Personalidade evitativa nas relações afetivas: como lidar com isso?

Pessoas que dizem que te amam, mas que se distanciam, que são frias, que dizem que precisam de você hoje e que depois estabelecem limites. Parceiros com personalidade evitativa nos levam a um sofrimento constante. O que podemos fazer?
Personalidade evitativa nas relações afetivas: como lidar com isso?

Última atualização: 20 Maio, 2021

Você já teve um parceiro que parecia muito interessado em você, mas com quem era impossível ter um compromisso firme e saudável? Desconfiados, inseguros, instantaneamente frios, ressentidos na maioria das vezes e maus gestores do universo emocional… A personalidade evitativa nas relações afetivas constitui uma forma de sofrimento para a qual nem sempre estamos preparados.

É verdade que todos podemos demonstrar uma certa insegurança em questões de relacionamento. No entanto, quando encontramos alguém com um comportamento claramente evasivo, desconfiado e até hipervigilante, podemos estar diante de um transtorno de personalidade. São, sem dúvida, situações de grande impacto e desgaste, tanto para a própria pessoa quanto para o seu entorno.

São figuras que não validam sentimentos, que erguem muros e destroem alianças. Além disso, diante de qualquer problema ou dificuldade no relacionamento, a resposta que sempre darão é a distância. Essa frieza no comportamento e no afeto traça um tipo de experiência altamente dolorosa. Por mais impressionante que pareça, esse tipo de característica atinge entre 3 e 5% da população. Vamos ver mais detalhes.

Jovem com problemas de personalidade

Características da personalidade evitativa nas relações afetivas

Se você procura um parceiro com quem possa estabelecer uma boa ligação emocional e também com quem se associar para crescerem juntos no futuro, é melhor não se comprometer com alguém que tenha esse perfil. A personalidade evitativa nas relações afetivas pode ser ajustada a alguém que é muito independente, que não busca estabelecer um apego ou conexão muito significativa.

Obviamente, isso raramente é viável ou desejável. Porque se há algo que desejamos em um relacionamento amoroso é essa aliança comprometida, afetuosa e enriquecedora que nos dá felicidade. No entanto, alguém com transtorno de personalidade evitativa acha muito difícil desenvolver relacionamentos saudáveis. Além do mais, são as figuras típicas que costumam falar: “agora te amo, agora não te amo, agora preciso de você, agora quero me distanciar”Algo assim, como bem sabemos, é enlouquecedor.

Vejamos, entretanto, quais são as características que definem a personalidade evitativa nas relações afetivas.

Como identificar um parceiro evitativo?

Quando falamos de uma pessoa com comportamento evitativo, não estamos apenas descrevendo alguém que nos evita. É algo mais complexo que, geralmente, define uma condição psiquiátrica: o transtorno de personalidade evitativa, descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).

Estudos como os realizados na Universidade de Berlim indicam que estamos lidando com pessoas com acentuada ansiedade, inibição social, indecisão, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade… São também traços muito estáveis ​​que, frequentemente, têm um caráter genético base. Tudo isso tem um grande impacto a nível relacional:

  • Sentem-se magoados com muita facilidade, a ponto de a outra pessoa não saber como agir para não magoá-los.
  • Acabam nunca se comprometendo ou se abrindo completamente em sentimentos, afetos e vontades de compartilhar uma intimidade autêntica.
  • Eles não gostam de situações novas ou inesperadas. Então, pode ser difícil para eles dar o passo de conhecer a família do parceiro, por exemplo, e também de realizar atividades não rotineiras.
  • Eles não se arriscam. Assim, raramente farão algo realmente corajoso ou significativo pelo parceiro.
  • Não sabem como chegar a um acordo; qualquer divergência entre o casal se transforma em ameaças e eles acabam se distanciando.
  • Eles não validam as emoções. Se a outra pessoa expressar seus sentimentos, quem tem essa personalidade raramente expressará os seus próprios.

Jovem preocupado

Como lidar com essas relações marcadas pela evitação?

A personalidade evitativa nas relações afetivas causa sofrimento. Isso é claro, mas significa que o que devemos fazer imediatamente é fugir?

A verdade é que é sempre bom dar uma chance a essa pessoa. Podemos fazer isso por meio de uma estratégia clara. Se tivermos consciência de que depois dessas exigência não há progresso e a convivência está sendo infeliz, então sim, devemos tomar uma decisão.

Vamos entender, portanto, quais dimensões podemos aplicar para lidar com a personalidade evitativa.

Peça para a pessoa procurar ajuda especializada

Uma coisa que precisamos saber sobre a personalidade evitativa é que, em muitos casos, a pessoa pode estar lidando com uma infância traumática, depressão e ansiedade. É importante que ela dê o passo para buscar ajuda especializada.

Algo que define essas figuras é o sofrimento, a hipervigilância, a insegurança emocional, o medo de ser criticado, rejeitado… A ajuda psicológica vai permitir que a pessoa se sinta melhor. Porque quando alguém se sente bem com seu próprio ser, é capaz de estabelecer relacionamentos emocionais mais saudáveis.

Deixe claro que este comportamento tem consequências

O comportamento evasivo de “hoje preciso de você e amanhã vou embora” não é legal em um relacionamento. É importante que a outra pessoa entenda que o seu comportamento cria vazios, dúvidas, desconfianças e distanciamento emocional. Essa má gestão emocional dói e ninguém deve tolerar esse sofrimento. É importante esclarecer ao outro que esse comportamento vai acabar levando a uma separação.

Se ele deseja proteger esse relacionamento afetivo, precisa agir de forma diferente. Se a pessoa apresentar mudanças positivas no comportamento, vontade e comprometimento, esse vínculo pode ser possível.

Agora, também devemos ser claros sobre um aspecto. Todos nós temos um limite. Se a única coisa que ganhamos com esse relacionamento complicado é uma situação penosa, é melhor nos distanciarmos. No entanto, lembre-se de que é melhor primeiro incentivar a pessoa a procurar a ajuda de um especialista. A mudança pode ser possível.

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