O que fazer quando você se sente infeliz no trabalho?

março 19, 2019

Contar com um emprego que nos permita ganhar a vida (sem perdê-la) nem sempre é algo fácil. Poderíamos dizer que quando um indivíduo está infeliz no trabalho bastaria buscar outro emprego, mas devido às complexidades do mercado, esse passo também não é tão simples.

Tudo isso ajudaria a explicar o motivo pelo qual as doenças mentais associadas ao trabalho estão se tornando cada vez mais comuns.

Pesquisas como a que foi publicada na revista Research in Economics evidenciam algo fundamental: a satisfação pessoal dos trabalhadores melhora o desempenho de uma organização. Ou seja, um trabalhador feliz, que é reconhecido pelas suas habilidades e os seus esforços, representa um fator importante para qualquer empresa.

Apesar disso, algo tão evidentemente lógico parece não ter nenhuma relação significativa com parte do panorama trabalhista que vemos hoje diante de nossos olhos.

Um grande número de organizações menospreza o valor dos seus funcionários para se concentrar somente nos resultados e no alcance de suas metas. Existem empresas que se baseiam, quase exclusivamente, nas lideranças verticais, rígidas, tradicionais e carentes de inteligência emocional.

No caso de nós não nos adaptarmos a essas engrenagens inflexíveis, seremos rapidamente substituídos por novas pessoas, reciclando assim a mão de obra em um sistema cada vez mais competitivo.

Essas dinâmicas que valorizam mais a produtividade do que o bem-estar, e focam o lucro em vez de exaltar a capacidade de inovação e a valorização do potencial de cada trabalhador, fazem com que, atualmente, a incidência de transtornos psicológicos ligados ao trabalho não pare de aumentar.

Na verdade, a principal fonte de estresse de nossas vidas é proveniente do trabalho.

Pesquisas como a publicada na revista The Scientific World Journal indicam que a infelicidade no trabalho afeta a nossa saúde e altera todos os nossos hábitos cotidianos (a alimentação, o sono, o lazer, etc.). O que podemos fazer em situações como esta?

“Quando o trabalho é um prazer, a vida é bela. Mas quando ele é imposto, a vida é uma escravidão”.
– Maxim Gorki – 

Homem infeliz no trabalho

Sou infeliz no trabalho (e não sou o único)

Ser infeliz no trabalho leva, com frequência, a ser infeliz também na vida. Um emprego ocupa grande parte do nosso tempo e cria, além disso, uma visão de nós mesmos, uma imagem que deveria nos tornar dignos.

Desse modo, o fato de acordar cada manhã com a preocupação de ter uma ocupação que gera ansiedade, pressão, baixa motivação e insatisfação pode nos mergulhar em um estado psicológico pouco saudável e até mesmo perigoso.

Como curiosidade, em 2017 foi realizado um estudo nos Estados Unidos para descobrir qual era o nível de satisfação pessoal dos funcionários de um grande número de empresas do país. Os resultados desse relatório foram muito interessantes:

  • 75% dos trabalhadores estavam buscando novos empregos para deixar aqueles que ocupavam.
  • 77% declararam que aqueles que eram mais capacitados e que acrescentariam mais para a empresa eram ignorados.
  • 44% indicaram que os trabalhadores mais qualificados nunca eram levados em consideração.
  • 55% revelaram que a sua remuneração não era compatível com o seu desempenho.

Esses dados mostram aquilo que realmente acontece em grande parte do mercado profissional de muitos países. No entanto, vejamos a seguir quais são as causas pelas quais um indivíduo pode se tornar infeliz no trabalho.

Mulher infeliz no trabalho

Causas pelas quais não estamos acostumados a nos sentir satisfeitos no trabalho

  • Remuneração. O salário continua sendo a principal causa de insatisfação profissional.
  • Insegurança no trabalho. Atualmente a incerteza de conservar ou não o emprego e a instabilidade estão entre as principais causas de estresse e preocupação na população.
  • Tipos de trabalho. O tipo de trabalho que nós realizamos também é muito relevante. Pode ser que ele esteja muito abaixo da formação acadêmica, pode ser que não nos identifiquemos com o mesmo, que seja monótono, que nos submeta a turnos rotativos complicados que acabem afetando a saúde, e que nos impossibilitem, inclusive, de ter alguma ligação social com outros trabalhadores.
  • Ambiente profissional. Este aspecto é crucial para nos sentirmos ou não satisfeitos em um trabalho. Existem ambientes caracterizados pela pressão e pela competitividade. Cenários com colegas tóxicos, com chefes abusivos, etc.
  • Chefes com habilidades nulas. A chefia de uma organização implica a tarefa de saber liderar, implica ser hábil na hora de aproveitar as habilidades das pessoas, de incentivar, de criar ambientes produtivos, respeitosos, saber inovar, etc. Se isso não acontece ou não é incentivado, é comum se sentir infeliz no trabalho.

O que posso fazer se sou infeliz no trabalho?

Quando um indivíduo é infeliz no trabalho, podem acontecer duas coisas. A primeira delas é que ele escolha abandonar esse emprego. A segunda, e mais comum, é se acostumar com a ideia de que não resta outra possibilidade além de se adaptar a uma ocupação ingrata em troca de um salário.

Pois bem, tanto se escolhermos a primeira proposta quanto a segunda, sempre haverá espaço para uma terceira via intermediária sobre a qual refletir. Tratam-se de diferentes estratégias para melhorar (na medida do possível) a nossa situação:

  • Manter o contato com pessoas dentro da própria organização que nos tragam positividade, companheirismo, motivação e energia positiva. Devemos evitar os perfis que contagiam o mau humor e a negatividade.
  • Descobrir se existe a possibilidade de assumir outro tipo de trabalho na mesma organização, seja através de promoções ou mudanças para áreas com funções mais atrativas.
  • Se contamos com um chefe, um diretor ou outra pessoa que está acima de nós e mantém uma liderança tóxica e abusiva, tentaremos manter sempre os limites. Concordar ou obedecer certas coisas humilhantes, ou que são contra os nossos valores, é perigoso para a nossa integridade física e psicológica. Na medida do possível, manteremos sempre a nossa própria dignidade.
  • É importante que, no final do expediente, saibamos nos desconectar completamente. Na medida do possível, deve-se evitar levar para casa a pressão, a preocupação e as dinâmicas profissionais complexas.
Chegar ao topo no trabalho

Por último, devemos considerar certos alertas. Limites que devem nos fazer refletir sobre a ideia de que, em algumas ocasiões, é melhor abandonar um emprego do que perder a saúde.

Se os nossos esforços e capacidades são ignorados, se o ambiente é tóxico e abusivo, a remuneração é insignificante, e nós percebemos que isso está afetando a nossa vida como um todo, o melhor é buscar outras opções. Ser infeliz no trabalho é algo que ninguém merece.