Respirar melhor potencializa a sua concentração

Respirar melhor potencializa sua concentração. Inspire oxigênio, respire a vida e você vai oxigenar seu cérebro para expandir seus sentidos... Só então você vai focar melhor sua atenção para apreciar o aqui e o agora e tomar melhores decisões.
Respirar melhor potencializa a sua concentração

Última atualização: 05 Março, 2021

Respirar bem é sinônimo de viver melhor. (Quase) todos nós sabemos disso. Agora, e se fôssemos um pouco mais longe para dizer que respirar melhor potencializa a sua concentração? Além disso, como explicam os neurologistas, basta inspirar, tomar um ar profundo para oxigenar o cérebro e, assim, ajustar sua concentração, capacidade de foco e atenção visuoespacial.

O assunto é, sem dúvidas, fascinante. Há algumas décadas, as práticas de meditação, relaxamento e respiração profunda contam com um amplo suporte científico. Sabemos, por exemplo, que a terapia cognitiva já aplica a técnica de mindfulness (atenção plena) em suas estratégias e que, como revela um estudo da Universidade de Ryerson, em Toronto, os avanços no tratamento da depressão são muito positivos.

Agora, neste momento estamos dando um pequeno passo para descobrir algo tão simples como o seguinte: fazer longas respirações, ou seja, inspirar profundamente o ar pelo nariz e mantê-lo preso por alguns segundos, amplifica nossos sentidos. Isso propicia, por assim dizer, uma redefinição mental que nos permite concentrar nossa atenção de forma eficaz.

Este dado responde a um estudo publicado há pouco tempo. No entanto, cabe dizer que esta estratégia era algo que Daniel Goleman já havia mencionado em seu livro Foco. Vamos ver mais dados sobre isso.

“O antídoto para a mente errante é a metaconsciência, é a atenção à atenção em si mesma, é aprender a apreciar o presente e treinar a concentração como se fosse um músculo”.
– Daniel Goleman, Foco

Mulher sentindo o sol na pele

Respirar melhor potencializa sua concentração: respirações nasais e foco mental

Os Doutores Ofer Perl, Aharon Ravia e Mica Rubinsons publicaram um estudo interessante e revelador na revista Nature Human Behavior em 11 de março de 2019.

Neste estudo, eles explicam que respirar melhor potencializa a concentração por uma razão muito simples que, possivelmente, nem todos nós conhecemos: o olfato sincroniza nossa atividade cerebral.

O segredo está em nossos ancestrais

Os pesquisadores especulam sobre um dado marcante, mas que ao mesmo tempo faz muito sentido. No passado, nossos ancestrais baseavam grande parte da sua sobrevivência no olfato. Muitos mamíferos ainda hoje usam o sentido do olfato para identificar perigos, sentir a presença de predadores e, ao mesmo tempo, identificar possíveis presas.

Os hominídeos dos nossos primeiros estágios evolutivos tinham, certamente, um olfato muito mais avançado do que o que podemos ter hoje em dia. Para eles, bastava parar e inspirar profundamente o ar para fazer uma leitura rápida do seu ambiente.

Atualmente, perdemos ou diminuímos muito essa capacidade. Em primeiro lugar, porque temos um olfato muito negligenciado. E em segundo lugar, porque mal temos tempo para parar.

O olfato como sentido de cognição para tomar decisões

Hoje em dia, o olfato serve basicamente para identificar uma comida estragada, para encontrar um perfume que nos agrade e para desfrutar das nossas relações afetivas. Sentir o cheiro de quem gostamos, seja dos filhos ou parceiros, é algo que faz parte das nossas vidas. No entanto, nos esquecemos de seus outros potenciais.

Devemos ter consciência disso. Respirar melhor potencializa a concentração porque nos coloca em alerta e porque, embora você não acredite, vai te ajudar a decidir melhor. Recuperar (por assim dizer) esse ‘instinto selvagem’ dos nossos ancestrais pode gerar inúmeros benefícios. A razão para isso? Este sentido ativa múltiplas áreas no nosso cérebro.

  • O neurologista Ofer Perl realizou um trabalho de pesquisa no Instituto Weizmann, em Israel, para somar evidências a uma ideia que nos convida à reflexão;
  • Quando precisamos realizar uma tarefa que exige muito foco, realizar respirações profundas otimiza a concentração;
  • De fato, inspirar de maneira sustentada é mais benéfico para melhorar a atenção do que expirar.

Além disso, estas inspirações de oxigênio otimizam nossas ondas cerebrais e otimizam os processos visuoespaciais. Por outro lado, algo que também conseguimos com estes processos é tomar melhores decisões. A concentração e a atenção ideais nos ajudam a reunir informações para tomar decisões mais eficazes.

Homem respirando profundamente

Respirar melhor, nossa tarefa pendente

Você já sabe que respirar melhor melhora a sua concentração. Sabe também que fazer isso requer, principalmente, uma certa força de vontade, tomada de consciência e dedicação de tempo para realizar as respirações profundas. Não é fácil. A verdade é que continuamos sendo uma sociedade acostumada a respirar depressa, quase ao mesmo tempo em que tentamos resolver todos os problemas da vida.

Talvez tenhamos nos esquecido de que respirar depressa intensifica o estresse, o mal-estar, e coloca uma carga excessiva em nossos órgãos. Por isso a relevância de práticas como a mindfulness. Com essas correntes que unem técnicas de meditação e uma filosofia de vida particular, não aprendemos apenas a respirar melhor.

Percebemos, ao mesmo tempo, novas abordagens mentais e entendemos a importância de diminuir o ritmo, de aprender a estar presentes e reduzir a carga mental, assim como os pensamentos negativos que bloqueiam o nosso bem-estar. Conseguir isso demora um tempo, exige força de vontade e compromisso.

Que tal, então, recuperar esse sentido ancestral que o olfato representa? Vamos fazer uso dele, inspirando por longos momentos, para monitorar nosso ambiente, oxigenar nossa mente e equilibrar nossas ondas cerebrais. São pequenas mudanças que podem representar verdadeiras revoluções em nosso dia a dia… podendo alcançar até mesmo o bem-estar.

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  • Goleman, Daniel (2013) Focus. Kairos
  • Ofer Perl, Aharon Ravia, Mica Rubinson, Ami Eisen, Timna Soroka, Nofar Mor, Lavi Secundo, and Noam Sobel. “Human Non-Olfactory Cognition Phase-Locked with Inhalation.” Nature Human Behaviour (First published: March 11, 2019) DOI: 10.1038/s41562-019-0556-z
  • Teasdale, J. D. (2005). Mindfulness-based cognitive therapy for depression. In Buddhist Thought and Applied Psychological Research: Transcending the Boundaries (pp. 414–430). Routledge. https://doi.org/10.4324/9780203098899