Se parar de olhar para seu umbigo, verá que não é o centro do universo

Se parar de olhar para seu umbigo, verá que não é o centro do universo

dezembro 11, 2016 em Psicologia 3970 Compartilhados
Se parar de olhar para seu umbigo, verá que não é o centro do universo

Todos nós conhecemos pessoas que acreditam que são os únicos habitantes do mundo. Para elas, não importa o que aconteça, estão sempre pior do que você, sempre sofreram mais e suas vidas foram muito mais difíceis. Aquelas pessoas a quem queremos dizer: “se você aumentar a visão de seu umbigo, verá que ele não é o centro do universo”.

Carecem de um equilíbrio emocional e vivem sendo parasitas dos outros, utilizando a pena como arma de sedução. Elas não têm um só rosto, mas se disfarçam daqueles que melhor lhes convier, a fim de se tornarem o umbigo do mundo.

São crianças tentando chamar a atenção e, por isso, não hesitam em usar os sentimentos dos outros. Utilizam os extremos das emoções de outras pessoas para suplantar sua dor, com base em artifícios disfarçados de histórias de sua própria autoria.

Estas histórias são muitas vezes exageros de alguma realidade que possam ter conhecido, mas que depois de passar pelo filtro do seu umbigo, se existir qualquer semelhança com a história original, é mera coincidência. Assim, com essas histórias, tentam conquistá-lo apelando para a pena que podem despertar em você.

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O eu-ismo, ou a arte de olhar apenas para o próprio o umbigo

O eu-ismo, ou a arte de olhar apenas para o próprio o umbigo, consiste em passar a vida falando em tons de eu. Sim, esse eu-ismo é caracterizado pelo “e eu mais”, “o meu é pior”, “eu só sei que sempre acontecem as piores coisas comigo” ou “eu sou a pessoa com a pior sorte do mundo”.

Essas pessoas reclamam que não são ouvidas, que ninguém as entende, mas elas são as primeiras que param de ouvir para falar das suas lamúrias. Muitas vezes esse comportamento é inconsciente, porque é a única maneira de não se sentirem sozinhas.

Em tais casos, são pessoas com baixa autoestima, que não sabem comunicar seus sentimentos de maneira correta. Além disso, elas também costumam carecer de habilidades sociais que lhes permitam uma melhor comunicação e, acima de tudo, compreender o outro e colocar-se em seu lugar.

Em outros casos, essa arte de olhar para o próprio umbigo é feita de maneira completamente deliberada. Neste caso, elas demonstram sua falta de empatia. São pessoas egoístas e prejudiciais. E é por causa desse egoísmo que se tornam manipuladores emocionais.

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Características dos egoístas emocionais

Esses manipuladores emocionais são egoístas de maneira consciente porque tentam obter algum benefício dos outros apelando para a pena, e têm as seguintes características identificáveis:

  • A insatisfação vital: eles não gostam de viver a vida e, portanto, inventam uma realidade paralela. Com essa realidade tentam chamar a atenção das pessoas que estão ao seu redor utilizando para isso as histórias dramáticas.
  • Sentem prazer na lamentação: geralmente encontram prazer no ato de reclamar, porque assim assumem melhor seu papel de “pobres vítimas” e conseguem chamar a atenção dos outros. Mas isso só acontece no início, com o tempo voltam a estar sozinhos. Como se costuma dizer, pouco atrai, mas muito esgota.
  • Chantagem emocional: porque se você realmente gosta dessas pessoas, não vai deixá-las sofrendo sozinhas. Simples assim. Essa é a premissa para continuarem chamando atenção através da pena. Trata-se basicamente de fazer-nos acreditar que somos pessoas más se não obedecemos às suas demandas.
  • Profundo egocentrismo: derivado da falta de empatia. Estas pessoas dão como certo que merecem mais do que os outros, e quando não recebem, reclamam. Quando não recebem a atenção que acham merecer, reclamam. Em suma, eles são importantes e o resto está aí para servi-los.

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Como lidar com essas pessoas

É muito difícil lidar com esse tipo de pessoa e evitar as chantagens e os confrontos. É complicado manter uma convivência pacífica com esses manipuladores emocionais, porque eles vampirizam todos os seus recursos, ao mesmo tempo em que fazem você se sentir culpado.

A primeira coisa que você tem que saber é que a utilidade das suas queixas ou das suas histórias encontra-se em conseguir o que querem. Num primeiro momento, a reclamação pode ter surgido a partir de um motivo razoável, tais como uma perda ou uma experiência muito negativa.

Naquele momento, a pessoa se queixou e encontrou o apoio de todos à sua volta. Mostrou que era uma vítima (sofrida e dolorosa) e provavelmente recbeu mais atenção. Esta atenção forneceu as próprias necessidades emocionais que tem. Assim, as queixas e o egoísmo se tornaram a sua maneira de se relacionar.

Portanto, é uma habilidade que pode ser corrigida como qualquer outro aprendizado. Mas isso requer admissão por parte do egoísta, que está sendo assim ao falar apenas sobre os seus sentimentos e ao inventar histórias para chamar a atenção desejada dos outros.

O que você, como conhecedor e sofredor do egoísta, pode fazer é tentar fazer com que ele seja consciente do seu problema para que, se assim quiser, possa pedir ajuda. Para fazer isso, utilizar estratégias de comunicação como “a técnica do sanduíche” pode ajudar.

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A técnica do sanduíche consiste em fazer uma crítica e conseguir que ela seja bem recebida. Comece pontuando uma qualidade positiva da pessoa, em seguida, mencione o que você acha que poderia ser melhorado, e termine com algumas palavras positivas em relação o que recebe a queixa.

Neste caso, poderia ser: “Eu entendo que o que está acontecendo com você faz muito mal, mesmo você sendo uma pessoa muito forte, mas eu estava falando sobre o que me preocupa e eu gostaria que você me ouvisse assim como eu faço com você, porque normalmente me ajuda muito”.

Assim você poderá expressar o seu desconforto e, ao mesmo tempo, não permitir que esse vampiro emocional o absorva em seu círculo de egoísmo. Porque, embora queiramos lhe dizer para tirar os olhos do próprio umbigo, para que veja que não é o centro do universo, esta não é a forma mais adequada de abordar as pessoas. Se desejamos receber um bom tratamento, devemos dar um em primeiro lugar, seja como for a pessoa que recebe.

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