Os hormônios da felicidade

As chamadas “moléculas da felicidade” são nossas melhores aliadas para o bem-estar e para a saúde mental. Entender o universo de hormônios como a dopamina e a serotonina também nos ajuda a nos conhecermos melhor…
Os hormônios da felicidade

Última atualização: 25 Dezembro, 2020

Os hormônios da felicidade são o motor da nossa superação cotidiana. Eles formam os impulsos que estimulam nossas relações e que nos fazem aproveitar a companhia dos que estão à nossa volta, além de favorecerem nosso aprendizado contínuo e nosso prazer a cada nova descoberta. Essas pequenas moléculas formam correntes de bem-estar que dissolvem a dor, promovem a empatia e até fomentam a confiança.

Vamos admitir: o que seria de nós sem elas? De alguma forma, esses elementos biológicos nos permitem (e nos permitiram) nos diferenciar das máquinas e dos robôs futuristas controlados pela inteligência artificial. Nós, seres humanos, somos orientados por essas moléculas que possuem vários propósitos e papéis fundamentais em áreas como a nutrição, a reprodução, e também a memória emocional.

É verdade que, em algumas ocasiões, as moléculas falham. De fato, às vezes atravessamos períodos em que o cérebro e outras partes do organismo não liberam essas moléculas na mesma quantidade e, então, passamos por fases de abatimento, apatia e negatividade. Fatores como a nossa saúde ou mesmo o nosso foco psicológico podem provocar esse déficit, essa carência de modo geral.

Ao nos aprofundarmos um pouco mais no universo químico dos hormônios, também conseguiremos compreender melhor o nosso próprio comportamento. Vejamos.

Cérebro e coração

Os hormônios da felicidade: quais são, funções e características

Vivenciar sensações positivas é uma das principais bases do comportamento humano (e também animal). Com elas, é possível não somente fortalecer o equilíbrio psicológico, mas também garantir a nossa sobrevivência. Graças a elas, encontramos motivação para fazer as coisas, para nos alimentar, construir ambientes mais eficientes, nos relacionar e reproduzir, cuidar dos outros, etc.

O bem-estar também cumpre, afinal, um objetivo biológico. E os conhecidos hormônios da felicidade são os mediadores desses processos tão variados e complexos. Graças a eles, é possível acontecer desde a regulação do nosso humor, passando pelas sensações de prazer e apego, até o alívio da dor. Vamos analisar cada uma dessas características a seguir.

1. Endorfinas: os melhores analgésicos da natureza

A palavra endorfina provém da junção de dois termos: endógeno, que significa algo vindo do interior do corpo, e morfina, que é um analgésico opiáceo. A sua função, como já podemos deduzir, é a de simplesmente aliviar a dor, amenizar o impacto do sofrimento e nos trazer sensações de bem-estar quando tomamos atitudes que o cérebro interpreta como adequadas.

  • As endorfinas são um grande grupo de peptídeos produzidos pelo sistema nervoso central e pela glândula pituitária;
  • Estão ligadas aos circuitos naturais de recompensa. Isso significa, que quando o cérebro as libera, é porque executamos tarefas biologicamente significativas, como comer, beber, praticar esportes, nos relacionar, ter relações sexuais, etc.

Podemos estimular a sua produção de maneira natural?

Existem muitas formas de estimular a produção deste hormônio. Como destacamos, a produção vai depender da execução de atividades e tarefas que o cérebro interpreta como positivas. Abaixo estão alguns exemplos:

  • Sair para caminhar todos os dias;
  • Escutar música;
  • Dançar;
  • Aprender coisas novas;
  • Conversar e partilhar momentos com os amigos;
  • Abraçar quem amamos;
  • Comer chocolate.

2. Serotonina, responsável pelo bem-estar

A serotonina é um hormônio que, além de ser produzido pelo cérebro, é encontrado em grande quantidade no sistema digestivo. Este hormônio é sintetizado a partir da transformação do aminoácido triptofano, e podemos dizer que ele possui mais funções além de ser o conhecido neurotransmissor da felicidade.

  • Além de favorecer o humor e o bem-estar, também cumpre funções essenciais, como fortalecer o apetite;
  • Este produto químico também é responsável por estimular as partes do cérebro que controlam o sono e a vigília;
  • É um hormônio que, atuando como neurotransmissor, é essencial para frear os mecanismos da ansiedade e da depressão;
  • Estimula a libido e, graças a isso, nos permite apreciar as relações sexuais.

Podemos produzir serotonina de forma natural?

Sabemos que, entre os hormônios da felicidade, esse é um dos mais conhecidos. Pois bem, há alguma forma de produzir serotonina? Podemos influenciar sua produção quando consumimos alimentos ricos em triptofano. Este aminoácido essencial é o precursor da serotonina, e podemos encontrá-lo nos seguintes alimentos:

  • Chocolate amargo;
  • Aveia;
  • Sementes de girassol;
  • Salmão;
  • Ovos;
  • Grão-de-bico.

3. Dopamina, impulsora da motivação

A dopamina possui uma função crucial em tarefas relacionadas à motivação e recompensa. Essa molécula é decisiva em nosso comportamento, de forma que tanto o déficit quanto o excesso desse componente neuroquímico podem nos alterar de várias formas. Por exemplo: uma liberação excessiva pode ser relacionada à esquizofrenia.

Vejamos mais alguns dados:

  • Uma de suas principais funções é a de ativar a sensação de prazer antecipado. Ou seja, ela surge quando nos sentimos motivados a fazer alguma coisa apenas por pensarmos no que esse objetivo pode nos oferecer.
  • Influencia nossa tomada de decisões, favorece a aprendizagem e a memória…
  • Favorece a curiosidade e a motivação intrínseca, bem como a criatividade.

Podemos estimular sua produção de forma natural?

Sabemos que cerca de 50% de toda a dopamina do organismo é produzida no intestino. Portanto, uma forma de garantir uma produção correta pode ser o cuidado com a microbiota intestinal.

Casal feliz

4. Hormônios da felicidade: a oxitocina

Outro dos hormônios da felicidade mais conhecidos é a oxitocina. Estamos acostumados a associá-la a áreas como o amor, o afeto, a sexualidade, a necessidade de cuidado e ao comportamento materno. Entretanto, ela possui muitas outras funções, todas relacionadas ao comportamento social, como empatia, generosidade, altruísmo, etc.

Este hormônio, tão fundamental para o ser humano, é produzido no hipotálamo e liberado pela hipófise. Muitos o chamam de “a molécula da humanidade”, se destacando como um dos elementos biológicos mais fascinantes.

Podemos estimular a sua produção de forma natural?

A oxitocina é liberada durante situações muito íntimas e cotidianas, como a troca de carícias, abraços, os momentos de escuta, a meditação, a prática de exercícios, etc.

Os hormônios da felicidade são, sem sombra de dúvida, mais uma amostra da fascinante e perfeita harmonia biológica que define boa parte dos seres vivos. Compreender este pequeno universo nos torna mais conscientes de por que somos como somos.

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