O poder do sorriso de Duchenne

· novembro 4, 2018

Dizem que o sorriso de Duchenne é o mais verdadeiro, que aprisiona pela sua sinceridade, que encanta pela sua magia e pelas emoções positivas que transmite.

Assim, entre todos os gestos que a face humana pode refletir, este é, sem dúvida, um dos mais atraentes e marcantes. A ciência dos sorrisos vem estudando o seu poderoso efeito há décadas.

Algumas pessoas definem os sorrisos como “lubrificantes sociais”. No entanto, eles são muito mais do que isso: o ser humano vem ao mundo com esse mecanismo social impresso nas profundezas do seu DNA.

Até mesmo as pessoas cegas sorriem automaticamente sem nunca terem visto um sorriso. É um gesto espontâneo que melhora o humor, que otimiza os relacionamentos e nos permite transmitir emoções sem a necessidade de palavras.

“Com o seu sorriso você torna o mundo mais bonito”.
-Thich Nhat Hanh-

Podemos dizer que este maravilhoso gesto social apresenta diversas variedades. Nem todos os sorrisos são iguais e há um que se destaca acima dos outros de uma maneira prodigiosa.

Falamos do sorriso de Duchenne, a síntese do sorriso verdadeiro como definiu em sua época o médico, neurologista e pioneiro da fotografia médica Guillaume Duchenne, em meados do século XIX.

O Dr. Duchenne, um especialista na fisiologia do movimento, queria descrever e detalhar como diferenciar os falsos sorrisos dos sorrisos verdadeiros. Para isso, detalhou passo a passo como eles se desenham e aparecem em nosso rosto.

Trata-se de um gesto que envolve uma série de músculos da nossa complexa arquitetura facial para a sua formação.

Um assunto, sem dúvida, muito interessante e com nuances notáveis nas quais vale a pena aprofundar.

Mulher sorrindo atrás de folha

O que sabemos sobre o sorriso de Duchenne?

É possível que uma parte dos nossos leitores aceite a ideia de que existe um sorriso genuíno e sincero com algum ceticismo. Para aqueles que acreditam nisso, podemos dizer que eles não estão errados.

Como muitos podem suspeitar, o sorriso de Duchenne pode ser imitado e, portanto, tornar-se um sorriso falso com um propósito muito específico: seduzir, convencer, atrair, enganar, etc.

Assim, graças a um estudo realizado pela Tufts University em Massachusetts e publicado na British Psychological Society, pudemos ver que, após testar um grupo de 98 participantes, 69% deles conseguia imitar “quase perfeitamente” esse tipo de sorriso.

Dizemos “quase” porque um bom especialista no sorriso de Duchenne podia perceber a falsidade. Nesse gesto social há uma nuance que vai além da boca e que está impressa no olhar: é a autenticidade emocional.

Como identificar o sorriso de Duchenne?

Como o próprio Dr. Duchenne explicou em 1862, a característica essencial de qualquer sorriso é a elevação dos cantos do lábio, que se levantam com a ajuda dos músculos da bochecha.

Agora, o sorriso de Duchenne tem uma nuance única e excepcional e é gerado pela emoção positiva e pela alegria, que é transmitida através de uma combinação sutil de diferentes músculos.

Este é um tipo de sorriso que se origina com a contração dos músculos zigomático maior e zigomático menor próximos à boca, que, por sua vez, elevam os cantos dos lábios.

Além disso, aqui vem a singular nuance: pequenas rugas são formadas ao redor dos olhos quando as bochechas e o músculo orbicular se contraem perto dos olhos (orbicularis oculi).

Sorriso sincero

Como diferenciar um autêntico sorriso de Duchenne de um falso?

Paul Ekman é um psicólogo reconhecido pelo seu trabalho no campo das emoções, especialmente no que diz respeito à sua expressão. Graças a ele, conhecemos até 18 tipos diferentes de sorriso, as emoções associadas a eles e os músculos faciais envolvidos em cada gesto.

  • Assim, algo que o Dr. Ekman nos aponta é que a maioria dos sorrisos (incluindo os falsos) responde à sua própria vontade. No entanto, o autêntico sorriso de Duchenne é um reflexo das emoções da alma.
  • Essa frase, que pode parecer poética, manifesta uma ideia que ele mesmo demonstrou em um estudo publicado em uma revista de psicologia social. Ou seja, esse gesto é percebido com o sorriso, mas também com o olhar, porque é aí que se reflete a felicidade, o bem-estar e a cumplicidade verdadeira.

Dessa forma, um aspecto que devemos conhecer sobre o sorriso de Duchenne é que ele é controlado pelo córtex motor e pelo sistema límbico. O que isso significa? Basicamente que este é um gesto que envolve a parte mais emocional do cérebro.

Tudo isso nos leva a concluir que os verdadeiros sorrisos, os genuínos, provêm da parte do cérebro onde as emoções positivas fazem com que os olhos se contraiam, ao mesmo tempo em que lhes dão um brilho especial.

Olho com feixe de cores

Conclusão

Quando estamos diante de alguém sorri para nós, não ficamos somente com a forma atraente dos lábios. Vamos também em busca dos olhos para ver o brilho gerado pelas emoções positivas e não distorcidas, intuímos a sinceridade, o olhar que não foge e que abraça em profundidade…

Para concluir, como diz Daniel Goleman em seu livro Inteligência Social, as pessoas tristes estão repletas de falsos sorrisos. Se trabalharmos as nossas emoções e investirmos em bem-estar e felicidade, mostraremos ao mundo um autêntico sorriso de Duchenne.