Pantofobia: conceito, sintomas e tratamento

dezembro 10, 2018

Um antigo provérbio escocês afirma que “não há remédio para o medo”. Esse seria um problema muito grave para as pessoas que sofrem de pantofobia. De alguma maneira, todos nós já tivemos a mesma sensação que nos deixa incapacitados: um estranho medo de algo desconhecido, que se esconde de nós, que nos deixa incapazes de explicar.

Esse medo do desconhecido tem um nome, e é pantofobia. Se esse é o seu caso, não precisa entrar em pânico. Falamos de uma fobia que responde bem à intervenção. Neste artigo, queremos falar sobre o que é a pantofobia, quais sintomas ela provoca e como podemos nos livrar dela ou fazer com que sua intensidade diminua. Assim como para as outras fobias, o comportamento de tentar evitá-la não é válido, embora seja o que tendemos a realizar de maneira natural.

“Eu tenho medo é do seu medo”.
-William Shakespeare-

Conceito de pantofobia

A pantofobia é uma fobia que consiste em um temor vago a uma ameaça inexplicável que vem de fonte desconhecida. É um medo irracional e que se desencadeia sem nenhuma lógica. Assim como em todas as fobias, a pessoa compreende como esse medo é pouco adaptativo. Além disso, essa condição é conhecida como o medo de tudo. Ela recebe outros nomes como panfobia ou panofobia, por exemplo. No entanto, a origem do nome remete ao antigo deus grego Pan, que infundia medo nas pessoas.

Essa fobia se caracteriza por uma preocupação excessiva por um acontecimento ou uma série de acontecimentos. É considerada uma fobia limitante, pois influencia e condiciona o comportamento da pessoa que sente o medo.

Mulher com medo de alguma coisa

Causas da pantofobia

Existem várias causas que podem provocar esse transtorno. Em geral, o paciente não se lembra de quando foi o momento em que o sentiu pela primeira vez, embora seja mais comum que se lembre de quando esse medo começou a se transformar em uma fonte significativa de mal-estar.

Por norma geral, afirma-se que a origem provém de fobias prévias mais específicas, como a aracnofobia ou a aerofobia. Todas elas podem deixar a pessoa mais vulnerável à fobia da qual estamos tratando. Entre as causas mais comuns, encontramos a vivência de acontecimentos traumáticos, a herança genética e também a própria experiência – própria ou alheia –, como a de crianças que observaram a atitude temerosa de seus pais ou de suas figuras de referência e, por meio desse exemplo, passaram a sentir esse medo.

Sintomas da pantofobia

Como saber se você sofre desse problema? Existe uma série de sintomas identificáveis, como o medo irracional de objetos, situações, pessoas, animais, etc. O caso é que a sensação de medo é constante e difícil de explicar.

O problema pode atingir níveis preocupantes quando a pessoa evita situações, pessoas e contatos devido a esse medo irracional. Esse é o momento de procurar um profissional. A pessoa pode permanecer em um estado de hipervigilância, sofrendo descargas de adrenalina constantes para manter o nível de ativação que sustenta essa vigilância contínua.

Além disso, ela também costuma conviver com outros problemas mentais, como a depressão, a tristeza ou a ansiedade. Da mesma forma, é observada em pessoas com baixa autoestima, alto sentimento de culpabilidade e baixo nível de controle.

Às vezes, observa-se medo da perda de controle ou um desejo constante de fugir da situação estressante que a pessoa acredita que provoca o medo. Igualmente, podemos encontrar uma correlação no plano físico: tremores, transpiração excessiva, tonturas, palpitações, respiração agitada, vômitos, dor corporal e abdominal e tensão corporal.

Mulher sozinha em floresta

Tratamento da pantofobia

Felizmente, essa é uma fobia que tem tratamentos específicos. Mas é claro, os mesmos devem ser aplicados somente depois da avaliação de um psicólogo capacitado para isso. O especialista será responsável por adaptar a intervenção às características do paciente. Algumas das ferramentas que costumam ser empregadas na intervenção dessa fobia são:

  • Dessensibilização sistemática. Voltada a reduzir as respostas ansiosas na exposição a situações e objetos temidos para eliminar as respostas de fuga.
  • Terapia cognitivo-comportamental. Baseia-se em estudar as crenças irracionais e distorcidas que levam a pessoa a desenvolver o transtorno para que deixe de percebê-las como um perigo.
  • Autoinstruções. Derivada da terapia anterior, consiste em mudar o comportamento do paciente verbalizando a situação que provoca o mal-estar.
  • Mindfulness. Uma técnica que incentiva o paciente a viver o momento presente, concentrando-se no aqui e agora, aceitando o desagradável como parte de sua experiência e renunciando ao controle direto.
  • Medicamentos. Por fim, os fármacos também são necessários em casos severos, se o paciente sofrer de uma fobia muito grave.

Felizmente, podemos observar que existem muitas ferramentas à disposição dos profissionais para planejar uma boa intervenção. Mas para que tenha um bom resultado final, ainda falta um ingrediente essencial. Falamos da atitude do paciente, que terá que estar disposto a trabalhar e confiar no especialista que cuida do seu caso.