Os cães nunca morrem, dormem junto ao nosso coração

Os cães nunca morrem, dormem junto ao nosso coração

novembro 28, 2015 em Psicologia 10227 Compartilhados
Os cães nunca morrem, vivem em nosso coração

Enfrentar a morte de um animal supõe ter que passar por um luto muito similar ao que passamos quando perdemos uma pessoa. Sabemos que falar nestes termos será imcompreensível para muitos, já que alguns não entendem a transcendência que os animais podem chegar a ter em nossas vidas. Mas, provavelmente, essas pessoas não estarão lendo este artigo.

O vazio provocado pela perda de grande parte da nossa alegria é um abismo que, antes, era recheado de felicidade cotidiana, fazendo parte da nossa rotina e, às vezes, até mesmo de nosso alívio emocional.

Nunca pediu nada em troca. Só um amor que não entende de egoísmos, só uma carícia ao chegar em casa, um olhar cúmplice, um espaço no sofá.  Os animais de estimação não sabem do passado ou do futuro, mas compreendem e têm interiorizada essa linguagem universal que, às vezes, nós esquecemos: as emoções.
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Era o cúmplice mais fiel de nossas carícias, companheiro que se aninhava aos pés da cama. O primeiro a acordar e o último a quem dávamos boa noite. Era o velhinho da casa que sabia ler, com seu olhar, a tristeza, ao mesmo tempo que a afastava.

Como não sofrer por sua perda? Seu vazio nunca poderá ser preenchido. Será essa ferida em nossas fotos e essa lembrança que, ainda que dolorosa, pouco a pouco encherá sua memória de cenas incríveis, de emoções únicas que farão sua vida melhor. Mais plena.

Falemos hoje desse assunto. Vamos compartilhar alguns recursos para enfrentar a morte de nossos animais de estimação.

1. Sinta-se livre para chorar e se expressar

Há quem não se atreva a dizer que seu sofrimento ou desânimo se deve à perda de seu animal de estimação. Não importa se for um cão, um gato ou um cavalo.

Era um ser vivo que fazia parte do nosso dia a dia, do nosso coração. Consequentemente, não tenha medo de usar palavras sinceras para expressar a dor que você está sentindo. É verdade que nem todo mundo irá compreendê-lo, mas muitas pessoas conseguirão entender o que você está sentindo.

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E o fato do resto das pessoas não compreenderem é problema delas. Sua realidade é sua e, como tal, você deve senti-la, tratá-la, vivê-la e controlá-la. Vamos viver o mesmo luto com qualquer outra perda, então haverá uma fase de negação, outra de raiva, outra de tristeza até que, finalmente, apareça a aceitação.

Chore o quanto você precisar e tenha sempre em conta o resto dos membros de sua família. Dê atenção às crianças, permita que expressem suas emoções, responda todas as suas perguntas e canalize todo o sofrimento que, provavelmente, elas sentem em seu interior.

Dê nome a cada emoção, expresse em palavras o que vier à sua mente e sobretudo, evite uma coisa: sentir-se culpado. Há momentos em que, quando um de nossos animais de estimação falece, nos perguntamos se poderíamos ter feito mais, se não erramos em alguma coisa.

Evite ficar obcecado com isso. Você fez tudo de melhor por ele e sabe, com segurança, que seu animal lhe agradeceria, principalmente por todo o amor que você tem por ele. Sua vida foi plena e isso foi graças a você.

2. Aprenda a viver com a rotina

Isso é o mais difícil de enfrentar. Nosso cão, nosso gato era parte fundamental de nossa rotina, era nossa sombra, nosso cúmplice, nosso espião e nosso pequeno companheiro de abraços, brincadeiras e carícias.

Os cães nunca morrem, vivem em nosso coração

Você deve saber muito claramente que o que vai ser mais difícil é controlar a dor ao ter que seguir com a rotina sem ele ou ela. Consequentemente, o que você deve fazer nos primeiros dias é NÃO evitar estes costumes.

Se, ao chegar em casa, você se sentava no sofá com ele, continue fazendo isso. Se você saía para passear com ele no parque em determinados horários, faça isso durante alguns dias. Será uma forma de despedida, de dizer adeus, mas guardando a memória das melhores lembranças. Pense em como ele o recebia em casa e em como ele passeava ao seu lado. Fique com esses bons momentos para deixar que outras rotinas, pouco a pouco, cheguem ao seu dia a dia.

Sorria quando se lembrar dele/dela. NÃO fique com o sofrimento dos últimos dias, com a doença ou com o declínio de sua saúde, mas sim com os sentimentos que ele despertou em você, com o melhor do animal. Fique com aquilo que o tornou mais humano, com o carinho incondicional que ele ensinou.

3. Seu amigo não pode ser substituído

Não tente fazer isso. Quando um de seus bichinhos falecer, não vá imediatamente procurar outro animal para adotar, para aliviar a dor. Os animais, assim como as pessoas, não podem ser substituídos.

Seu cão, seu gato é único, com suas características, com seu caráter, com tudo aquilo que lhe proporcionou: como tal, deixará uma marca em sua memória.

Assim, permita passar o tempo que precisar antes de adotar novamente, isso se você desejar fazê-lo. Nunca será possível substituir ou preencher o vazio com outra vida. Cada animal é excepcional e nos enriquecerá com sua presença, sua respiração, sua alegria… Não se esqueça disso.

Os cães nunca morrem, vivem em nosso coração

 Imagem: K. Lewis, Pascal Campion

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