O que se esconde por trás do silêncio?

· dezembro 28, 2015

O que se esconde por trás do silêncio? Confusões, verdades, jogos de palavras, ilusões, sonhos, mentiras, segredos, inquietações, medos, desculpas, imaginação ou talvez… nada importante.

Tudo o que nossa mente é capaz de pensar e não dizemos é aquilo que calamos.

Lembremos que temos, aproximadamente, 70.000 pensamentos por dia, e que entre todo esse matagal de informação selecionamos aqueles que são mais relevantes para nós.

É essa capacidade incrível da nossa memória que nos faz criar grandes histórias, e a que também nos faz vulneráveis.

Que pensamentos escolhemos? Ou melhor dizendo, são todos verdadeiramente relevantes?

O que se esconde por trás do silêncio?

O silêncio e os pensamentos

 “Há poucas coisas tão ensurdecedoras quanto o silêncio”

– Mario Benedetti –

Quando pensamos, na maioria das vezes nos encontramos em silêncio, embora internamente não tenhamos um ruído contínuo decorrente dos nossos pensamentos. Entre eles estão os pensamentos automáticos que são aqueles que utilizamos para interpretar e explicar de uma maneira rápida as situações do nosso dia a dia.

São essas frases que provêm da nossa voz interior e que nos dão uma explicação a respeito do que acontece em nosso entorno, aquilo que interpretamos dos atos dos outros e inclusive de como somos.

São aquelas frases que nos vêm à cabeça rapidamente e que, na maioria de ocasiões, não expomos aos outros. Não nos perguntamos se elas realmente têm fundamento ou se, pelo contrário, são simplesmente especulações sobre as quais não temos suficientes dados e que se apóiam somente em “fumaça”.

Pode parecer que são menos elaborados, mas estes pensamentos vêm da nossa visão do mundo mais profunda: os esquemas de base.

Os esquemas são as crenças e regras através das quais estabelecemos os nossos valores, que vamos formando ao longo da vida.

São formados com nossas experiências na vida. Neles, se sustenta tudo o que pensamos a respeito do que vemos com a educação que recebemos.

O que se esconde por trás do silêncio?

Como interpretamos o silêncio dos outros?

Somos seres acostumados a explicar tudo, pois não gostamos da incerteza, do que não podemos controlar.

Embora só sejamos capazes de ver dez por cento da realidade, “preenchemos” esse vazio com nossa própria explicação apoiada em como “deveria” ser o mundo.

Pensamentos como: “Se tal pessoa se cala é porque esconde alguma coisa ruim”, ou “Quem cala consente” são algumas das frases que escutamos em nossa vida. Se as utilizarmos de maneira constante e sem dados que as apóiem, muito provavelmente estaremos errando.

Não somos leitores de mentes, nem sequer somos psicólogos. 

Nos apoiamos em dados que possam confirmar se aquilo que pensamos se ajusta à realidade, ou se são apenas crenças irracionais que fazem que nos sintamos mal ou que acusemos os outros por suas supostas intenções.

Administrar o silêncio é mais difícil do que administrar a palavra.

O que se esconde por trás do silêncio?

O melhor é que seja essa pessoa a que nos comunique o que está acontecendo com ela, mas sempre respeitando seu direito de não querer comunicar alguns de seus pensamentos. Temos direito à intimidade e à privacidade..

Se você é a pessoa que quer manter o silêncio, assegure-se de que não esconde uma informação que possa afetar os outros. Quer dizer, há coisas que temos que contar, embora seja difícil, pois têm relação direta com pessoas que amamos, e tais segredos podem estar limitando a sua própria liberdade.

Se cedo ou tarde essa informação for descoberta por terceiros ou por circunstâncias da vida, o golpe e o problema em uma relação será muito pior.

As palavras têm uma capacidade incrível, mas o silêncio também.

Somos apenas intérpretes da realidade. Da nossa realidade. Que não é igual a dos outros.

Sim, o silêncio pode doer e muito. Mas também pode não esconder nada importante, tão somente imaginação. E isso é infinito.

Ouça, meu filho, o silêncio.
É um silêncio ondulado,
um silêncio onde escorregam vales e ecos
e que inclina as frentes para o chão.

– F. G. Lorca –