O que é uma utopia?

· fevereiro 11, 2018

“Utopia” é uma palavra comum nos nossos afazeres diários. É usada como argumento ou contra-argumento na hora de discutir sobre sociedades idílicas ou hipotéticas. Mas o termo “utopia” tem uma profundidade maior do que o que a sociedade nos mostra ou utiliza. Por este motivo, é importante fazer uma pergunta: o que é uma utopia?

Em primeiro lugar, podemos recorrer à etimologia e à origem desse conceito. O termo utopia vem do grego e significa de maneira literal “não-lugar”, que representa um lugar que não existe. A primeira vez que foi usado foi na obra Utopia de Thomas More. Essa famosa história acontece em uma ilha com um governo pacífico e idílico e constitui uma crítica à organização política dos séculos XV e XVI.

Ao longo do artigo, para entender em profundidade o conceito de utopia, vamos nos concentrar tanto em sua definição quanto em sua utilidade. Isso irá nos ajudar a gerenciar o termo e a não cair na linha que reivindica a utopia como um sinônimo do impossível.

O que é uma utopia? Conheça a definição

Há muito tempo a sociedade tem sonhado com um mundo idílico e uma maneira de gerenciar a sociedade perfeita. Daí nasce o uso do termo utopia. Isso consiste em uma teoria sobre como se deveria organizar de forma perfeita uma sociedade, estado, comunidade ou parte dos mesmos. Um aspecto importante é que este mundo hipotético não tem uma utilidade imediata, não procura encontrar um sistema político que possa ser aplicado no contexto atual.

Quando se constrói esta teorização, o que se procura é a fórmula do melhor sistema possível. Apenas se procura dar forma à ideia a partir de termos teóricos, sem levar em conta o grau de dificuldade ao transferir essa ideia ou esquema para a realidade. Desta forma, uma sociedade perfeita pode ser criada de forma hipotética. Agora, a ideia da perfeição da sociedade é um pouco ambígua e interpretativa; um fato, ao longo da história e de acordo com o indivíduo, foi mudando quase que de maneira constante.

O que é uma utopia?

Podemos encontrar muitos exemplos de utopias ao longo da história. Talvez uma das mais antigas seja a utopia de Platão. Nela, a sociedade seria dividida em três classes atribuídas por suas competências e habilidades: a classe política, a classe militar e a classe de produtores. Assim, o bom funcionamento e gestão dessas classes asseguraria uma sociedade perfeita e pacífica.

Podemos também encontrar utopias mais modernas, como o socialismo utópico, o qual foi criado como uma crítica ao capitalismo e à exploração dos indivíduos através da apropriação de sua força de trabalho. Esta utopia se baseia numa sociedade cooperativa e autogerenciada. Através do apoio mútuo, do trabalho coletivo e da decisão de se reunir, seria possível alcançar o ótimo funcionamento da sociedade.

A utilidade da utopia

A utopia é um conceito amplo e profundo, muito utilizado por filósofos, pensadores e políticos. Mas a próxima pergunta que surge é: que utilidade tem a criação de uma sociedade perfeita no abstrato, que pode encontrar muitas resistências no caso de haver uma séria tentativa de levá-la à realidade? Muitos podem cair no erro de pensar que as utopias carecem de pragmatismo ou têm apenas uma utilidade literária ou de passatempo, mas isso não é bem assim.

Ao avaliar a utilidade de uma utopia, podemos encontrar 4 funções diferentes. Essas irão depender do que o autor estava procurando ao criar essa sociedade idílica. Essas funções são as seguintes:

  • Função crítica: uma utilidade das utopias é como crítica para a organização social atual. Construir um sistema utópico serve para ver/medir a distância da organização social atual dele, o que serve para questionar a validade do sistema social atual e avaliar a necessidade de mudanças políticas.
  • Função avaliadora: outra função, muito relacionada com a anterior, seria a que destaca a influência da utopia no estudo de diferentes sociedades. As utopias podem servir para refletir sobre os diferentes métodos de organização social e assim conhecer melhor nosso sistema político e social.
  • Função esperançosa: também podemos ir a uma posição mais humanista do termo. Podemos achar que algumas utopias têm a função de gerar esperança no ser humano. Tentar fazer chegar aos indivíduos a ideia de que uma sociedade melhor é possível.
  • Função orientadora: por último, e talvez a função mais útil, seja usar a utopia como objetivo ou meta. Estabelecer como objetivo algo perfeito e ideal serve para manter um progresso contínuo, e para não ficarmos presos na falsa ilusão de que vivemos no melhor sistema possível.

Homem em mundo distópico

O termo utopia é usado em muitas ocasiões como sinônimo de impossível. Inclusive atribui-se ao mesmo um caráter idealista e de pouca utilidade. No entanto, essa concepção não deixa de ser um erro: as utopias nos permitem identificar o objetivo a alcançar, elas atuam como uma bússola. E isso não é trivial, uma vez que uma das motivações mais poderosas que os seres humanos têm é procurar o melhor.