Gosto de pessoas "inoportunas" que chegam quando não esperava nada

Gosto das pessoas “inoportunas”: dessas que chegam quando você já não esperava mais nada

Janeiro 5, 2017 em Emoções 2038 Compartilhados
Gosto de pessoas inoportunas que chegam quando não esperava nada

Gosto das “pessoas inoportunas” que atravessam as portas do coração quando a gente menos espera. São pessoas que trazem ventos coloridos, que alvoroçam nossos sorrisos quando as esperanças já estavam apagadas, e quase sem saber como, se acomodam na alma como se sempre tivessem sido parte dela.

É uma coisa no mínimo curiosa. Às vezes chegamos num ponto das nossas vidas em que estamos tão vinculados à nossa própria rede de amigos de sempre e nossa própria família, que mal deixamos espaço para alguém mais. Até que um bom dia, e quase sem saber como, chega alguém, alguém que não esperávamos e que muda tudo.

Tem gente maravilhosamente inoportuna, dessas que batem na porta da sua própria vida quando você mais precisa, pessoas com magia no coração e luz no seu olhar capazes de algo incrível. Trazem a felicidade para você e o obrigam a acreditar em si mesmo novamente.
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As pessoas inoportunas são estranhos que em pouco tempo acabam se transformando em família. Podem se mostrar como amigos excepcionais nos momentos mais necessários ou mesmo como novos relacionamentos amorosos. Amores que chegam de improviso quando já dávamos por perdido o próprio amor. O mais curioso de tudo isso é que reconhecemos essa cumplicidade entre nossas personalidades quase que instantaneamente.

Os especialistas chamam isto de sexto sentido. Um sexto sentido emocional do qual falamos a seguir.

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As pessoas inoportunas chegam nos momentos mais necessários

Uma das amizades mais conhecidas do mundo da literatura foi a de Henry James e Robert Louis Stevenson. Estes dois grandes romancistas do século XIX, apesar de terem um estilo de linguagem e de vida muito diferente um do outro, sempre revelaram uma admiração excepcional, quase mágica.

Tudo começou em 1884, quando Henry James publicou um artigo na “Longman’s Magazine” elogiando uma novela que acabara de ser lançada havia apenas uns poucos meses: “A ilha do tesouro”. Alguns dias depois, o próprio Stevenson lhe respondeu com outro artigo, iniciando assim um relacionamento construído em forma de epístolas e com inesquecíveis reuniões onde falava-se da vida, de literatura, arte e filosofia.

Stevenson sempre engrandeceu aquela amizade. Segundo ele, chegou no momento preciso, no instante mais necessário. Sua saúde não era boa naqueles anos e o seu ânimo caia nessas temporadas em que as semanas de cama e febre encontravam o seu único refúgio nas cartas que Henry James lhe escrevia.

Infelizmente, o pai de Long John Silver e o que os aborígenes das ilhas do Pacifico Sul apelidaram de “o contador de histórias” se foi deste mundo muito cedo, após um derrame cerebral.

Essa perda marcou para sempre a vida de Henry James. Fora uma amizade tecida entre a admiração e a conjunção de duas mentes apaixonadas pelas letras, a arte e a vida, uma coisa que serviu de autêntico estímulo para duas almas que se encontraram quase que instantaneamente, apesar de terem estilos literários muito diferentes entre si.

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O sexto sentido nos relacionamentos pessoais

Comecemos revelando uma coisa importante. As pessoas não têm apenas 5 sentidos, de fato temos mais de 20. William James, célebre psicólogo e irmão do próprio Henry James, oportunamente definiu muitos deles, como por exemplo a nocicepção, a propriocepção ou a sinestesia.

A inteligência sempre vai ficar com a razão, mas a intuição e o sexto sentido nunca se enganam.
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O sexto sentido é sem dúvida um dos mais importantes. Longe de se relacionar com elementos mágicos ou sobrenaturais, tem a ver com a nossa intuição, com essa capacidade de “olhar para dentro” para entender nossas próprias emoções, para despertar nossa criatividade e se conectar muito mais com o próprio entorno e com as pessoas que nos rodeiam. Somente assim estabelecemos vínculos mais autênticos, mais significativos.

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O subconsciente e o sexto sentido

As pessoas inoportunas que chegam em nossas vidas sem saber como, na verdade, não são estranhos. É provável que Henry James não conhecesse Robert Louis Stevenson e vice-versa, mas esse sexto sentido que todos temos lhes mostrou através da escrita que tinham uma grande afinidade.

  • Os especialistas falam do peso do “subconsciente”, ali onde se armazenam muitas de nossas emoções, de nossas experiências e sensações. Com o passar dos anos, as pessoas criam fortes laços neurológicos para com certas experiências e perfis de personalidade, com os que nos identificamos de forma instintiva, sem perceber.
  • Vivemos estas “sensações” com frequência: existem detalhes que nos atraem sem saber por quê. Existem coisas e pessoas que evitamos sem entender a razão. Tudo isso define nosso sexto sentido emocional, e é ele que faz com que sejamos tão receptivos a essas pessoas inoportunas. Essas pessoas com as quais nos encaixamos maravilhosamente porque nosso próprio cérebro as identifica como semelhantes a nós mesmos.

Assim como podemos ver, a verdadeira magia está, mais uma vez, em nós mesmos. Nessa íntima arquitetura cerebral que orquestra nossas emoções, nos permitindo nos conectarmos com “almas gêmeas“, com essas pessoas que nos trazem sua nobreza, suas tardes de café com risadas, seus “como você está hoje” e seus “estou aqui para o que você precisar”.

Não hesite em deixá-las entrar. Porque as pessoas inoportunas que trazem luz para suas tardes de tempestade e preocupações podem se transformar, sem dúvida, na melhor coisa da sua vida.

Imagens cortesia de Linda LovensteinMariana Kalacheva.

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