O que é o pensamento simbólico?

06 Novembro, 2020
O que é o pensamento simbólico? Como ele se relaciona com a linguagem, o desenho ou a brincadeira? Descubra neste artigo!

O que é o pensamento simbólico? Você sabe no que ele consiste exatamente? Como se manifesta? O pensamento simbólico nos permite falar sobre o que aconteceu no passado, bem como levantar hipóteses sobre o que pode acontecer no futuro. Ou seja, ele nos permite sair da situação atual para evocar outra realidade, passada ou futura.

Assim, esse tipo de pensamento nos permite ir além do que os sentidos estão captando no momento presente, por meio de memórias, elaboração de hipóteses, etc. Neste artigo, conheceremos com mais detalhes as características desse tipo de pensamento e como ele se manifesta.

O que é o pensamento simbólico?

Poderíamos definir o pensamento simbólico como a capacidade de pensar na situação presente. Em outras palavras, é um tipo de pensamento que permite que a realidade do ambiente seja representada na mente, de acordo com a experiência vivida.

O psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) forneceu muitos insights sobre o pensamento simbólico quando começou a definir e explicar os diferentes estágios de desenvolvimento cognitivo pelos quais uma criança passa. Segundo ele, o pensamento simbólico “implica que a criança é capaz de usar significantes para se referir a significados“.

O que é o pensamento simbólico?
Jean Piaget

O pensamento pré-operatório de Piaget

Seguindo com o esquema de Piaget, o pensamento simbólico faria parte do pensamento pré-operatório, um conceito mais amplo que passaria por três etapas durante seu desenvolvimento: 1) pensamento simbólico, 2) egocentrismo (a criança não é capaz de se desligar do seu próprio ponto de vista) e 3) pensamento pré-lógico pré-conceitual.

Como podemos ver, o pensamento simbólico de Piaget está dentro do subperíodo pré-operatório, que vai dos dois aos seis anos.

Manifestações do pensamento simbólico

Segundo Piaget, durante a fase de formação e consolidação do pensamento simbólico, ocorre uma série de manifestações no desenvolvimento da criança que tornam esse processo possível. São as seguintes:

  • Imitação.
  • Brincadeira simbólica.
  • Evocação verbal de eventos não presentes.
  • Desenhos.
  • Imagens mentais.

Em outras palavras, através de todas essas manifestações, o pensamento simbólico se tornaria latente e se consolidaria gradativamente.

“Tudo o que você pode imaginar é real.”
-Pablo Picasso-

Como o pensamento simbólico se expressa no ser humano?

Como o pensamento simbólico é expresso? Vimos alguns exemplos nos primeiros estágios da vida, segundo Piaget (dos dois aos seis anos), mas agora vamos examiná-los um pouco mais a fundo. Algumas das manifestações mais importantes desse tipo de pensamento (mas não todas) são as seguintes.

A linguagem

A linguagem é uma das manifestações do pensamento simbólico; assim, é baseada na simbolização. O que isso significa? Que as chaves verbais com as quais descrevemos a realidade não são aquilo que indicam, mas sim a sua tradução em termos abstratos.

Ou seja, usamos a linguagem para representar a realidade por meio de símbolos, que neste caso seriam palavras. O mesmo acontece com o pensamento simbólico; estamos representando algo de fora na mente, mas esse processo passa por um filtro anterior, que é o da própria mente.

Por outro lado, quando lemos, por exemplo, o pensamento simbólico é ativado, e é isto o que nos permite imaginar os cenários e personagens que conhecemos através da leitura. Mais uma vez, é uma forma de evocar a realidade externa na mente, através do nosso imaginário.

Além disso, todo o universo incorporado em romances ou em textos de qualquer tipo foi previamente criado na mente de alguém. É disso que trata esse tipo de pensamento ao qual estamos nos referindo neste artigo.

A brincadeira simbólica

Como vimos anteriormente, outra manifestação é o jogo simbólico. Este último adquire especial relevância nas primeiras fases da vida, ou seja, na infância, quando o desenvolvimento da criança está em plena expansão. Assim, a brincadeira simbólica é muito importante para o desenvolvimento, principalmente para as primeiras relações sociais e para a aquisição dos costumes da sociedade.

Através das brincadeiras simbólicas, baseadas em grande parte no pensamento simbólico, as crianças representam empregos, personagens, usos de objetos, papéis… através da própria brincadeira e de diferentes brinquedos ou objetos. Além disso, propriedades são atribuídas a objetos inanimados (por exemplo, fingir que uma banana é um telefone).

A brincadeira simbólica surge porque a criança já possui certos recursos cognitivos, como abstração, analogia (igualando dois objetos por terem características compartilhadas) ou o próprio pensamento simbólico.

Segundo Piaget, a brincadeira simbólica surge por volta dos dois anos de idade, que é quando a criança tem uma noção do objeto permanente (ou seja, ela entende que o fato de um objeto sair do seu campo visual não significa que ele desapareceu). Além dessas idades, a realidade é que nunca paramos de brincar (na nossa vida inteira!). E brincar quase sempre envolve aprendizado.

“Brincar é a forma mais elevada de investigação.”
-Albert Einstein-

Crianças brincando

O desenho e a pintura

No desenho, crianças e adultos representam graficamente uma realidade (ou múltiplas). Além disso, essa realidade muitas vezes não está diante de nós na hora do desenho. Ou seja, captamos o que queremos evocar através de símbolos (o próprio desenho) graças ao pensamento simbólico; essa capacidade de usar significantes para se referir a significados.

Assim, de certa forma, tanto o desenho quanto a pintura nos permitem representar algo de fora, mas também as ideias que temos em nossa mente. É disso que trata a simbolização.

No nível da cultura e da sociedade, nos desenhos encontramos grande parte da nossa memória e da memória dos nossos antepassados ​​(pinturas rupestres, hieróglifos…). Ou seja, nessas manifestações encontramos grande parte da história que nos trouxe até aqui.

Além disso, sabe-se que os desenhos coloridos permitiram que muitas sociedades transmitissem sua marca de identidade, registrassem as características distintivas que possuíam e ampliassem seu legado além da sobrevivência física. Um exemplo claro disso pode ser encontrado nas bandeiras ou em seus desenhos e ilustrações.

  • Cellenieror, G. (1978) El Pensamiento de Piaget, estudio y antología de textos. Ediciones Península, Barcelona.
  • Landy, D. y Goldstone, R.L. (2007). How Abstract Is Symbolic Thought? Journal of Experimental Psychology, 33(4): 720-733.