Pensamento desiderativo: quando vemos somente o que queremos ver

Pensamento desiderativo: quando vemos somente o que queremos ver

1, dezembro 2016 em Psicologia 1211 Compartilhados
Pensamento desiderativo: quando vemos somente o que queremos ver

Estamos sempre tomando decisões que têm a ver com o nosso trabalho, nossos relacionamentos … Mas você acredita que são decisões racionais e lógicas? Muitas vezes não estamos conscientes de que o nosso pensamento é um pensamento desiderativo, que é formado pelos nossos desejos.

“Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade.”
-Ayn Rand-

Por exemplo, quando desejamos um objeto ou uma situação, alcançar determinado objetivo ou comprar aquela casa que queremos, esses pensamentos tomam conta da nossa mente, e dessa forma enviamos um sinal para o nosso cérebro avisando que nos falta alguma coisa. Todas as decisões que tomarmos a partir de agora serão influenciadas por este desejo.

O que acontece então com a realidade? Ela se transforma naquilo que queremos e começamos a envergá-la de uma forma muito própria. Não é difícil perceber que isto nos trará muitos problemas, não só em termos de relacionamentos, mas também em relação ao trabalho. A realidade é como ela, é e por mais que queiramos vê-la com outros olhos, ela não vai mudar.

O pensamento se torna um escravo do desejo

Pode parecer exagero, mas o pensamento se torna um escravo do desejo que está em nossa mente, especialmente se o desejo é grandioso. Quando isso acontece, não conseguimos tomar decisões de forma racional. Já não vemos a realidade verdadeira, mas o que queremos ver.

O pensamento desiderativo se baseia na ilusão e na fantasia. Dessa forma, não importa o que realmente está acontecendo, se nos desviamos do caminho certo, se não tratamos bem as pessoas, se estamos cometendo erros … Nós não podemos ver nada disso, porque estamos visualizando um mundo à parte, um mundo imaginário que transformamos em realidade na nossa mente.

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O pensamento desiderativo pode ser uma forma de motivação, mas, muitas vezes, pode se transformar em uma forma de fugir de uma situação que não nos agrada. Por exemplo, imagine um relacionamento de casal onde tudo vai mal. Nós gostaríamos que tudo voltasse a ser como antes, quando tudo era melhor. O nosso pensamento recupera as memórias daquele tempo feliz, traz para o presente e, dessa forma, acreditamos que tudo está bem.

A realidade pode ser muito dolorosa e, por isso, inconscientemente, tentamos fugir.
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Estamos vivendo uma fantasia sem querer e sem estarmos conscientes de que fechamos os olhos para o que está acontecendo. Na verdade, estamos fingindo. Nos concentramos em nós mesmos, em nosso próprio desejo, e acabamos esquecendo os outros. Isto causa problemas sérios ao nosso redor e nos relacionamentos.

As armadilhas do pensamento desiderativo

Devemos estar conscientes de que um pensamento desiderativo não é algo real, mas um reflexo do que desejamos que aconteça. É necessário ser realista para não cair em certas armadilhas que podem nos causar sérios problemas em nossas vidas. Algumas delas são:

  • Você se concentra no objetivo e não no processo: você não é capaz de ver os erros que está cometendo e, consequentemente, não se corrige para alcançar um bom resultado. No final, o que você quer tanto pode se voltar contra você.
  • Você não comprova se o seu objetivo é viável ou não: quando temos uma meta ou um sonho, a primeira coisa que temos a fazer é verificar se é viável ou não para evitar esforços inúteis e decepções. O pensamento desiderativo o impede de fazer esta avaliação e permite que invista recursos em objetivos que não estão ao seu alcance.
  • Você se frustrará e se decepcionará: o pensamento desiderativo o faz viver em um mundo de fantasia, um mundo que não é real. Quando precisar encarar a realidade como ela realmente é, se sentirá frustrado e decepcionado. Apesar disso, muitas vezes, a pessoa prefere continuar se iludindo do que enfrentar a realidade.
Cedo ou tarde, a realidade vai se mostrar como realmente é, muito mais cruel e muito mais amarga.
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Se vivermos neste mundo de fantasia por muito tempo, vai chegar um momento em que não conseguiremos distinguir o que é real e o que não é. Haverá momentos em nossas relações em que as pessoas tentarão abrir os nossos olhos: será como um tapa de realidade que o entristecerá. Não fuja novamente para um mundo de fantasia para se sentir melhor.

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Nós vivemos em um mundo real, do qual não podemos fugir mesmo que queiramos. Se você não abrir os seus olhos, as situações e as pessoas farão isso por você. Mas é melhor fazê-lo por si mesmo, para não se magoar por um sonho que acabou, por uma mentira que não era real.

O pensamento desiderativo é muito conveniente. Com ele estamos confortáveis, exatamente onde queremos estar. No entanto, ele também nos transforma em pessoas covardes que fogem da realidade e de tudo o que não querem aceitar.

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