Paul Éluard, a biografia de um incrível poeta  

maio 13, 2019
Há algo profundamente comovente nos poemas de Paul Éluard. Talvez seja a marca de uma criança doente, que amou ao extremo e que foi capaz de superar as dores da guerra, do abandono e da traição.

Paul Éluard é considerado o maior dos poetas surrealistas. Sua personalidade literária definida, a forma expressiva que o caracterizava e o lirismo de seus poemas o transformaram em um dos grandes poetas universais. Escreveu ao amor com a mesma paixão que o fez à liberdade e contra a guerra.

Ele recebeu, de forma informal, todo tipo de títulos honorários. “Mestre da poesia surrealista”, “O mais clássico dos poetas modernos”, “O poeta da liberdade”  ou “O poeta máximo do amor”, entre outros. Parece que todos os qualificativos são pequenos diante do talento deste incrível poeta.

Precisamos de poucas palavras para expressar o essencial; precisamos de todas as palavras para torná-lo real ”.
-Paul Éluard-

Como outros grandes nomes da literatura, o segredo de suas poesias está na honra emocional e intelectual com as quais foram escritas. Seus versos têm uma sutil, mas profunda marca do genuíno.

Sua vida, além disso, teve episódios contraditórios e difíceis, com os quais ele lidou com criatividade e inteligência. Sua existência também foi, de alguma forma, um poema.

Paul Éluard, uma criança enferma

Paul Éluard nasceu em Saint Denis, na França, uma área que tinha uma atmosfera proletária. Nasceu no dia 14 de dezembro de 1885, e seu verdadeiro nome era Eugene Grindel. Com apenas 12 anos, chegou a Paris e começou seus estudos no famoso Liceo Colbert.

No entanto, contraiu tuberculose e isso o forçou a deixar os estudos e passar uma longa temporada em um hospital da Suíça. Lá foram escritos seus primeiros poemas.

Sua primeira obra, Poemas, data de 1911. Em sua passagem pelo hospital, leu apaixonadamente todos aqueles que se tornaram suas referências literárias: Whitman, Baudelaire, Nerval, Rimbaud, Hölderin e Lautréamont. Após esta dura experiência, Paul Éluard foi recrutado para lutar na Primeira Guerra Mundial, em 1915.

Paul Éluard era um daqueles poetas que não precisavam de um ambiente calmo para escrever seus versos. Em plena trincheira, compôs duas de suas obras mais famosas: “O dever e a inquietude” e “O riso do outro”.

No fim de 1917, foi vítima de um severo ataque com gás e isso causou-lhe gangrena nos brônquios. Isso o tirou do combate e, então, ele foi enviado novamente a um hospital em Paris.

Livro aberto com ramo de flores

Gala, uma musa passageira

Durante sua primeira estadia no hospital, Paul Éluard conheceu uma outra paciente de tuberculose que roubou seu coração. Era uma moça russa que se chamava Elena Ivanovna Diakonova, mas que foi citada na história com o pseudônimo com o qual logo ficou reconhecida por todos: Gala. A guerra os separou, mas logo se reuniram novamente em Paris, em 1917, e se casaram.

A maior qualidade de Gala não era a fidelidade, e isso ficou claro cedo. Quando ela conheceu o pintor alemão Max Ernst, sentiu-se atraída por ele. Não se sabe se por uma grande amplitude mental ou por um amor desesperado, Paul Éluard não se opôs a este relacionamento. De fato, os três acabaram vivendo juntos nos arredores de Paris.

Mais adiante, durante as férias, Gala conheceu alguém que seria o grande amor de sua vida:   Salvador Dalí. Isso acabou com o seu casamento com Paul Éluard em 1929 e, então, o levou a mergulhar em uma profunda depressão. Logo após este episódio, o poeta partiu para dar a volta ao mundo, como um viajante errante. Também escreveu, neste período, alguns de seus mais belos poemas.

Livro de poesias

Um homem resiliente

Paul Éluard casou-se, posteriormente, em duas oportunidades. Na primeira, com uma mulher a quem ele chamava de “Nusch”, que era modelo de Pablo Picasso. O matrimônio se consolidou em 1934, mas ela faleceu em 1951. Logo, casou-se com Dominique, seu último amor, um ano antes de sua própria morte.

Entretanto, Paul Éluard havia se transformado no poeta da liberdade. Embora seu objetivo não fosse fazer uma literatura militante em sentido estrito, ele se sentia tentado a expressar em seus versos uma demanda por liberdade e por justiça, indo contra a guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, colaborou com a resistência francesa e teve que entrar na clandestinidade.

Seus poemas contra a guerra são peças magistrais, assim como seus poemas de amor. O mais proeminente deste incrível poeta maravilhoso, na opinião dos peritos, era sua capacidade de expressar com profundo equilíbrio e beleza a contradição dos sentimentos. Ficou marcado na história como um dos grandes mestres da lírica francesa.

  • Nadeau, M., & Riviere, M. P. (1972). Historia del surrealismo (p. 137). Barcelona: Ariel.