Projeto MK Ultra: um programa de controle mental

julho 20, 2019
Na sua ânsia de controlar a mente das pessoas, a CIA criou o Projeto MK Ultra. Através dele, fez experiências cruéis com seres humanos para encontrar os pontos vulneráveis da mente e, desse modo, controlar e manipular as pessoas.

Ainda hoje, os experimentos que os nazistas realizaram com seres humanos nos fazem ficar “de cabelo em pé”. Vários deles tinham como objetivo encontrar mecanismos para controlar a mente das pessoas. O que nem todo mundo sabe é que experiências semelhantes e ainda mais assustadoras foram realizadas nos Estados Unidos. Uma delas foi o projeto MK Ultra.

A Segunda Guerra Mundial provocou uma mudança na estratégia militar. Até então, a espionagem nunca havia tido muita importância. Isso aconteceu porque os países se tornaram conscientes do valor da informação contrastada para planejar suas táticas de ataque.

Da mesma forma, o próprio Hitler provou que era possível controlar a mente humana e manipular milhões de pessoas para realizar ações que, em outras condições, elas teriam rejeitado.

Portanto, no final do confronto, a ideia de obter informações e manipular a mente era uma das principais preocupações nos Estados Unidos. Foi assim que nasceu o projeto MK Ultra.

“Somente a ideia de que uma coisa cruel possa ser útil já é imoral”.
– Cicero –

Manipular os outros

O que foi o projeto MK Ultra?

Na verdade, é muito difícil saber com precisão em que consistia o projeto MK Ultra. Quando a imprensa o descobriu, no final dos anos 60 e parte dos anos 70, a CIA, que dirigia o programa, deu a ordem para destruir todos os seus arquivos.

A única coisa que pôde ser resgatada foi um pequeno grupo de documentos. A partir desse pequeno banco de dados, os investigadores começaram a reconstruir o que aconteceu.

Um grande número de testemunhos das vítimas foi adicionado ao projeto. No entanto, em um sentido estrito, nunca saberemos ao certo como o MK Ultra foi desenvolvido. Ele continha 150 linhas de ação e apenas duas ou três são conhecidas.

No entanto, o pouco que se sabe fala de experimentos com drogas psicoativas e neurológicas, além de outros métodos. Elas foram aplicadas em milhares de seres humanos, sem o seu consentimento.

O objetivo era observar o efeito de tais drogas sobre as pessoas; saber se, dessa forma, seriam induzidas a revelar o que sabiam ou determinar se era possível mudar a mente humana conforme desejassem.

Os experimentos com seres humanos

De acordo com os dados disponíveis, os “pesquisadores” do projeto MK Ultra ministraram drogas, como o LSD, de diferentes maneiras e em diferentes doses para determinar como as “pessoas contaminadas” se comportavam.

Métodos como choques elétricos e terapias hipnóticas também foram utilizados. Nos anos 50, quando o projeto começou, falava-se muito sobre a “lavagem cerebral”. Isto é, uma espécie de reprogramação da mente a partir desses “tratamentos” especiais.

Sabe-se também que a CIA testou os efeitos de várias técnicas de tortura. Às vezes, eles deixavam os “voluntários” vários dias sem dormir enquanto repetiam mensagens subliminares sem cessar. Outras vezes, aplicavam eletrochoques sistematicamente ou drogas sintéticas em grandes quantidades.

Os “voluntários” no Projeto MK Ultra

O mais execrável do projeto MK Ultra foi que eles enganaram milhares de pessoas para participarem dele. Eles basicamente pegavam as suas cobaias através de dois métodos.

O primeiro era dirigido aos hospitais psiquiátricos. Os pacientes eram informados de que novas terapias estavam sendo testadas. Nenhum dos internos desses hospitais foi informado de que se tratava de um experimento conduzido pela CIA e de que entre os “especialistas” havia vários ex-nazistas.

De fato, um dos colaboradores mais ativos do Projeto MK Ultra foi o psiquiatra Donald Ewen Cameron, que acabou sendo o primeiro presidente da Associação Mundial de Psiquiatria, bem como presidente da Associação Americana de Psiquiatria e também da canadense.

David Ewen Cameron
David Ewen Cameron

Outros “voluntários”

Os experimentos não foram feitos apenas com “doentes mentais”, mas também com milhares de cidadãos considerados “normais”. Eles foram recrutados no exército, universidades, hospitais públicos, bordéis, hospícios e em todo lugar.

Em troca de alguns dólares, eles concordaram em fazer parte desses testes. No entanto, nunca foram informados a respeito do propósito real.

Muitos deles não sobreviveram aos cruéis experimentos. Outros ficaram com sequelas permanentes. O caso mais divulgado foi o de Frank Olson, nos Estados Unidos. No Canadá, por sua vez, o governo acabou indenizando centenas de pessoas para abafar o escândalo.

O que aconteceu foi divulgado graças a uma investigação da imprensa. Foi então que o Congresso dos Estados Unidos criou uma comissão para investigar os fatos. Além disso, uma comissão independente também foi estruturada.

No fim, eles conseguiram encontrar os documentos em 1973, e é por isso que a CIA deu a ordem para destruir todos os arquivos.

O Projeto MK Ultra mostra até que ponto os organismos de poder são capazes de chegar para obter o que desejam. Isso não ocorreu em uma ditadura, mas em um país que se orgulha de ser o defensor da democracia no mundo.

Agora, uma pergunta perturbadora: haverá experiências semelhantes em outros lugares que ainda não conhecemos?

  • Frattini, E. (2012). CIA. Joyas de familia: Los documentos más comprometedores de la Agencia, por fin al descubierto. Grupo Planeta Spain.