Que nunca lhe faltem propósitos para seguir em frente

junho 24, 2020
Hoje, amanhã e depois, que nunca lhe faltem propósitos para seguir em frente. Não deixe de estabelecer metas no seu horizonte e lembre-se do que é prioridade para você; com objetivos claros, você nunca deixará de florescer.

Em sua mente e em seu coração, sempre devem estar presentes os propósitos para seguir em frente. São eles que nos dão motivos para sair da cama, energia para confiar que hoje será melhor do que ontem e significados para entender que a vida sempre vale a pena. Além disso, poucas dimensões são tão essenciais no campo da saúde mental e do crescimento pessoal quanto alimentar os nossos propósitos de vida.

Quando conversamos com alguém que sofre de algum distúrbio de humor, esse aspecto chama a nossa atenção. Muitos declaram não ter nenhum objetivo. A sua realidade está suspensa em um vazio absoluto onde não há sonhos, onde a vida cotidiana é totalmente sem sentido.

Alguns podem ter hobbies e interesses, mas se esquecem deles. Outros têm um parceiro, amigos e família e, mesmo assim, se sentes sozinhos e vazios.

Esses estados são devastadores e requerem um longo e delicado processo psicoterapêutico para que a pessoa se fortaleça, para que possa reformular os pensamentos e encontrar o equilíbrio emocional com o qual se reconstruirá gradualmente e encontrará novas metas no horizonte.

Devemos destacar que é completamente normal passar por fases em que somos obrigados a reformular os nossos propósitos. Todos nós passamos por algumas transições, momentos em que precisamos reescrever determinadas coisas.

Terminar um relacionamento amoroso, mudar de emprego ou até mesmo atravessar uma adversidade faz com que tenhamos que redefinir alguns aspectos.

No entanto, fazer isso é sempre bom. As pessoas são feitas de histórias, relatos extraordinários que são constantemente reescritos. Enquanto existir a tinta para escrever os nossos propósitos, tudo vai ficar bem.

Que nunca lhe faltem propósitos para seguir em frente

Propósitos para seguir em frente, pilares da saúde mental

Em 2016, a Universidade de Harvard lançou um projeto de pesquisa que visava aprofundar o conceito de crescimento pessoal. Essa dimensão pode ser entendida como algo que vai além do próprio bem-estar. É, acima de tudo, superação, resiliência, ser capaz de usar estratégias psicológicas que nos permitam enfrentar qualquer circunstância e alcançar a felicidade.

Esse programa de pesquisa está em andamento há vários anos e já está claro que um dos pilares fundamentais para alcançar esses objetivos é trabalhar em prol dos nossos propósitos.

Dar sentido à nossa vida, como diria Viktor Frankl, atinge diretamente a nossa saúde mental. Isso foi confirmado por estudos ainda complementares, como o publicado no American Journal of Epidemiology em 2019.

De acordo com este trabalho, liderado pelos Drs. Ying Chen e Erik Kim, ter objetivos afeta a saúde física, o equilíbrio psicológico, a autoestima e o processamento emocional. Esses objetivos e o sentido que cada um dá à sua existência agem como um suporte interno onde nada pesa, onde os medos não se infiltram e nos sentimos equilibrados.

O que é “ter um propósito”?

Nesse ponto, sabendo o significado dessa dimensão para a qualidade de vida, uma questão pode surgir: o que exatamente é um propósito?

Algo que devemos entender é que não é simplesmente um objetivo. Não é querer uma casa maior ou conseguir um emprego melhor. Menos ainda atingir o peso ideal ou ser constante na hora de ir à academia.

É muito mais do que isso. Os propósitos de vida transcendem os meros desejos. Essas dimensões nos elevam e nos posicionam, nos dão objetivos de vida, sonhos para o coração, e fortalecem a motivação.

O psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi explica em seu livro “Fluxo: A Psicologia da Experiência Ideal” que um propósito é estabelecer em nossa mente uma intenção estável em relação a algo que é significativo para nós, algo que vai além de nós mesmos.

Um exemplo seria ajudar os outros, criar algo que inspire outras pessoas (um livro, uma música, um tipo de arte). Também poderia ser aprender algo novo, alcançar uma maior sabedoria. Além disso, dar felicidade à nossa família, cuidar de quem amamos.

Mulher em montanha sozinha

Que nunca nos faltem propósitos para seguir em frente

Mark Twain dizia que os dias mais importantes das nossas vidas são apenas dois. O primeiro, o nosso nascimento. O segundo, o momento em que finalmente descobrimos a nossa razão de ser, o significado da nossa existência. Às vezes, é muito difícil encontrá-lo. Não é fácil determinar o que realmente acende o nosso coração e o faz bater mais forte.

No entanto, sempre chega um momento em que sentimos essa motivação, essa paixão e esse sentido. É essencial que nunca nos faltem propósitos para avançar porque graças a eles nos recuperamos das adversidades. Com eles, as oportunidades aparecem, nos dão otimismo para enfrentar desafios e sonhos em momentos de tempestade.

Por outro lado, como já dissemos no início, esses propósitos para seguir em frente podem mudar a qualquer momento. Eles não são os mesmos aos 20 ou 60 anos. Nós também não somos os mesmos quando encerramos uma etapa de vida e começamos outra, seja no nível emocional ou no trabalho. De repente, surgem no horizonte novas necessidades, outros sentimentos e novos propósitos, trazendo novas esperanças.

Vamos mantê-los sempre em mente. Todos nós temos uma chama interna que pode alimentar cada sonho, cada um dos nossos caminhos. Vamos acendê-la!

  • Chen, Y., Kim, E.S., Koh, H.K., Frazier, A.L., and VanderWeele, T.J. (2019). Sense of mission and subsequent health and well-being among young adults: an outcome-wide analysis. American Journal of Epidemiology, 188(4):664-673.
  • Cohen, R., Bavishi, C, & Rosanski, A. (2015). Purpose in life and its relationship to all-cause mortality and cardiovascular events: a meta-analysis. Psychosomatic Medicine, 78(2), 122-133.
  • Hanson, J.A. and VanderWeele, T.J. (2020). The Comprehensive Measure of Meaning: psychological and philosophical foundations. In: M. Lee, L.D. Kubzansky, and T.J. VanderWeele (Eds.). Measuring Well-Being: Interdisciplinary Perspectives from the Social Sciences and the Humanities. Oxford University Press, forthcoming.