O orgasmo nas mulheres, um tema tabu

· junho 14, 2015

Até pouco tempo atrás, pensava-se que a única forma que o ser humano tinha de alcançar o clímax era por meio do contato, fosse pessoal ou com outra pessoa. Contudo, existe uma teoria que explica que isto não é tão necessário, pois podemos “simplesmente” utilizar o cérebro para consegui-lo.

Os pesquisadores da Universidade de Rutgers encontraram provas indiscutíveis de que os orgasmos femininos ocorrem através da estimulação, mas também do pensamento. Isto foi demonstrado através de ressonâncias eletromagnéticas, nas quais algumas partes do cérebro de uma mulher que se postulou como voluntária se acenderam. Ela preferia ter relações sexuais sozinha do que estar acompanhada.

A mulher afirmou que não queria estar com homens devido a possibilidade de se contagiar com alguma doença (principalmente AIDS) e por isso participou de uma oficina informal onde aprendeu algumas técnicas para poder chegar ao orgasmo usando a sua mente, seu pensamento.

Um pouco antes disto, no início da década de 70, se documentou a relação entre essa sensação do clímax e o cérebro nas mulheres. O Dr. responsável, Ian Kerner, constatou que o órgão sexual mais poderoso de todo o corpo não está no sistema reprodutor, e sim mais acima, no cérebro.

Para que as mulheres possam conseguir um orgasmo “mental” é preciso praticar muito e se concentrar no que está pensando e imaginando, muito mais que na estimulação física como está acostumada. Muitas que experimentaram dizem que é difícil, mas não impossível.

Será que 70% das mulheres fingem o orgasmo?

Sem dúvida, isso é algo que está presente no imaginário coletivo, mas que nem todas as mulheres se atrevem a revelar. Uma pesquisa mostrou que alguma vez estas mulheres haviam agido assim na cama enquanto tinham relações sexuais. Não quer dizer que o tenham feito sempre, mas pelo menos em uma ocasião.

Existe certo debate ético em torno desta pesquisa. Algumas sustentam que é errado mentir para o companheiro e do lado oposto se encontram as que argumentam que o fizeram para que o outro se sentisse melhor. Nenhuma das duas opiniões é boa ou ruim, e sim diferentes.

A pesquisa não perguntava o porquê desta decisão, mas os psicólogos sim podem identificar alguns motivos. Entre as explicações mais frequentes encontramos: falta de comunicação no casal, necessidade excessiva de agradar o outro, limitações emocionais, etc.  E isso não cabe somente à mulher, pois o homem também é responsável por não estimular, excitar ou realizar a sua parceira na cama.

Certamente, muitas mulheres pensam que os homens são os culpados por elas fingirem seus orgasmos, mas poderíamos dizer que esta é uma equação “50-50”. É verdade que se deve ao fato de não haver comunicação entre o casal, porque do contrário não haveria problema em dizer o que deveriam melhorar ou o que gostaria que fizessem.  Isto também preocupa o homem, porque nem sempre está “a par” dos gostos da seu esposa ou namorada.

As mulheres nem sempre sabem o que as excita ou do que gostam mais entre os lençóis, ou podem sabê-lo mas não o comunicam ao parceiro. Também pode acontecer que tenham se expressado, mas que o outro não consiga cumprir ou não tenha ideia de como fazê-lo. Por isso, insisto, as conversas intimas são muito importantes.

Não quero dizer que as mulheres são más por fingir um orgasmo, nem que os homens são negativos por não oferecer o que elas precisam, e sim que se trata de uma falta de conexão, de “feeling”, de química, ou como quiser chamar.

É verdade que os homens são mais simples em quase todas as questões da vida, e talvez não necessitem de um manual de instruções na intimidade. Para eles tudo é mais fácil, qualquer mulher pode estar de acordo com isto.

Não tenha medo de conversar como pessoas adultas, sem medos nem tabus. Pense que é bom para ambos que tenham bons momentos na cama, porque isso repercutirá na sua relação como casal. Se ela só pensa em satisfazer o seu namorado, parceiro, amante ou marido com um orgasmo fingido, essa é uma decisão pessoal, mas também é preciso pensá-lo como uma forma de esconder, de não dizer a verdade, de não enfrentar a realidade.

O sexo se pratica a dois, e você precisa se lembrar disso a todo momento. Vocês poderão, então, encontrar a solução para que isto não ocorra, sem importar qual seja a razão, sempre em conjunto. E principalmente, respeitar o tempo um do do outro. A mulher precisa de mais minutos para chegar ao orgasmo e para o homem talvez isso seja um fardo, contudo, para que ela realmente alcance o clímax, ele deverá “segurar” o seu impulso, com diversas técnicas muito eficazes.

E se não for possível que a mulher chegue ao orgasmo, fingi-lo também não é recomendável.  Por quê? Porque é uma forma de enganar o parceiro, por mais que pareça “exagerado”. Uma vez pode até dar um pouco de tempero à relação, mas deixa de ter esse valor quando se repete em várias oportunidades.

Foto cortesia de Artem Furman