Ouvir música ao estudar é benéfico?

Muitas pessoas ouvem música ao estudar. Outras, por outro lado, afirmam que não conseguem estudar com ela. Neste artigo, descubra o que a ciência tem a dizer sobre o tema.
Ouvir música ao estudar é benéfico?

Última atualização: 23 Outubro, 2021

A música pode ter grandes efeitos na mente e nas emoções: ajuda a modular o humor, melhora o desempenho acadêmico, compensa parcialmente a perda cognitiva do envelhecimento e pode até ajudar a melhorar a saúde física. Muitas pessoas escolhem ouvir música para estudar. Portanto, hoje queremos nos perguntar se isso pode realmente nos fazer aprender mais e melhor.

Uma das razões pelas quais muitos ouvem música ao estudar é porque ela minimiza o impacto que outros ruídos do ambiente podem ter. Além disso, pode nos contagiar com um ritmo que nos anime ao fazer tarefas rotineiras, repetitivas e um tanto enfadonhas. Em todo caso, este é um assunto controverso.

Prós e contras de ouvir música ao estudar

Os benefícios e desvantagens de ouvir música de fundo ao estudar são muitos e díspares. Para contextualizar o debate, aqui estão alguns prós:

  • A música estimula áreas do córtex pré-frontal que estão relacionadas à atenção, concentração e satisfação. Pessoas que ouvem música para estudar relatam que se concentram mais e resolvem problemas com menos esforço.
  • A música ativa áreas do lobo temporal que também desempenham papéis no pensamento matemático e na linguagem, e por isso ajudaria a desenvolvê-los. Pessoas que desejam aprender um idioma costumam relatar grandes avanços na imersão ao ouvir música nesse idioma. Além disso, esta também é uma forma de conhecer outras culturas.
  • Ajuda a combater o estresse antes das provas, o que promove o relaxamento e a retenção de informações.
  • Mantém o cérebro ativo, o que ajudaria a combater o sono.
Homem com nota musical no cérebro

Por outro lado, existem pessoas que preferem não ouvir música ao estudar. Elas também têm argumentos para defender a sua posição:

  • Dependendo do gênero musical e do tempo de estudo, a música pode atuar como uma distração. Por exemplo, a letra de uma música pode ativar memórias que desviam nossa mente do que estamos estudando.
  • Músicas com letras, mesmo em um idioma desconhecido, produzem uma interferência verbal.
  • A música pode tornar a leitura, a atenção e a fixação do conteúdo mais superficiais.

Então, ouvir música é benéfico ao estudar?

Levando em consideração grande parte dos estudos realizados até o momento, seria necessário ir além de um ‘sim’ ou ‘não’ absoluto. Tudo depende da pessoa, do seu estado de espírito, mas sobretudo do conteúdo e das estratégias que está utilizando para assimilá-lo.

Não é a mesma coisa estudar a literatura do Século de Ouro Espanhol acompanhada por uma canção de Julio Iglesias e tentar resolver alguns problemas matemáticos acompanhados por música clássica.

Música para tarefas repetitivas

Além de ser estudada como complemento ao estudo, a música tem sido utilizada para tentar melhorar a produtividade nas fábricas. Os pesquisadores descobriram que, para tarefas repetitivas, previsíveis e chatas, a música agia como um estimulante para a mente, ajudando a lidar com a monotonia.

Por isso, a memorização baseada na repetição pode ser beneficiada pelo ritmo da música. Por exemplo, você provavelmente se lembra de canções da sua infância que foram feitas para facilitar o aprendizado.

Se o estudo envolver material verbal, não deve ser utilizada música com letra, pois pode interferir no seu aprendizado.

Interferência em tarefas complexas

Quando se trata de realizar uma tarefa complexa que requer concentração e esforço mental, o som da música parece ser uma interferência real.

Uma pesquisa publicada na Psychological Reports mostrou que as pessoas contavam regressivamente de forma muito pior quando uma peça musical de sua escolha era tocada simultaneamente.

O resultado é ainda pior para melodias cativantes: a mente automaticamente se volta para a música, especialmente se ela tiver letras em uma linguagem compreensível. Isso interfere muito na concentração necessária para realizar operações mentais complexas.

Jovem estudando com música na biblioteca

Canções sem letra e com ritmo não muito intenso

Um conselho geral para quem quer aproveitar os efeitos positivos que a música pode ter ao estudar é escolher canções sem letra e que não tenham um ritmo muito intenso. Se o que queremos com a música é nos isolar do ambiente, uma alternativa podem ser os chamados ruídos brancos.

Além disso, a música pode nos ajudar a começar. Podemos colocá-lo no início, como um incentivo contra a preguiça que o horizonte de sentar diante das notas depois de um dia de trabalho pode provocar. Se ela nos incomodar mais tarde, podemos removê-la ou mudar para outro tipo que estimule a reflexão mais do que a ativação.

Acima do ‘sim’ ou ‘não’ está a arte de escolher a música que mais pode nos ajudar nas circunstâncias em que nos encontramos naquele momento.

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