Planejamento urbano e psicologia: os espaços nos condicionam?  

maio 7, 2020
Urbanismo e psicologia, duas áreas aparentemente separadas que se juntam quando falamos sobre o nosso bem-estar. Hoje, vamos discutir essa relação.

Como seres humanos, somos sensíveis a diferentes variáveis ​​e fenômenos. Um deles é o espaço que, embora às vezes não seja levado em consideração, pode ter um grande impacto em nossas vidas. Por isso, hoje falaremos sobre a relação entre planejamento urbano e psicologia.

Vamos começar analisando os conceitos de planejamento urbano e psicologia. De acordo com a Real Academia Espanhola (RAE), o planejamento urbano é “o conjunto de disciplinas relacionadas ao estudo de assentamentos humanos e suas necessidades de desenvolvimento e intervenção”. Portanto, essa área está relacionada ao planejamento dos territórios em relação aos locais onde nos instalamos.

A psicologia se dedica ao estudo da interação, cognição e afeto. Segundo a RAE, é “a disciplina que estuda o comportamento e a mente humana”. Agora, como isso está relacionado à ocupação do território? Tem algo a ver com as necessidades de desenvolvimento?

O impacto no ambiente no cérebro

Planejamento urbano e psicologia

O nosso desenvolvimento não é influenciado apenas por fatores biológicos, parentais e de aprendizado. Os espaços em que crescemos também o condicionam. De fato, somos mais vulneráveis ​​quando estamos em determinados ambientes. Isso não significa que estamos destinados “a nos dar mal” se estivermos nesses espaços, mas que corremos um risco maior.

Sendo assim, como somos influenciados pelos ambientes em que nos desenvolvemos, vamos manifestar comportamentos, pensamentos e emoções. Aí entra a psicologia, para estudar por que e para que isso acontece, como são as nossas interações, se elas estão determinadas ou não, etc.

Além disso, como sugerem os arquitetos Méndez Rodríguez, Saura Carulla e Montañola Thornberg, “os lugares são uma espécie de espelho da civilização, e não apenas uma questão técnica”, pois nos transmitem sensibilidade e é onde nossas vidas acontecem. Então, nesse impacto vemos a relação de ambas as disciplinas.

Consciência espacial

Ambos enfatizam a conscientização do espaço; por um lado, o planejamento urbano nos convida a avaliar as necessidades de promover a organização dos territórios, para os quais deve avaliar o contexto e julgar a realidade de acordo com as ações a serem tomadas. Por outro lado, a psicologia nos convida a viver o aqui e o agora e a sensação de estar presente de acordo com a realidade em que estamos.

Além disso, a sua relação pode gerar grandes frutos no desenvolvimento de espaços, pois seria um encontro dialógico em que poderia ser dada uma solução de acordo com as necessidades dos indivíduos em relação ao território, a partir de um ponto de vista integral, gerando alternativas que promovam ambientes urbanos saudáveis.

Ambas as disciplinas trabalham nos mesmos projetos. É uma colaboração que visa criar espaços amigáveis ​​que diminuam as barreiras e promovam uma melhor qualidade de vida. Para isso, levam em consideração valores sociais e culturais e uma série de questões físicas, psíquicas e sociais.

Decoração minimalista

Planejamento urbano, psicologia e desigualdade

Essa é outra área em que o urbanismo e a psicologia se relacionam: a desigualdade. Por quê? O fato de os espaços nos impactarem pode criar questões positivas – por exemplo, espaços favoráveis ​​ao meio ambiente – e questões negativas, como a criação de lacunas sociais. Podemos ver tudo isso refletido naqueles lugares onde serviços, instituições, hospitais e centros educacionais tendem a ser centralizados, um fator que penaliza as pessoas que vivem na periferia.

Enfrentar esses obstáculos é um desafio que envolve diferentes campos. Nesse sentido, o planejamento urbano e a psicologia intervêm para gerar novas dinâmicas que promovam a igualdade.

Em suma, o planejamento urbano e a psicologia são áreas que se encontram no espaço onde nos instalamos, promovendo uma melhor qualidade de vida através da sua intervenção. Além disso, eles podem criar ambientes que ajudem a gerar um impacto positivo no indivíduo e nas comunidades.

Para fazer isso, o ponto de partida é um diagnóstico preciso, levando em consideração as necessidades individuais e coletivas e promovendo o desenvolvimento dos ambientes em que vivemos. Além disso, como disse a arquiteta Julia Morgan: “os espaços falam por si”.

  • Méndez Rodríguez, S. Saura Carulla, M. & Muntañola Thornberg, J. (2013). Psicología ambiental, Arquitectura y Urbanismo: una fecundación que no Llega.