Preocupação patológica: o que é e como é tratada?

janeiro 9, 2020
A preocupação excessiva, além de uma fonte inútil de sofrimento, é o pavio que acende a ansiedade. Precisamos aprender a treinar a calma mental, a focar muito mais em soluções e deixar de antecipar fatalidades e eventos negativos.

A preocupação patológica é como um quarto que vai ficando sem oxigênio aos poucos. É como se perder em um labirinto sem saída e caminhar em direção a uma ladeira sem entender muito bem por que não conseguimos voltar. Esse estado psicológico configura, como podemos imaginar, a base dos transtornos de ansiedade.

Mas, por que fazemos isso? Por que a mente humana tem tanta facilidade para criar situações tão angustiantes? Algo que devemos entender é que a preocupação é, de fato, o componente cognitivo da ansiedade. É o que a alimenta e a torna tão resistente. Da mesma forma, não devemos ignorar outro aspecto: as preocupações se alimentam dos medos.

Tendemos a nos preocupar quando não temos certeza do que vai acontecer, quando dizemos a nós mesmos que algo ruim vai acontecer ou quando, na nossa tentativa de resolver um problema, duvidamos de quase tudo.

Poderíamos deduzir que, por trás de tudo isso, está o negativismo. No entanto, estaríamos errados; por trás do negativismo está, na realidade, a sombra do medo.

A preocupação, quando é patológica, torna-se angústia mental. Nesse cenário psicológico, ideias e desejos não crescem… nem mesmo a esperança. Portanto, precisamos detectar esses tipos de padrões mentais para desativá-los. Vejamos mais alguns aspectos sobre este tema.

“A catástrofe que tanto o preocupa, muitas vezes acaba sendo menos terrível na realidade do que na sua imaginação”.
-Wayne W. Dyer-

Preocupação patológica

Por que nos preocupamos e qual é a utilidade da preocupação?

Por si só, a preocupação é um processo psicológico normal. O seu objetivo é resolver um problema, uma inquietude que, por qualquer motivo, está tirando a nossa calma.

Essa ativação cognitiva, emocional e psicofisiológica nos leva a empregar, em circunstâncias normais, certas estratégias de enfrentamento para reduzir a incerteza, os medos e resolver o tal evento.

Também é interessante saber que nos últimos anos o interesse da ciência pelas preocupações aumentou significativamente. Até recentemente, o foco era quase exclusivamente o “quanto” o ser humano se preocupa e como isso afetava a sua ansiedade.

No entanto, nos últimos anos, estudos como o realizado pelo Dr. Mark Freeston, da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, tentam identificar as fontes de preocupação que são comuns para quase todas as pessoas.

As duas principais causas

De acordo com o trabalho do Dr. Freeston e sua equipe, a maioria de nossas preocupações teria duas origens:

  • Nos preocupamos porque antecipamos um evento negativo. Tememos, por exemplo, decepcionar os outros, não alcançar o que esperamos, perder algo que seja significativo para nós ou, ainda mais, experimentar a culpa por não fazer algumas coisas de uma determinada maneira.
  • A segunda razão pela qual nos preocupamos é bastante curiosa. Geralmente, chegamos a pensar que o fato de “nos preocuparmos muito” com as coisas nos torna pessoas mais responsáveis, como se o fato de passar muitas horas pensando em determinadas coisas nos ajudasse a encontrar a solução e a ter um maior senso de controle. Na realidade, nem sempre é assim, porque a preocupação excessiva alimenta a ansiedade.
Cérebro se deteriorando

A preocupação patológica e o ciclo da retroalimentação

A preocupação excessiva leva à preocupação patológica. São estados em que a mente não para de pensar nas mesmas coisas, antecipando resultados negativos. É um tipo de ruminação que, longe de resolver um problema, o aumenta, intensificando também o sofrimento emocional.

Por outro lado, é importante considerar um aspecto. A preocupação patológica é causada por um curioso ciclo de retroalimentação entre nossa amígdala e o córtex pré-frontal.

A amígdala é a região destinada a detectar os riscos e enviar uma mensagem de alarme ao cérebro, um sinal que se traduz em um estado emocional específico: no medo e na angústia.

Dessa forma, o nosso córtex pré-frontal é incapaz de pensar de forma lógica e reflexiva para dar respostas mais precisas às nossas preocupações.

O que podemos fazer nessas circunstâncias?

Terapia psicológica

Três chaves para abordar a preocupação patológica

Uma maneira de reduzir a preocupação patológica e a energia negativa que alimenta o nosso cérebro é falar. As estratégias verbais são conhecidas por atuarem como mecanismos catárticos para reduzir o sofrimento.

Portanto, não hesite, por exemplo, em manter um diálogo com alguém que saiba ouvir, entender e estar próximo. Conversando com outras pessoas, poderemos detectar as nossas ideias irracionais e essas abordagens que, na realidade, alimentam ainda mais o sofrimento.

O segundo é alcançar uma mente tranquila. Em um cenário mental calmo, as emoções se equilibram, o cérebro respira, as ideias fluem e a angústia perde poder. Para alcançar esse estado interno ideal, existem estratégias interessantes como o relaxamento, caminhar ou praticar a atenção plena.

O terceiro passo é deixar de ficar obcecado com o problema e focar nas soluções. Não importa como chegamos a essa situação. Além disso, a última coisa que devemos fazer é antecipar o que pode ou não acontecer. O essencial é definir o problema objetivamente e pensar em estratégias de enfrentamento.

Para concluir, podemos destacar um aspecto: quando estamos continuamente sujeitos a um estado de preocupação patológica, é aconselhável consultar profissionais especializados. Existem terapias altamente eficazes para gerar mudanças e ganhar bem-estar. Não se esqueça disso.

  • Freeston, M. H., Rhéaume, J., Letarte, H., Dugas, M. J., & Ladouceur, R. (1994). Why do people worry? Personality and Individual Differences17(6), 791–802. https://doi.org/10.1016/0191-8869(94)90048-5