“Prisioneiros” um do outro

· maio 10, 2017

Somente permanecemos em situações difíceis e tristes quando temos algo de nós presos àquela circunstância. Ainda existe uma identificação, seja positiva ou negativa, que nos impede de sair, de alçar novos voos. Acabamos ficando presos e enredados na conjuntura e não vemos saídas. Porém, nem sempre temos consciência dos atos que praticamos, nem do que eles podem nos causar. Muitas vezes agimos às cegas, mas isso não nos impede de sofrer as consequências…

Noto que determinadas pessoas acreditam que o fato de “amarem” alguém lhes dá carta branca, passe livre, direito e autorização para fazerem o que quiserem em nome desse amor, inclusive para criarem situações embaraçosas, “armarem barracos”. Isso costuma acontecer principalmente quando não são correspondidas ou deixadas, seja lá qual for a razão ou a motivação.

amor equilibrado

Amor não se pede nem se impõe

Não se mendiga nem se implora. Tem que ser natural e espontâneo. Amor não pode ser peso nem prisão; tem que ser leve, bom, prazeroso. Não é algo que nos faz sofrer e chorar. Quando isso acontece, com certeza não é amor.

Pior do que aquele que mendiga amor é aquele que sabe do amor que o outro tem por ele e o constrange, manipula, usando o sentimento contra quem o sente. Alguns chegam a usá-lo como “arma” contra aquele que ama, às vezes movidos pela vaidade, pela imaturidade, pelo egoísmo e pelo desejo de controle. Acabam por não “soltar” a pessoa que os ama, não deixando-a partir.

amor não correspondido

Outros − por ainda não estarem certos, conscientes e seguros do próprio sentimento e da decisão tomada − preferem “cozinhar” aqueles que amam em “banho-maria”. A sua maneira, falam uma coisinha aqui, jogam outra ali, fazem um gesto acolá, mas jamais deixam clara a situação ou falam a verdade ao outro. Com certeza, sabem que − uma vez a verdade dita claramente, sem rodeios, à outra pessoa − esta se libertará e provavelmente irá embora.

Chega a ser desumano, maldoso, fazer  uso dessa estratégia para “prender” alguém por ainda não estar certo se ama ou não.  Certamente, não é quem deve “soltar” que prende aquele ama, mas sim este é que se deixa prender por uma falta de posição e definição daquele que está em dúvida de sua escolha, uma vez que tal sujeito ainda cria alguma expectativa e acena com falsas esperanças, sinais convenientes, para a outra parte. Se não ama mais, se cansou, se não quer mais, diga. Seja honesto, corajoso, e fale. Dê ao outro a oportunidade de lidar com a própria rejeição sentida. Será difícil, mas uma hora passará. O que não passa e machuca é a humilhação de se colocar na eterna posição de espera da decisão do outro. Isso é cruel.

Percebo que pessoas que adotam essa postura em relação ao outro jamais levam em consideração ou respeitam o sentimento daqueles que as amam, muito menos o ser humano que está na outra ponta da relação. Seguem agindo assim, movidos pelo próprio umbigo, por um grande tempo, repetidas vezes, até terem certeza de que já estão prontos, de que a hora e o momento exatos chegaram ou de que encontraram alguém mais interessante. Então, sem qualquer aviso prévio, vão e pronto.