Poder social: definição e tipos - A Mente é Maravilhosa

Poder social: definição e tipos

dezembro 29, 2017 em Psicologia 113 Compartilhados
Fósforo diferente representando poder social

Um professor tem poder sobre os seus alunos. Os pais têm poder sobre os seus filhos. Um chefe tem poder sobre os seus funcionários. Os políticos têm poder para decidir. O poder social está presente em todas as áreas da vida: uma pessoa tem poder sobre a outra, algumas profissões têm mais poder que as outras, mas o que é poder? Não basta dizer que alguém é poderoso, precisamos definir claramente o que é o poder.

O poder é a capacidade de fazer ou ser algo. A capacidade de exercer um domínio hegemônico sobre uma ou várias pessoas. A capacidade de influenciar um e/ou vários indivíduos e assumir a autoridade suprema reconhecida em uma sociedade. Como podemos ver, a definição de poder é muito vaga. Ao longo da história, houve diferentes definições, teorias e tipologias de poder. Para entendê-lo melhor, é necessário conhecer algumas definições mais aceitas.

Um dos primeiros autores a falar sobre o poder foi Friedrich Nietzsche (2005). Ele citou o desejo de ser poderoso como uma ambição de alcançar os seus desejos. Quase ao mesmo tempo, Max Weber definiu o poder como a oportunidade ou a possibilidade existente em uma relação social que permite que um indivíduo satisfaça a sua própria vontade. Posteriormente, desde o marxismo, vários autores estudaram esse conceito. O filósofo francês Michel Foucault desenvolveu uma das análises mais abrangentes sobre o poder. Embora tenha havido muitos outros autores, citaremos alguns dos mais relevantes, sem esquecer os trabalhos sobre o poder social estudados pela psicologia.

Ferramenta com cara brava

Max Weber

Max Weber foi um dos pensadores mais importantes do século XX. Embora o seu campo de estudo seja muito variado, nos concentraremos na sua concepção sobre poder e dominação. Para Weber poder significa “a probabilidade de impor a própria vontade, dentro de uma relação social, mesmo contra toda resistência e qualquer que seja a base dessa probabilidade (Weber, 2005)”.

Neste caso, o poder envolve a capacidade potencial de impor a vontade e pode se manifestar de maneiras diferentes. Enquanto a dominação, entendida como uma forma de mandato-obediência, seria a maneira mais bem-sucedida de expressar o poder.

Dentro da dominação existem diferentes tipos. Um dos mais importantes seria a legitimidade, que é a crença na validade de uma ordem ou de uma relação social específica. Existem três formas de legitimidade na dominação (Weber, 2007).

  • Dominação jurídica racional: “baseia-se na crença na legalidade da ordem estabelecida e no direito de dar ordens aos que têm competência para exercer a dominação de acordo com esse sistema”.
  • Dominação tradicional: “baseia-se na crença habitual no caráter sagrado das tradições que sempre existiram e na legitimidade dos elementos para exercer a autoridade em virtude dessas tradições”.
  • Dominação carismática: “baseia-se na extraordinária entrega da santidade, heroísmo ou exemplaridade de uma pessoa e da ordem criada ou revelada por essa pessoa”.

Xadrez

Marxismo

De acordo com Karl Marx, “o movimento político da classe trabalhadora tem como objetivo final a tomada do poder político (carta a Bolte, 29 de novembro de 1871)”. Quando se trata da conquista do poder social, a luta política de classes é a base. Além disso, está acima das outras formas de luta de classes, como a econômica ou ideológica. Embora de acordo com Marx, as mudanças na base econômica possam influenciar na conquista do poder, as práticas políticas terão maior peso (Sánchez Vázquez, 2014).

No entanto, Marx não desenvolveu uma teoria do poder, mas dá a entender que “o poder político é a violência organizada de uma classe para a opressão de outra (Marx e Engels, 2011)”. Anos mais tarde, os marxistas se aprofundaram nas teorias do poder social. Por exemplo, para Antonio Gramsci (1977), o poder das classes dominantes sobre o proletariado e todas as classes sujeitas ao modelo de produção capitalista não é simplesmente dado pelo controle dos dispositivos repressivos do estado. Este poder é dado fundamentalmente pela “hegemonia” cultural que as classes dominantes conseguem exercer sobre as classes submetidas, através do controle do sistema educacional, das instituições religiosas e dos meios de comunicação.

Michel Foucault

Foucault dizia que o poder está em toda parte, porque não vem de um lugar específico. Portanto, o poder não poderia estar localizado em uma instituição ou estado e a ideia marxista de assumi-lo não seria possível. O poder é uma relação de forças que ocorre em uma sociedade em um determinado momento. Dessa forma, se considerarmos o poder como o resultado das relações de poder, ele estará em toda parte. E os indivíduos não podem ser considerados independentes dessas relações.

Foucault, na contramão das concepções anteriores de poder, se perguntava: como as relações de poder podem produzir regras de direito que, por sua vez, produzem discursos da verdade? Embora o poder, o direito e a verdade se retroalimentem, o poder sempre mantém uma influência preponderante sobre o direito e a verdade. As teorias de Foucault abordam a relação existente entre poder e conhecimento e como eles são usados ​​como uma forma de controle social através das instituições.

Câmeras vigiando pessoas

Embora Foucault analise o poder em diferentes contextos e épocas, uma das concepções mais importantes é a do biopoder (Foucault, 2000). O biopoder é uma prática dos estados modernos através do qual eles controlam a população. O poder moderno, de acordo com a análise de Foucault, é codificado nas práticas sociais e no comportamento humano, pois o indivíduo aceita gradualmente os controles sutis e as expectativas da ordem social. Com o biopoder, ocorre uma regularização biológica da vida. Um exemplo clássico é encontrado nos hospitais psiquiátricos, nas prisões e tribunais, que definem as normas pelas quais uma parte da população se afasta da sociedade (Foucault, 2002).

O poder social na psicologia

Dentro da psicologia social, John French e Bertram Raven (1959) propuseram cinco formas de poder. Sobre essas cinco formas de poder estão assentadas as bases de apoio daqueles que exercem o poder. Essas formas de poder são as seguintes:

  • Poder legítimo: poder de um indivíduo ou de um grupo, graças à posição que ocupa dentro de uma organização ou sociedade. O poder legítimo confere uma autoridade formal delegada a quem o exerce.
  • Poder de referência: habilidade de certos indivíduos para persuadir ou influenciar os demais. Baseia-se no carisma e nas habilidades interpessoais de quem exerce o poder. A pessoa que está submetida ao poder o toma como modelo e tenta agir como ele.
  • Poder especializado: resulta das habilidades ou experiência de algumas pessoas e das necessidades que a organização ou a sociedade possuem dessas habilidades. Ao contrário das outras categorias, esse tipo de poder geralmente é muito específico e limitado à uma determinada área na qual o indivíduo está qualificado.
  • Poder de recompensa: depende da capacidade do líder de conceder recompensas materiais através de algum tipo de benefício, como por exemplo: tempo livre, presentes, promoções, aumentos salariais ou de responsabilidade.
  • Poder de coerção: baseia-se na capacidade de impor punições por parte de quem detém o poder. As pessoas se submetem para obterem algumas recompensas, mas também se submetem através de reforços negativos por medo de perderem algo. Esse medo é o que, em última análise, garante a efetividade desse tipo de poder.

Dominós coloridos caindo

Como vimos, as concepções do poder social são muito diferenciadas e influenciadas pela época em que vivemos. Um concepção simples de poder seria a dominação sobre outra pessoa, mas atualmente entendemos o poder como uma rede complexa de relacionamentos. Essa concepção de poder nos mostra que estamos sempre envolvidos em relações de poder. Cada interação que realizamos será caracterizada pelas diferenças de poder existentes. Portanto, estar ciente do poder social é um primeiro passo para evitar a sua influência e para não exercê-la.

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