Pessoas vingativas: características e como lidar com elas

Todos nós conhecemos uma pessoa vingativa. Se há algo que as define, é a ausência de empatia e a falta de regulação emocional. Como podemos lidar com elas?
Pessoas vingativas: características e como lidar com elas

Última atualização: 18 maio, 2022

As pessoas vingativas seguem ao pé da letra a velha Lex Talionis, ou lei da retribuição : ” olho por olho, dente por dente”. Alguns servem a vingança fria e sem pressa, como Edmond Dantes. Outros buscam qualquer ardil apressado para virar sua raiva contra o autor de sua ofensa e para encontrar algum sentido de alívio ou reparação.

Engano, traição, ataques físicos ou morais… São muitas as razões pelas quais alguém pode sentir esse impulso cheio de raiva e dor. No entanto, essa percepção da ofensa sofrida sempre se baseia em uma dimensão muito específica: a perda da própria integridade.

Além disso, há algo óbvio. A pessoa que quer vingança anseia infligir ao outro o mesmo dano sofrido, pensando que assim se sentirá melhor. Mas isso nem sempre acontece; serenidade ou senso de justiça não é alcançado em todos os casos. Gerar nos outros a mesma dor que eles nos causaram nos coloca, em muitos casos, no mesmo nível moral.

Como explica o Dr. Michael McCullough, psicólogo da Universidade de Miami e especialista nos mecanismos de vingança e perdão, todos nós entendemos 100% a ideia de querer machucar alguém que nos machuca. No entanto, o que nos impede de cair nesse comportamento é o controle dos impulsos, os princípios éticos e a regulação emocional.

Sem essas dimensões seríamos animais em uma selva de asfalto.

“É inútil satisfazer a vingança com vingança; isso não vai curar nada.”

-J. R. R. Tolkien-

Chefe irritado com funcionários que representam pessoas vingativas

Como são as pessoas vingativas?

A vingança é a espinha dorsal de um grande número de títulos em nossa literatura e roteiros de filmes. Recordemos Hamlet vingando a morte de seu pai, o já mencionado Conde de Monte Cristo, o inesquecível personagem de Heathcliff em Wuthering Heights ou a bem sucedida saga Millenium. No cinema, Kill Bill ou John Wick rapidamente vêm à mente, mas poderíamos citar dezenas mais…

Tudo isso nos revela que, se há uma emoção humana com a qual tendemos a nos conectar com frequência, é com a vingança. Sabemos que na vida real não é lícito agir como Lisbeth Salander em Millennium. No entanto, isso nos satisfaz porque simpatizamos com seus motivos. Agora, o problema surge quando temos que lidar com pessoas vingativas na vida real.

Em nosso cotidiano, esses comportamentos nem sempre são compreensíveis e podem até gerar medo. Um exemplo disso é o casal que não aceita a separação e inicia um comportamento ameaçador. Também o colega de trabalho que, por motivos desconhecidos, inicia uma campanha de assédio contra nós.

O desejo de vingança pode ser entendido quando alguém sofreu um ato de violência ou injustiça contra sua própria pessoa. No entanto, há quem abrigue esse sentimento por inveja, insegurança e até algum transtorno de personalidade.

Características que definem as pessoas vingativas

Há um fato revelador que vale a pena lembrar. Há um traço psicológico que diferencia as pessoas vingativas daquelas que, apesar de terem sido injustiçadas, sabem perdoar: o narcisismo. De fato, pesquisas, como as realizadas na Universidade de Oklahoma, mostram que os perfis mais vingativos apresentam um transtorno de personalidade narcisista.

Isso explica várias coisas. Uma delas é que existem aqueles que podem se sentir magoados por aspectos claramente egoístas, insignificantes e até incompreensíveis. Seu ego é tão sensível que qualquer coisa os ofende e eles não hesitam em se vingar.

  • Ciúmes, inseguranças e pensamentos negativos. Pessoas vingativas experimentam esse impulso por causa de suas inseguranças e baixa autoestima. Às vezes, apenas ver os outros tendo sucesso desperta sua frustração e desejo de machucar.
  • Falta de empatia e dificuldade em gerenciar emoções. Outra variável que define esse perfil é a incapacidade de lidar com emoções como a raiva. Quando sentem raiva, não hesitam em acusar os outros desse impulso irracional como mecanismo catártico.
  • Demonstração de poder e sadismo. Este é outro fator mais sombrio e preocupante. Às vezes, pessoas vingativas realizam atos prejudiciais pelo puro prazer de causar danos e também de impor seu poder aos outros.
Mulher olhando em um espelho quebrado pensando em pessoas vingativas

Como agir diante de pessoas vingativas?

A maioria de nós simpatiza com muitas dessas histórias de vingança que o cinema nos traz. Mas a literatura, como também séries e filmes, nada mais é do que uma forma de nos projetarmos em realidades que, como bem sabemos, nem sempre são permissíveis em nosso cotidiano. Como Confúcio apontou, antes de embarcar em uma viagem de vingança, cave duas fossas.

Pode-se buscar a justiça por meio de mecanismos legais, mas nunca a vingança por meio de atos violentos. Por isso devemos ter cuidado com esse perfil, pois se há algo que define boa parte das pessoas vingativas é o agir por irracionalidade. Como podemos nos defender desses perfis problemáticos?

É importante considerar que homens e mulheres que se movem sob esse impulso podem apresentar um transtorno de personalidade. Quem se move pelo impulso do ressentimento e está obcecado em causar danos mostra um risco potencial do qual devemos nos proteger. Nesse sentido, é aconselhável colocar distância sempre que possível.

Não vale a pena enfrentá-los. A falta de empatia deles apenas intensificará nosso desconforto e desespero. São figuras perigosas que é melhor não ter por perto. Como disse Albert Einstein, as pessoas fracas se vingam; as fortes perdoam e as pessoas inteligentes ignoram. Vamos manter isso em mente.

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  • Brown, Ryan P., “Vengeance is mine: Narcissism, vengeance, and the tendency to forgive,” Journal of Research In Personality (2004), 38, 576-584.
  • Carlsmith, Kevin M., Timothy D. Wilson, and Daniel T. Gilbert, “The Paradoxical Consequences of Revenge, “Interpersonal Relations and Group Processes (2008), vol.95 (6), 1316-1324.
  • Chester, David S. and C. Nathan DeWall, “Combating the Sting of Rejection with the Pleasure of Revenge: An New Look at How Emotion Shapes Aggression,” Journal of Personality and Social Psychology (2017), 112(3), 413-430