O sentido da vida se escreve com calma e paciência

O sentido da vida se escreve com calma e paciência

abril 17, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
O sentido da vida se escreve com calma e paciência

O sentido da vida nem sempre aparece quando estamos apaixonados ou através de uma paixão… que da mesma forma que chega, às vezes vai embora. É através de um coração em calma e um interior tranquilo que podemos apreciar muito melhor os tesouros que nos cercam, bem como as forças adormecidas que todos nós temos e ainda não conseguimos desenvolver ou mesmo apreciar.

Algo que muitos filósofos comentam, e também alguns psicólogos especializados principalmente em fonoaudiologia, é que é muito difícil encontrar nossos propósitos pessoais no meio da cultura que nos cerca. Recebemos tantos estímulos de tantas fontes ao mesmo tempo que é muito complicado filtrar toda essa intoxicação para escutar a nossa própria voz, o barulho do nosso autêntico ser.

Adam Steltzner, cientista da NASA que projetou o Curiosity e que realizou com sucesso a aterrissagem deste veículo móvel no solo de Marte, afirmou que em nenhum momento durante sua infância e juventude ele pensou que dedicaria sua vida a tal projeto. Na verdade, seu desejo era ser cantor de rock. Ele tinha sua própria banda, fazia shows e nem sequer tinha interesse em ir para a faculdade como o resto de seus colegas.

Em uma noite, tudo mudou. Ele voltava para casa depois de um ensaio, andando sozinho na rua e o céu não podia ser mais claro. Silêncio e calma. Foi então que ele olhou para cima e ficou hipnotizado ao ver as estrelas; em particular, a constelação de Orion. Ele ficou lá por mais de meia hora, fascinado. Lá estava ele, alguém acostumado ao som, música e agitação, de repente encontrando o sentido da vida no meio do silêncio.

Poucos meses depois ele se matriculou na universidade para ser físico. Sua aventura pessoal estava apenas começando…

As maravilhas do universo

Ver, pensar e falar com calma: a teoria de Nietzsche para encontrar o sentido da vida

Às vezes temos a clara sensação de ser como uma folha levada pelo curso de um rio. Nós mal temos tempo para aproveitar o que nos rodeia. Não podemos permitir que a brisa do vento nos levante alguns segundos para ter uma perspectiva melhor do que nos rodeia, nos excita ou nos assusta. Mesmo do irrelevante.

A nossa cultura, nossa educação e até mesmo a própria sociedade incentivam aqueles que nos fazem prisioneiros, os nossos próprios hábitos. Alguns de nós até nos tornamos viciados nas recompensas imediatas, nos prazeres fugazes… Queremos tudo e ao mesmo tempo nos sentimos vazios, queremos ser únicos e especiais, mas ao mesmo tempo ansiamos pelos traços ou pelos pertences que vemos nos outros.

É difícil alcançar o sentido da vida em meio a esta dinâmica irreflexiva e, ao mesmo tempo, insatisfatória. Assim, e como curiosidade, devemos lembrar o que Friedrich Nietzsche nos disse sobre esse problema: para encontrar o objetivo de nossa existência, devemos ser capazes de ver, pensar e falar com calma. São os três princípios que o filósofo definiu como aquilo que ergue a cultura aristocrática.

Nietzsche

A cultura aristocrática ou a necessidade de educar através da calma e da paciência

Em “Crepúsculo dos Ídolos”, Nietzsche explicou que todo educador deveria ter um objetivo em seu trabalho: estabelecer as bases da chamada cultura aristocrática. Agora, longe de relacionar esse ideal ou propósito com as classes mais altas, o que o famoso filósofo alemão buscava era treinar todas as novas gerações em um modo de pensar mais refinado e exigente. Fazer com que cada pessoa transformasse sua vida em uma autêntica obra de arte.

Ele recomendava aos educadores que focassem seu trabalho em três eixos muito específicos:

  • Aprender a ver o que nos cerca de forma lenta, sem antecipar. Pelo menos, não fazer isso antes de olhar.
  • Aprender a falar e a escrever da mesma maneira. Se habituarmos o olho a aprender a olhar com calma, nossa mão e nossa comunicação também devem proceder da mesma maneira, com calma e sentido.
  • O terceiro pilar da educação seria evitar que as pessoas reagissem por mero instinto. Para isso, devemos ser capazes de pensar com equilíbrio e, acima de tudo, com julgamento.

Assim, todos aqueles que integram essas capacidades em seu ser, que podem ver, olhar e falar com calma e paciência, mais cedo ou mais tarde encontrarão o sentido da vida, aquele que mais os define, aquele que melhor se adapta à sua identidade.

Homem observando o céu

O sentido da vida, uma busca que não precisa gastar a sola dos nossos sapatos

Para encontrar o sentido da vida, não é preciso viajar até o Tibete. Não é preciso dar a volta ao mundo com uma mochila nas costas e pegando carona. Nós vamos ganhar experiências, não há dúvida, mas o mais provável é que não encontremos as respostas que buscamos. Como disse Hakuin, um poeta japonês do século XII, quando uma pessoa não sabe onde está a verdade, ela comete o erro de buscá-la o mais longe possível. Na realidade, o segredo de todas as suas dúvidas está no seu próprio interior.

Portanto, não precisamos desgastar as solas dos nossos sapatos para ter um sentido da vida próprio. Trata-se apenas de criar um espaço mental para favorecer a reflexão. Como conseguir isso? As seguintes chaves podem nos ajudar.

  • Diminua o ritmo.
  • Faça uma lista do que é uma prioridade em sua vida e o que não é, o que faz você se sentir bem e o que lhe dá calma. Higienize os espaços mais importantes da sua vida.
  • Dedique mais tempo a si mesmo, procure espaços ao longo do dia em que você possa estar calmo e em silêncio.
  • Recupere sua capacidade de se surpreender. Seja aquela pessoa que pode se dar ao luxo de olhar as estrelas à noite, apreciar as nuances incomuns no meio das cidades, a magia escondida em nossa vida cotidiana.
  • Tome consciência daquelas coisas que lhe dão alegria, que fazem você se sentir bem e inspiram curiosidade, porque é aí que se esconde o que lhe dá sentido, o que o define…

Plantas em formato de coração

Para concluir, vale ressaltar que nossos propósitos de vida mudam com frequência em várias ocasiões ao longo de nossa existência. É algo normal e até desejável, porque responde ao nosso próprio movimento, a aquele crescimento humano em que, à medida que buscamos e descobrimos as coisas, alimentamos novas aspirações, novos objetivos.

Afinal, a vida é movimento, e se soubermos ouvir nosso interior com a calma que ele merece, sempre encontraremos as respostas de que precisamos.

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