O ostracismo e a exclusão social

· fevereiro 15, 2019

O ostracismo é uma forma de castigo social. Aparece devido aos preconceitos, à discriminação racial ou sexual, às crenças ou aos valores pessoais. No entanto, também podemos sofrer o ostracismo e a exclusão social no entorno profissional ou em nossas relações amorosas.

Pensemos que toda rejeição experimentada em qualquer uma destas dimensões sociais pode ter graves consequências para aqueles que sofrem com ela.

O termo ostracismo provém do grego ostrakon, uma prática na qual se condenava, por votação, aqueles cidadãos que seriam uma ameaça para a comunidade. Na atualidade, é um fenômeno que ocorre devido a um consenso tácito, que pode aparecer de forma mais ou menos sutil, ou de maneira aberta e explícita.

A necessidade de pertencimento

Nós, seres humanos, temos uma grande necessidade de pertencimento e de identificação com um grupo. A afiliação com as outras pessoas nos proporciona muitos benefícios psicológicos e fortalece a nossa identidade grupal e individual.

O ser humano é social por natureza, e a necessidade de pertencimento tem uma origem evolutiva e de sobrevivência. Neste sentido, o ostracismo e a exclusão social são ameaças ao pertencimento, e colocá-lo em perigo desencadearia processos cujo estudo está revelando muitas informações surpreendentes.

Amigos reunidos

A relação entre o pertencimento social e o ego

O conceito do ego em psicologia já foi alvo de inúmeros estudos. Dentro do amplo espectro de significados que são abordados, duas das propostas feitas por Leary e Tangney são as que mais parecem se relacionar com o pertencimento social:

  • A autoconsciência ou o ego autoconsciente: é aquele que registra as nossas experiências, sente os nossos sentimentos e pensa os nossos pensamentos. É o ego por meio do qual somos conscientes de nós mesmos.
  • A autorregulação: é o ego que executa e atua. É a capacidade que temos de adaptar o nosso comportamento, com o fim de nos posicionarmos no mundo da forma como quisermos. É o regulador que nos permite controlar e rumar, conscientemente, para o nosso ego-ideal.

A partir das reflexões sobre nós mesmos e as nossas experiências (autoconsciência), podemos regular e ajustar o nosso comportamento na direção desejada (autorregulação). Este é o processo que facilita a nossa aproximação à pessoa que queremos ser.

Quando nos sentimos rejeitados, ou somos vítimas do ostracismo e da exclusão social, o fato de olhar o nosso interior e refletir sobre nós mesmos (autoconsciência) se transforma em algo extremamente desagradável que tentamos evitar. Sem estas reflexões, a autorregulação não é possível. Tudo isso implica um distanciamento importante entre o ego e o ego-ideal.

Os efeitos do ostracismo e a exclusão social

Os efeitos e as consequências que o ostracismo e a exclusão social têm sobre o indivíduo que sofre com eles são vários e, provavelmente, cada um mereceria um artigo individualizado. Eles nos afetam no plano físico e psicológico.

Em 2009, a Universidade da Califórnia descobriu a ligação que unia a rejeição social com a dor física: o gene OPRM1. Nós já sabíamos que a exclusão social ativava algumas regiões do cérebro relacionadas com o estresse. No entanto, além disso, estudos recentes demonstraram que o ostracismo também ativa as áreas associadas com a dor física, especialmente a ínsula dorsal posterior. Acredita-se que estas descobertas poderão ajudar a explicar a causa de algumas doenças como a fibromialgia.

Além das consequências negativas para a saúde física, a exclusão social provoca na vítima uma diminuição da conduta pró-social que a impede de sentir empatia. A capacidade cognitiva e o rendimento intelectual também são diminuídos, especialmente aquelas tarefas cognitivas complexas que requerem a atenção e o controle consciente. Afeta, do mesmo modo, a conduta emocional e os níveis de agressividade do indivíduo.

Mulher deprimida

A violência, a exclusão social e a autorregulação do ego

Há anos, as teorias que tentavam explicar a relação entre a violência e a exclusão social sustentavam que as pessoas com um baixo nível intelectual tinham dificuldades para se adaptar à vida social. Esta falta de adaptação aumentaria o seu nível de agressividade, que logo as levaria a ter condutas violentas. Este seria um dos caminhos que conduziriam à exclusão social.

Hoje, sabemos que o processo é bem diferente. Os estudos de Baumeister e Leary demonstraram que a alteração da autorregulação do ego, como consequência do ostracismo e da exclusão social, é um dos fatores que provocam as condutas violentas, e não o nível cultural do indivíduo.

Como enfrentar a rejeição social?

As pessoas com uma forte necessidade de pertencimento costumam desenvolver condutas antissociais depois de ter sentido/sofrido rejeição. Se eles a considerarem um ato injusto, podem desenvolver respostas reparadoras que evitem o contato social. Por outro lado, também podem aumentar as condutas pró-sociais e o interesse pela criação de novos vínculos.

As pessoas com um autoconceito mais independente dão prioridade às suas metas individuais sobre as grupais. A rejeição social sofrida por este tipo de pessoa pode provocar um aumento da sua criatividade.

Quando alguém é vítima de uma rejeição, é importante recuperar o processo de autoconsciência e de reflexão sobre as experiências e atitudes e, assim, criar uma boa oportunidade de autorregulação da conduta que ajude a equilibrar as relações.

  • Magallares Sanjuan A. Exclusión social, rechazo y ostracismo: principales efectos. Psicologia.com [Internet]. 2011 [citado 29 Ago 2011];15:25. Disponível em: http://hdl.handle.net/10401/4321.