socialmente; especificamente, quanta atenção elas prestam ao seu comportamento, uma vez que está em conformidade com as expectativas sociais.

Às vezes, o termo automonitoramento e outros termos relacionados, como autocontrole e auto-apresentação, também são usados. Em última análise, o que estamos analisando é a importância para aquela pessoa da imagem que está projetando para os outros e em que medida se fiscalizam para que essa projeção seja positiva.

Junto com a teoria da auto-observação, Snyder projetou uma escala valiosa ao avaliar essa característica. Em outras palavras, determina onde elas estão no continuo. Nela, o sujeito é solicitado a avaliar seu grau de concordância ou discordância com afirmações como as seguintes:

  • Nem sempre sou a pessoa que pareço ser.
  • Eu rio mais quando estou assistindo uma comédia com outras pessoas do que quando estou sozinha.
  • Raramente sou o centro das atenções em grupos.
  • Tenho tendência a mostrar diferentes partes de mim mesmo para pessoas diferentes.
  • Tento prestar atenção às reações dos outros ao meu comportamento para evitar ficar fora do lugar.
Homem com cara estranha

Auto-observação alta ou baixa: onde você está?

Dependendo das respostas dadas ao questionário, a pessoa obtém uma pontuação que a coloca na zona alta, baixa ou intermediária do continuum de auto-observação. Geralmente, existem algumas características comuns para indivíduos que compartilham pontuações semelhantes:

Pessoas com alto automonitoramento

  • Elas são extrovertidos e orientados a atuar para outras pessoas.
  • Elas agem de acordo com o contexto e são regidas por situações específicas.
  • Elas tendem a supervisionar e monitorar seu comportamento para adaptá-lo às demandas sociais.
  • Elas são mais sensíveis à expressão e auto-apresentação dos outros. Elas são boas lendo as pessoas que estão à sua frente.
  • Elas tendem a ter amigos diferentes para atividades diferentes, elas tendem a segregar o público.

Pessoas com baixa auto-observação

  • Elas são introvertidas e voltadas para si mesmas.
  • Elas são regidas por seus princípios, crenças e disposições pessoais, independentemente do contexto em que se encontram. Portanto, elas não mudam dependendo da situação.
  • Elas geralmente não tentam se adequarem ao contexto; elas são mais espontâneas e despreocupadas.
  • Elas têm “amigos para tudo”, não os diferenciam dependendo da atividade.

Vale ressaltar que essas características representam os escores mais altos e mais baixos, mas grande parte da população encontra-se em posições intermediárias. Portanto, é provável que você não se sinta 100% identificado com nenhuma das descrições anteriores.

Amigos conversando

Que repercussões esse traço tem a nível social e pessoal?

O grau de auto-observação tem grande influência no plano social. Aqueles que apresentam alto automonitoramento tendem a ser mais carismáticos e bem-sucedidos em suas interações com os outros, são o centro das atenções e se adaptam melhor às demandas de diferentes contextos.

Por outro lado, aqueles que mostram um baixo nível de auto-observação podem experimentar mais frequentemente rejeição social ou vivenciar interações insatisfatórias. Eles são um tanto insensíveis à norma e isso pode causar problemas para eles.

A vida é um grande teatro e essas pessoas se preocupam menos em cuidar do roteiro. Além disso, observou-se que elas podem apresentar maior risco de sofrer depressão, pois, ao manter uma imagem tão coesa de si mesmos, qualquer situação que ameace um de seus papéis teria maior impacto global.

No entanto, não é um traço patológico ou negativo em si. Foi demonstrado que a baixa auto-observação está relacionada a uma maior autoestima implícita; ou seja, nessas pessoas há menos diferença entre seu eu real e seu eu ideal. Além disso, ao interagir com outras pessoas em um nível emocional ou sexual, é mais provável que elas priorizem a personalidade em relação à aparência física.

Em última análise, o objetivo será sempre qualificar nossas tendências para encontrar um equilíbrio que seja funcional para nós no dia a dia. A adaptação social pode nos trazer grandes vantagens, mas a preocupação excessiva com a maneira como nos projetamos e como os outros nos veem pode desencadear problemas de ansiedade. Assim, no ponto médio, encontraremos o bem-estar.

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