Filmes de terror: por que algumas pessoas gostam de sentir medo?

Por que algumas pessoas gostam de filmes de terror?

27, setembro 2016 em Psicologia 1207 Compartilhados
Filmes de terror: por que algumas pessoas gostam de sentir medo?

De onde vem o prazer pelo medo nas pessoas? Podemos analisar as palavras do célebre pesquisador e psicólogo Arthur Westermayr, “desde o começo do pensamento humano, o medo tem sido considerado com desprezo”. Se essa afirmação é correta, porque tanta gente gosta de assistir a filmes de terror e sentir medo?

Talvez não exista uma resposta genuína e totalmente certa para entender o prazer que tantas pessoas encontram nesse tipo de sentimento. No entanto, vamos tratar de localizar a raiz dessa singular emoção, que costuma ser inimiga mas de vez em quando é solicitada. Comecemos!

Filmes de terror: o prazer do medo controlado

Vamos começar nos referindo ao testemunho da socióloga Margee Kerr, que também trabalha de forma permanente numa atração chamada de A Casa do Terror em Pittsburgh, Estados Unidos. Para ela, o segredo está no controle.

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A que se refere Kerr com o controle? A resposta é simples. Sempre que o cérebro humano vive o medo em um ambiente que realmente está isento de perigo, a reação fisiológica pode ser divertida, daí vem o prazer que se sente nesse tipo de situação.

A essa declaração, Kerr acrescenta que o fato de superar uma situação de estresse aparente elevado cria em nosso cérebro um poço de autoconfiança e uma sensação positiva invejável. Um coquetel que permite ao nosso cérebro se aproveitar de fatos que a priori deveriam ser negativos.

O que é o medo na verdade?

Sabemos o que é o medo? Uma corrente psicológica comumente aceita o explica como uma série de emoções relacionadas a um processo psicológico que sinaliza possíveis perigos, estresse ou situações singularmente negativas.

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Na realidade o medo é uma série de sistemas que se ativam de maneira fisiológica e comportamental num sentido concreto após passar por uma situação única e ameaçadora de forma muito rápida. Após uma primeira vista, nosso cérebro já tem consciência do tipo de medo que despertou em nós.

Obviamente, se nosso cérebro interpreta o tipo de medo que enfrentamos como uma situação controlada, ela pode ser agradável. Ou seja, filmes de terror, uma atração de um evento, uma festa de Halloween…

Agora, se o nosso cérebro sente um medo relacionado a uma situação não controlada, como a possível morte de um ente querido, um assalto, etc., tenha certeza de que não haverá qualquer prazer verdadeiro e o terror real e descontrolado pode tomar posse da nossa mente e do nosso corpo.

Condicionar-se para sentir medo

É possível que uma pessoa se condicione para sentir medo? Se analisarmos o experimento “Conditioned Emotional Reactions” que Rosalie Raynery e John Watson realizaram em 1920, podemos concluir que sim.

No exemplo citado, os pesquisadores criaram uma fobia numa criança de aproximadamente nove meses de idade. Publicaram o estudo em que descreviam passo a passo todo o processo através do qual condicionaram o medo. Trata-se de um experimento que atualmente não seria aceito pelo fato de que ninguém tem o direito de condicionar essa emoção em outra pessoa, e menos ainda num menor de idade.

Isso quer dizer que nossos cérebros podem estar perfeitamente condicionados para experimentar o medo diante de um estímulo que entendem como antecipador de uma situação ameaçadora. Esse medo, repetimos, quando experimentado dentro de um quadro de controle, é extraordinariamente gratificante para muitas pessoas. Por isso há tantas que gostam dos filmes de terror.

Reações psicológicas diante do medo

A reações positivas ou negativas ao medo podem ser compreendidas a partir das reações psicológicas que se produzem em nosso cérebro. Segundo os estímulos recebidos, somos capazes de interpretar e entender essa emoção.

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Dentro do nosso sistema límbico, na profundidade do nosso lobo temporal , encontramos a amígdala. Essa estrutura subcortical é a encarregada de delimitar se trata-se de um “medo-prazer” ou de um “medo-real”.

Diante de uma situação em que se produz essa emoção, podemos reagir de diferentes formas. Talvez correremos, atacaremos, fugiremos… seja como for, nosso corpo reagirá liberando adrenalina e elevando o nível de cortisol e açúcar no sangue.

Essa enorme descarga de nosso organismo é positiva? Na verdade, se você está num entorno controlado e sua mente tem certeza de que não existe perigo algum, será um grande prazer para todo o corpo, que aproveitará para consumir as substâncias que liberou sem interferência de nenhuma ameaça real.

Assim, você já sabe: se tudo está sob controle, o prazer do medo pode ser uma ferramenta a mais para melhorar seu humor. Uma maneira de permitir que seu cérebro realize um banquete de substâncias sem que nada, nem ninguém, o irrite. Claro, até o próximo momento em que o monstro aparecer.

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